sábado, março 21, 2009

Vida ainda mais longa ao Monitor

Reprodução
Tratei do tema proposto para hoje na Rede Blog em artigo publicado no próprio Monitor Campista e também reproduzido aqui no blog. O que defendo é que o município de Campos, seja por meio das suas organizações privadas, seja por meio das suas organizações públicas, trate o Monitor como um patrimônio histórico, como ele o é, e pense em formas de garantir a sua sobrevivência, caso ela venha a ser ameaçada.


No que diz respeito à centenária publicação do Diário Oficial do município no jornal, disse e reafirmo que os demais jornais diários poderiam abrir mão da sua publicação, em respeito à história do Monitor e a esta tradição tão especial. E que isso poderia ser uma decisão soberana do município e dos seus atores sociais.

Em nenhum momento afirmei, e também não o fez o jornal, que se deveria burlar a determinação de que seja feita licitação para a escolha do jornal que publicaria o DO. Ela será legítima e inevitável se os demais jornais insistirem na disputa.

E a publicação do DO no Monitor não é a única forma do poder público contribuir com a manutenção do jornal. Além do investimento publicitário que pode ser feito em qualquer veículo, e que não seria favor algum, insisto que o Monitor não pode ser tratado como um jornal qualquer, e pode se credenciar para formas de incentivo à cultura, à memória e ao patrimônio histórico, caso algum programa local neste sentido venha a existir.

O terceiro mais antigo em circulação

Preservar o Monitor não significa apenas preservar o seu acervo, embora este aspecto já tenha importância suficiente. Mas o que também caracteriza o Monitor como patrimônio é a manutenção da sua circulação. É ela que garante a sua condição de estar entre os mais antigos do país. Se deixar de circular amanhã, o jornal ainda estará entre os primeiros fundados no Brasil, mas distante de um tão distinto terceiro lugar.

Entre 1808, ano de fundação dos primeiros jornais brasileiros – o Correio Braziliense e a Gazeta do Rio de Janeiro, que deixaram de circular em 1822 –, e 1834, ano de fundação do Monitor, vários outros jornais foram fundados, mas deixaram de circular. O que torna o jornal campista diferente dos demais contemporâneos é justamente a sobrevivência.

Um argumento comumente utilizado nestes debates sobre o Monitor é o de que ele é uma empresa privada, que precisa encontrar formas próprias de sobreviver. Quanto a isso não há a menor dúvida. E quem testemunha as mudanças pelas quais passou o jornal na última década sabe que muito se tem feito para torná-lo mais atraente para os leitores e para o mundo publicitário – embora muito, como sempre, necessite ser feito.

Mas se todo jornal não pode ser considerado uma empresa privada como outra qualquer, justamente por registrar e reinventar algo tão essencial quanto o patrimônio simbólico de uma determinada coletividade, o que dizer então de um jornal de quase dois séculos, como o Monitor?

Destino do DO

De qualquer modo, a discussão específica sobre o DO parece superada. A Prefeitura escolherá entre dois caminhos: fazer a licitação ou editar a sua própria versão impressa, sem publicá-lo em jornal algum – o que pode ser mais barato, faria o governo ter mais autonomia, e encerraria a disputa entre jornais pela sua veiculação. Segundo informações de bastidor, a segunda hipótese é a cogitada com mais entusiasmo pela Secretaria de Comunicação.

Se queriam matar o Monitor com a retirada do DO? Creio que sim. A provocação do tema ocorreu em uma conjuntura muito específica, exatamente quando o jornal começou a incomodar nas bancas e se tornou preferido por gente cansada do mau jornalismo dos concorrentes.

Se a retirada do DO do Monitor significará a sua morte? Creio que não. Prefiro acreditar que os campistas não abrirão mão de um dos seus mais importantes patrimônios históricos e do seu jornal de maior credibilidade.

Objeções ao jornal

Isso não significa dizer que não tenho críticas em relação ao Monitor. E as faço fraternalmente para os próprios colegas jornalistas da redação. Dia desses, aqui no blog, o atribui uma nota 5, na escala de 0 a 10, o que não seria suficiente para aprová-lo, por exemplo, numa escola de jornalismo, de média 7. Teria que se esforçar um pouco mais.

Minhas principais objeções ao jornal são a falta de comportamento crítico em relação ao poder, a falta de pegada na reportagem, o temperamento morno demais. Mas é no Monitor que tenho lido o conteúdo em que mais confio. E, na condição de colaborador, posso testemunhar o fato de nunca ter tido uma única vírgula censurada pelo jornal – o que não posso dizer dos demais jornais de Campos.

Agora mesmo, quando acusam o Monitor de ser muito benevolente com o governo Rosinha – e eu também compartilho desta crítica –, pude fazer todas as críticas que quis ao governo nas páginas do próprio jornal. Isso não é tudo, mas é muito.

O lado bom dessa história de mudança no DO é o de ter chamado a atenção para a necessidade de preservarmos o Monitor. Pode ser que, com a intenção de matá-lo, seus algozes acabaram por despertar justamente a urgência de que se dê o contrário, com um debate acerca da conservação do jornal.

Vida ainda mais longa ao Monitor!

8 comentários:

Mais ou Menos Anonimo disse...

Os únicos interessados em liquidar o Monitor Campista já estão moralmente mortos, há tempos!
Sobrevivem de fazer chantagens, especulações, achaques, caixa 2, subornos, exploraçõa de mão de obra, sonegação fiscal e etc.
E todo mundo sabe disso! Do ministro do Trabalho ao candidato a vaga para o próximo concurso da polícia Militar. Do presidente da FENAJ ao diariasta da AIC. E ninguém faz nem quer fazer nada.
A iniciativa do jornalista Vitor Menezes é de uma sensibilidade aquém dos Campistas, principalmente dos que se acham empresários só porque andam de Hillux. Mas uma cidade que não consegue ter um museu que preserve a história e a cultura do lugar... Puta-que-pariu!!!
Visitei o "museu" Olavo Cardoso. Patético!!! Minha avó mora na casa que era da avó dela, em Santa Maria, que têm coisas mais interessante do que aquele museu. Na sala de jantar do Olavo peças em réplica de cristal? Ora... Façam me o favor!! Alguém mamou muita grana pra transformar aquilo em museu.
Outra coisa Vitor, o maior culpado pela morte do Monitor são seus administradores. O atual nem sabe a importância histórica para o país que tem o jornal. O trata como se fosse próprio escritóriozinho particular de contabilidade.
Vida longa à sensibilidade do Vitor Menezes!
E como essa cidade é comandada por uma gente de merda, eu tenho que me esconder para não perder o trabalho. E se o Vitor não publicar eu entenderei. Afinal, ele tem artigos a publicar aos domingos.

Tramem disse...

Basta a Câmara Municipal para que o velho órgão seja oficialmente sem licitação o diário oficial, teriam que mudar a Lei Orgânica do Municipio mas a Lei Federal é clara ,a competência da escolha depende de Lei Municipal.
Portanto legalmente há como manter a " tradição"! Confesso que diante da realidade dos fatos: Não temos nesse país liberdade de imprensa e sim liberdade de empresa´! Em se mantendo o Monitor como órgão oficial, já disse isso em outro comentário que acreditava que por mais paradoxal que fosse era exatamente por isso que o Jornal ainda era o mais informativo , mais independente e se tal situação for regulamentada poderá assegurar a tal liberdade de empresa e com a participação dos que se dispõe a debater esse tema fazer com que esse veículo seja realmente independente , de resto temo continuar a mesmice, com uma licitação manipulada, ou quem sabe um veículo não independente mas que se renderá aos encantos do novo e maior anunciante sobre o qual não se tece críticas ou um veículo deliberadamente de oposição.
Oposição a essa turma eu defendo mas com certeza prefiria ter em minha cidade pelo menos um jornal livre! Que informasse e nós formassemos a opinião.

SérgioProvisano disse...

Se os detentores do poder realmente quiserem, mantêem O Monitor Campista como o DO, mecanismos legais existem, mesmo porquê se não existissem, o Monitor não seria até hoje o diário oficial do município.

Concordo com o Vítor quando ele diz que o comportamento do jornal é morno em relação ao poder estabelecido as é melhor do que ter um comportamento servil como é comum na imprensa campista, onde muitas vezes se muda o verbo, de acordo com a verba. Há que se louvar também o fato de o Monitor manter o saudável hábito de não censurar o que os seus colaboradores escrevem e isso dá credibilidade à qualquer meio de comunicação. Essa possibilidade de se poder expressar opiniões sem ser censurado faz uma diferença gritante em relação aos outros órgãos de imprensa e qualifica o Monitor Campista a continuar prestando esse serviço com Diário Oficial e ele já essa referência na região.

Maria Amelia disse...

Como pesquisadora da História da Educação e como assinante do jornal Monitor Campista, aplaudo o texto do Vitor Menezes. Assim como o Liceu- também ameaçado de ver substituído seu tradicional uniforme- é uma escola diferente, o Monitor é um jornal ímpar! Vida longa aos que souberam se manter, no tempo, como símbolos de decência e de serviço público!

Anônimo disse...

Se o Monitor precisa "ser salvo", não cabe ser com dinheiro público. Ou vale a Lei, ou a conveniência. A Lei diz "LICITAÇÃO", não caridade. Para não falar no quesito "CIRCULAÇÃO", que o velho Monitor leva a pior.
Mas a "sua" conveniência é que o Monitor siga patrocinado pela Prefeitura. Do contrário, onde é que vc. vai escrever? Que espaço vc. tem na Imprensa, fora do Monitor que é casa de mãe Joana.
Publica esse, já que vc. é um defensor intransigente da liberdade de expressão.

Anônimo disse...

Não acho o Monitor diferente dos outros jornais em um país subdesenvolvido. Na França, apenas como exemplo, há jornais que sobrevivem da venda em banca e assinaturas de leitores. Não é o caso do Brasil e de Campos, de uma maioria de analfabetos funcionais, incapazes de interpretar um simples texto jornalístivo. Nem falo de editoriais, artigos ou ensaio, onde são formulados concepções pessoais e concepções filosóficas. Durante os oito anos de Arnaldo/Mocaiber o leitor esclarecido soube de que lado estava O Diário, a denunciar as mazelas, e a Folha a oferecer espaço para a turma da Telhado de Vidro responder. Qual o papel que coube ao Monitor nessa questão? Como formador de opinião (se é que jornal ou jornlista forma opinião), nota zero. Nunca buscou fazer algo que se aproximasse de um jornalimo investigativo. Ficou esperando quem ganhasse a eleição para ser o DO. Se Arnaldo vencesse a eleição, estaria na antesala do poder para arrebanhar os caraminguás. Como Diário Oficial ou não. aCHO que escrevi demais. mas é minha simplória

Anônimo disse...

Olá Vito, respondendo a pergunta: “Sem o Diário Oficial, o Monitor morrerá sim”.

O jornal não tem anunciantes privados. Basta abrir suas páginas! São anos e anos de páginas livres de anúncios.

Em breve, você mesmo, caro Vito noticiará a demissão de seus companheiros de redação. Com a crise da imprensa escrita, batendo à porta, não acredito que o Monitor terá tempo hábil para se reestruturar no mercado local. Basta observar o caso aqui da capital, do jornal O Dia, que para não fechar, demitiu mais de 50 colaboradores e reduziu o tamanho de suas páginas. Igualmente ao outro tradicional jornal carioca: JB.

O Monitor Campista foi transformado em um grande caça-níquel, através da publicação sem-licitação do D.O. por muitos anos. Infelizmente a compensação financeira fácil, superou a verdadeira função de um jornal.

Concordo com o comentário abaixo, da falta de entendimento da atual direção sob a importância o jornal no cenário do país. É uma pena que um veículo de comunicação do nível do Monitor Campista não tenha um administrador comprometido com a própria existência do jornal. Infelizmente o jornal é o reflexo da sua direção local. Morno e apático!

Quem freqüenta o arquivo do jornal, assusta-se com tamanho descaso com a preservação histórica do Monitor Campista! Os exemplares mais antigos estão em péssimos estado de conservação, existe muita bagunça, sujeira e principalmente desorganização. Não existe nada microfilmado. Não há um funcionário qualificado, apenas um estagiário que não tem noção do patrimônio que está “aos seus cuidados”. Não há segurança, nem extintores no caso eventual risco a este patrimônio.

É uma pena que o patrimônio que se encontra nas instalações do Monitor Campista, ao meu ver não se salvará, desde descaso. Acredito que no futuro nosso filhos não poderão usufruir da memória do Monitor Campista que nos tivemos o privilegio de apreciar.

Anônimo disse...

estou perplexa!!!!!
peço a Deus genuflexa que perdoe
esses comentários absurdos
contra o Monitor Campista!
único jornal íntegro que temos em nossa cidade!
sou leitora assídua e vejo a seriedade do jornalismo do velho orgão...
acho que todos os que estão criticando, fazem parte da falange
que quer derrubar o jornal, a mesma
que deu início ao processo de licitação.
Tenho pena de quem depende dessa PMCG pra sobreviver... Um dia, os royaltes vão acabar e eles vão lembrar de que quando essa prefeitura era pobre, o Monitor era o mesmo orgão que divulgava o DO. Tipo juramento de altar: na riqueza e na pobreza... sempre chegou junto!

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