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sábado, março 30, 2013

A despedida do Viomundo, por Luiz Carlos Azenha

Azenha, despedida do Viomundo
Reproduzo abaixo a despedida do Luiz Carlos Azenha, publicado originalmente aqui, onde o jornalista  explica as razões para interromper o trabalho no site Viomundo. Mais que um desabafo, o texto acaba por se tornar revelador sobre as relações de poder nos grandes veículos de comunicação e as pressões enfrentadas pelos profissionais.

Considerado um mito por muitos, é a "imparcialidade", ou a impossibilidade de exercê-la durante a cobertura de uma eleição presidencial, que motivou a saga iniciada por Azenha em 2006. Quando somente se afirma que ela é inatingível, abre-se a guarda para que se admita também toda sorte de artifícios de parcialidade, como os denunciados pelo jornalista. Mas quando, ao contrário, a tomamos como um método, uma especificidade e uma prerrogativa do trabalho jornalístico, renovamos o sentido e as mais nobres tradições desta profissão.

O que tem sido enfrentado pelo Azenha é algo bastante identificado pela literatura da área. Nas teorias do jornalismo poderia ser situado na chamada "Teoria organizacional", nascida por meio de pesquisa de Warren Breed na década de 1950, nos Estados Unidos, com 120 jornalistas, para responder à clássica pergunta "porque as notícias são como são?".

De modo muito resumido, Breed chegou à conclusão de que a "cultura organizacional" (as leis e costumes internos das empresas) têm maior peso sobre a produção das notícias do que a "cultura profissional" (aquilo que tradicionalmente os jornalistas consideram boas práticas da profissão).

Os jornalistas acabavam por se conformar com limites internos para a sua atividade, e até mesmo as razões para este conformismo foram identificadas na pesquisa, como mostrou Nelson Traquina. E entre elas estão as punições institucionais, os sentimentos de estima em relação a superiores, as aspirações de mobilidade na carreira, a ausência de outros grupos de lealdade tão poderosos quanto a própria empresa, o prazer da atividade e o entendimento de que a notícia é um valor maior do que qualquer demanda ou insatisfação pessoal (uma das razões para raramente jornalistas entrarem em greve).


Azenha não se conformou, e enfrentou boa parte destas barreiras internas até o ponto de não mais suportá-las. Pediu demissão da TV Globo, algo inimaginável pela grande maioria dos calouros das faculdades de jornalismo. Movido pelo seu senso de "cultura profissional", devendo lealdade a algo maior do que a uma empresa (a sua própria consciência), ele não apenas deixou  a emissora, mas a denunciou, e vem arcando com as "punições institucionais" mesmo após ter saído do emprego cobiçado por tantos.

Confira o seu relato:

"Globo consegue o que a ditadura não conseguiu: calar imprensa alternativa

publicado em 29 de março de 2013 às 20:32

por Luiz Carlos Azenha

Meu advogado, Cesar Kloury, me proíbe de discutir especificidades sobre a sentença da Justiça carioca que me condenou a pagar 30 mil reais ao diretor de Central Globo de Jornalismo, Ali Kamel, supostamente por mover contra ele uma “campanha difamatória” em 28 posts do Viomundo, todos ligados a críticas políticas que fiz a Kamel em circunstâncias diretamente relacionadas à campanha presidencial de 2006, quando eu era repórter da Globo.

Lembro: eu não era um qualquer, na Globo, então. Era recém-chegado de ser correspondente da emissora em Nova York. Fui o repórter destacado para cobrir o candidato tucano Geraldo Alckmin durante a campanha de 2006. Ouvi, na redação de São Paulo, diretamente do então editor de economia do Jornal Nacional, Marco Aurélio Mello, que tinha sido determinado desde o Rio que as reportagens de economia deveriam ser “esquecidas”– tirar o pé, foi a frase — porque supostamente poderiam beneficiar a reeleição de Lula.

Vi colegas, como Mariana Kotscho e Cecília Negrão, reclamando que a cobertura da emissora nas eleições presidenciais não era imparcial.

Um importante repórter da emissora ligava para o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, dizendo que a Globo pretendia entregar a eleição para o tucano Geraldo Alckmin. Ouvi o telefonema. Mais tarde, instado pelo próprio ministro, confirmei o que era também minha impressão.

Pessoalmente, tive uma reportagem potencialmente danosa para o então candidato a governador de São Paulo, José Serra, censurada. A reportagem dava conta de que Serra, enquanto ministro, tinha autorizado a maior parte das doações irregulares de ambulâncias a prefeituras.

Quando uma produtora localizou no interior de Minas Gerais o ex-assessor do ministro da Saúde Serra, Platão Fischer-Puller, que poderia esclarecer aspectos obscuros sobre a gestão do ministro no governo FHC, ela foi desencorajada a perseguí-lo, enquanto todos os recursos da emissora foram destinados a denunciar o contador do PT Delúbio Soares e o ex-ministro da Saúde Humberto Costa, este posteriormente absolvido de todas as acusações.

Tive reportagem sobre Carlinhos Cachoeira — muito mais tarde revelado como fonte da revista Veja para escândalos do governo Lula — ‘deslocada’ de telejornal mais nobre da emissora para o Bom Dia Brasil, como pode atestar o então editor Marco Aurélio Mello.

Num episódio específico, fui perseguido na redação por um feitor munido de um rádio de comunicação com o qual falava diretamente com o Rio de Janeiro: tratava-se de obter minha assinatura para um abaixo-assinado em apoio a Ali Kamel sobre a cobertura das eleições de 2006.

Considero que isso caracteriza assédio moral, já que o beneficiado pelo abaixo-assinado era chefe e poderia promover ou prejudicar subordinados de acordo com a adesão.

Argumentei, então, que o comentarista de política da Globo, Arnaldo Jabor, havia dito em plena campanha eleitoral que Lula era comparável ao ditador da Coréia do Norte, Kim Il-Sung, e que não acreditava ser essa postura compatível com a suposta imparcialidade da emissora. Resposta do editor, que hoje ocupa importante cargo na hierarquia da Globo: Jabor era o “palhaço” da casa, não deveria ser levado a sério.

No dia do primeiro turno das eleições, alertado por colega, ouvi uma gravação entre o delegado da Polícia Federal Edmilson Bruno e um grupo de jornalistas, na qual eles combinavam como deveria ser feito o vazamento das fotos do dinheiro que teria sido usado pelo PT para comprar um dossiê contra o candidato Serra.

Achei o assunto relevante e reproduzi uma transcrição — confesso, defeituosa pela pressa – no Viomundo.

Fui advertido por telefone pelo atual chefão da Globo, Carlos Henrique Schroeder, de que não deveria ter revelado em meu blog pessoal, hospedado na Globo.com, informações levantadas durante meu trabalho como repórter da emissora.

Contestei: a gravação, em minha opinião, era jornalisticamente relevante para o entendimento de todo o contexto do vazamento, que se deu exatamente na véspera do primeiro turno.

Enojado com o que havia testemunhado ao longo de 2006, inclusive com a represália exercida contra colegas — dentre os quais Rodrigo Vianna, Marco Aurélio Mello e Carlos Dornelles — e interessado especialmente em conhecer o mundo da blogosfera — pedi antecipadamente a rescisão de meu contrato com a emissora, na qual ganhava salário de alto executivo, com mais de um ano de antecedência, assumindo o compromisso de não trabalhar para outra emissora antes do vencimento do contrato pelo qual já não recebia salário.

Ou seja, fiz isso apesar dos grandes danos para minha carreira profissional e meu sustento pessoal.

Apesar das mentiras, ilações e tentativas de assassinato de caráter, perpretradas pelo jornal O Globo* e colunistas associados de Veja, friso: sempre vivi de meu salário. Este site sempre foi mantido graças a meu próprio salário de jornalista-trabalhador.

O objetivo do Viomundo sempre foi o de defender o interesse público e os movimentos sociais, sub-representados na mídia corporativa. Declaramos oficialmente: não recebemos patrocínio de governos ou empresas públicas ou estatais, ao contrário da Folha, de O Globo ou do Estadão. Nem do governo federal, nem de governos estaduais ou municipais.

Porém, para tudo existe um limite. A ação que me foi movida pela TV Globo (nominalmente por Ali Kamel) me custou R$ 30 mil reais em honorários advocatícios.

Fora o que eventualmente terei de gastar para derrotá-la. Agora, pensem comigo: qual é o limite das Organizações Globo para gastar com advogados?

O objetivo da emissora, ainda que por vias tortas, é claro: intimidar e calar aqueles que são capazes de desvendar o que se passa nos bastidores dela, justamente por terem fontes e conhecimento das engrenagens globais.

Sou arrimo de família: sustento mãe, irmão, ajudo irmã, filhas e mantenho este site graças a dinheiro de meu próprio bolso e da valiosa colaboração gratuita de milhares de leitores.

Cheguei ao extremo de meu limite financeiro, o que obviamente não é o caso das Organizações Globo, que concentram pelo menos 50% de todas as verbas publicitárias do Brasil, com o equivalente poder político, midiático e lobístico.

Durante a ditadura militar, implantada com o apoio das Organizações Globo, da Folha e do Estadão — entre outros que teriam se beneficiado do regime de força — houve uma forte tentativa de sufocar os meios alternativos de informação, dentre os quais destaco os jornais Movimento e Pasquim.

Hoje, através da judicialização de debate político, de um confronto que leva para a Justiça uma disputa entre desiguais, estamos fadados ao sufoco lento e gradual.

E, por mais que isso me doa profundamente no coração e na alma, devo admitir que perdemos. Não no campo político, mas no financeiro. Perdi. Ali Kamel e a Globo venceram. Calaram, pelo bolso, o Viomundo.

Estou certo de que meus queridíssimos leitores e apoiadores encontrarão alternativas à altura. O certo é que as Organizações Globo, uma das maiores empresas de jornalismo do mundo, nominalmente representadas aqui por Ali Kamel, mais uma vez impuseram seu monopólio informativo ao Brasil.

Eu os vejo por aí.

PS do Viomundo: Vem aí um livro escrito por mim com Rodrigo Vianna, Marco Aurelio Mello e outras testemunhas — identificadas ou não — narrando os bastidores da cobertura da eleição presidencial de 2006 na Globo, além de retratar tudo o que vocês testemunharam pessoalmente em 2010 e 2012.

PS do Viomundo 2: *Descreverei detalhadamente, em breve, como O Globo e associados tentaram praticar comigo o tradicional assassinato de caráter da mídia corporativa brasileira."

segunda-feira, agosto 20, 2012

Urgente! comemora em dezembro centenário de 10 anos


Este urgente! completa dez anos em dezembro deste ano e, para um blog, esta marca equivale a uma espécie de centenário. É muito tempo de duração para uma iniciativa sem maiores pretensões, sem fins lucrativos, sem cuidados administrativos ou de marketing. Ele nasceu em uma época em que os blogs eram novidade e tinha apenas o propósito de reunir jornalistas do Norte Fluminense interessados em comentar, informar, discutir, livres dos padrões da linguagem jornalística e dos limites dos veículos tradicionais. Muita gente estranhou, inclusive colegas jornalistas, mas o tempo e a popularização dos blogs serviu para mostrar que o urgente! não era nenhuma trama para fazer a revolução internacional. Era, e sempre foi, apenas um blog.

Passeata do Ato Chega de Palhaçada, em 2008
[Foto: César Ferreira]
Mas a velhice cobra o seu preço, e o nosso centenário blog de dez anos apresenta, há pelo menos um ano, sinais evidentes de cansaço. Nele não mais se vê o viço das coberturas eleitorais (a propósito, há eleições em Campos em 2012?), não aparecem as novidades da blogosfera, os eventuais furos que viram pauta, as aguerridas opiniões “contra esse estado de coisas que aí está”. Há tempos nenhuma mostra fotográfica virtual ou entrevista, artigo um pouco mais denso que um post rápido, uma mísera denúncia de abandono de algum patrimônio histórico.

Logo o urgente!, que já foi tão assanhadinho, onde nasceu o “Diado Abandono” e, depois, em 24 de fevereiro de 2008, a “Rede Blog”. E de onde partiu a convocação para a primeira manifestação genuinamente articulada pela internet em Campos, o “Chega de Palhaçada”, em 26 de abril de 2008, reunindo bravos espíritos de porco para gritar pelas ruas do Centro palavras de ordem como “Fora Mocaiber, fora Garotinho, fora Arnaldo, quero um outro caminho”.

Monitor fez de sua manchete
referência ao  protesto que
nasceu na internet 
Mas, enfim, é hora de olhar para frente, e queremos dividir com os amigos blogueiros, com os jornalistas e potenciais colaboradores, com os leitores que vez por outra passam apenas para verificar os sinais vitais do blog, com os comentadores, a questão que esta letargia blogueira impõe: o que fazer do urgente!? Como reinventá-lo? Como despertar em novos jornalistas faceboqueiros a vontade de colaborar? Como desenterrar os zumbis que aqui ainda se encontram?

Ou seria melhor escolher o glorioso ano do centenário de dez anos para desligar os aparelhos?

sexta-feira, agosto 12, 2011

Altamiro Borges: blogosfera está pautando a mídia tradicional

Entrevistei para a Rádio NF o jornalista Altamiro Borges, do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé. Abaixo, um trecho em vídeo. Aqui e aqui a íntegra em áudio.

terça-feira, julho 26, 2011

A dificuldade da imprensa na relação com os blogs

De Joca Muylaert /  Íntegra aqui.

"Desde o primeiro blog que foi ao ar em Campos, sem dúvida, a população e os órgãos fiscalizadores e controladores passaram a contar com mais uma fonte onde podem sorver informações e posições que dificilmente estariam estampadas nas páginas dos veículos de comunicação tradicionais. Não é nada difícil entender a dificuldade que certos órgãos de imprensa têm em se manter exclusivamente jornalísticos."

sexta-feira, julho 15, 2011

Bom papo sobre a Rede Blog no programa Opinião em Debate, da Mult TV

Parte 1



Parte 2



Parte 3



Parte 4

quinta-feira, maio 26, 2011

Conheça o blog Educação Pra Quê?

O professor Erivelton R. Almeida, mestre em Cognição e Linguagem que leciona Língua Portuguesa na Escola Vilma Tâmega e Latim na Faculdade de Filosofia de Campos, mantém o blog Escola Pra Quê?, que tem a colaboração de outros profissionais da Educação, entre eles a queridíssima Edinalda Almeida. O blog fica bem aqui.

segunda-feira, maio 23, 2011

sexta-feira, maio 13, 2011

quinta-feira, maio 05, 2011

Saiu o Censo dos Jornalistas 2010

Do blog Desilusões Perdidas

O poder de consumo do jornalista está cada vez menor. Em 2000, seu salário mensal demorava 20 dias para acabar. Em 2010, 14 dias. A expectativa é que, em 2050, o salário do jornalista dure apenas 2 horas e 37 minutos.

Nos últimos 10 anos, a migração de jornalistas com carteira assinada para o sistema PJ só não foi maior do que a migração de jornalistas com carteira assinada para o olho da rua.

A imprensa está ainda mais vaidosa. O ego dos jornalistas teve expansão de 30% nos últimos 10 anos. Um dado interessante é que, pela primeira vez, os repórteres de TV perderam a liderança do ranking do estrelismo para os jornalistas blogueiros.

Com o fim da obrigatoriedade do diploma, o Brasil fechou 2010 com a marca de 150 milhões de jornalistas.

[Veja outros dados do Censo do Duda Rangel, aqui.]

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Blog traz o som da Planície

O coleguinha Paulo Roberto meteu as caras e lançou O Som na Planície, um blog que tem por objetivo mostrar as bandas de Campos, além de tratar de música em geral. Para conferir as primeiras impressões do cara e ver quem faz o som na cidade, clique aqui.

domingo, dezembro 05, 2010

Atenção Rede Blog: chamada para coletiva de blogueiros

Pessoal, segue abaixo reprodução de convite do Observatório de Controle do Setor Público, em Campos, para uma coletiva de blogueiros no Dia Internacional de Combate à Corrupção, na quinta, 9, quando será realizado evento sobre o tema na CDL.

A Rossana Florencio, organizadora do evento, precisa com urgência da confirmação dos interessados em participar. Seus contatos estão no final do convite:

"Assunto CONVITE

Prezado Blogueiro

O OBSERVATÓRIO DE CONTROLE DO SETOR PÚBLICO - OCSP e a UENF estão organizando um evento para dia 09 próximo, "Dia Internacional de Combate à Corrupção", cuja programação segue em arquivo anexo.

Ocorre que entendemos que qualquer evento que pretenda tratar do tema em tela, na nossa cidade, necessita de máximo de publicidade e a Rede de Blogs representa este canal de comunicação eficaz, capaz de divulgar e estimular a participação da nossa sociedade.

Nesta perspectiva, estamos pensando numa coletiva com a Rede de Blogs, às 18 horas, antes do inicio da segunda mesa. Contudo, solicitamos que confirme sua intenção de participar.

Contamos com sua presença e também com a divulgação da programação neste blog.

No aguardo de sua resposta, atenciosamente agradecemos

Aurélio Lorenz Ribeiro de Castro
Diretor Geral do OCSP - Observatório de Controle do Setor Público - Campos dos Goytacazes

Rossana Florencio
Voluntária do OCSP
(22) 81 11 2011
skype
googleTalk
rossanaflorencio@gmail.com "

sábado, novembro 27, 2010

Jornalista analisa participação das redes sociais no "Caos no Rio"

A jornalista e diretora da FSB Comunicações, Risoletta Miranda faz uma análise da contribuição das redes sociais na cobertura da invasão da Vila Cruzeiro, no Rio.

Do Blog do Noblat:

O publicitário Carlito Maia disse um dia que nós não precisamos de muito, apenas um dos outros. E nas redes sociais esse lema é o próprio conceito e uma das razões de sua existência. Trocando dados e informações criamos causas que nos tornam melhores como pessoas e como sociedade. E foi isso que aconteceu nestes dias recentes de guerra entre os traficantes e a polícia no Rio de Janeiro.

Leia a íntegra do texto aqui.

PS: Dei um Crtl C + Crtl V para dar a dica da leitura e abriu um box na tela informando que não é autorizado o uso do seguinte texto para fins comerciais e/ou profissionais. Também dão a "dica" para que se entre em contato por e-mail para a compra do material. É engraçado quando um blog, que seria uma ferramenta mais democrática de uso das informações, faz esse tipo de coisa. Enfim... copiei e colei mesmo assim!

quarta-feira, novembro 24, 2010

G1: Censurar a internet é 'estupidez', diz Lula em entrevista a blogueiros

Débora Santos / Do Portal G1, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (24), em entrevista a blogueiros, que considera “estupidez” qualquer projeto de lei que busque censurar a internet. Ele ressaltou a preocupação do governo com a liberdade de imprensa.

“Eu acho importante que as pessoas que estão acompanhando percebam claramente que nesse período do governo toda vez que falamos com alguém demos total liberdade para as pessoas perguntarem o que quiserem”, disse o presidente.

Esta é a primeira vez em quase oito anos de mandato o presidente Lula concede entrevista exclusiva a blogueiros. Participam do encontro, no Palácio do Planalto, os blogueiros Altamiro Borges, Altino Machado, Rodrigo Viana, Renato Rovai, Eduardo Guimarães, W. Barros, Pierre Lucena, Túlio Viana, José Augusto, Leandro Fortes.

[Íntegra aqui]

sábado, novembro 20, 2010

Roberto Moraes ajuda a lembrar que a Folha da Manhã ainda existe

Nesta última semana, o professor e blogueiro Roberto Moraes tem feito, como aqui, enfrentamentos diretos ao jornal Folha da Manhã, em razão de matérias que, segundo ele, conteriam mentiras sobre o IFF. Suponho tratar-se de um caso curioso, onde a resposta à matéria de um jornal provavelmente tem mais leitores que o próprio jornal. Eu mesmo só soube da história agora, lendo o Roberto.

quinta-feira, novembro 04, 2010

Redes sociais e eleições 2010

Por Murillo de Aragão, retirado do Blog do Noblat.


Finalmente, a internet e as redes sociais tiveram um papel mais relevante nas eleições brasileiras. Porém, como bem disse Pedro Doria em artigo no Estadão (31/10/10), ninguém venceu na rede. O empate entre os candidatos nesse meio de comunicação revela que, no limite, as redes sociais não favoreceram ninguém nem foram decisivas para o resultado final.

O Brasil de 2010 ainda é um país em que a penetração da internet é baixa, apesar da vocação do brasileiro para a rede e do seu potencial de crescimento explosivo. Sendo assim, não houve qualquer episódio nas redes que modificasse de modo claro e decisivo as tendências do processo eleitoral. No futuro, no entanto, não deverá ser assim.

Alguém diria, de pronto, que a campanha de desinformação em torno de Dilma Rousseff e o tema do aborto podem ter-lhe roubado votos na reta final do primeiro turno. Mas o estrago causado pela ação na web foi bem menor, por exemplo, que a maciça cobertura da mídia eletrônica em torno do caso Erenice Guerra.

A situação seria diferente se tivéssemos um empate técnico, no qual “detalhes” como as redes sociais poderiam pender em favor de um ou de outro candidato. Ao pontuar tais aspectos volto a dizer que a internet e as redes sociais foram importantes, mas não decisivas.

A campanha teve aspectos interessantes ligados à internet e às redes sociais e que merecem destaque. O fato que mais me chamou a atenção foi o uso do twitter na mobilização da militância partidária e de simpatizantes dos candidatos. No caso brasileiro, é o que importa: mobilizar enormes contingentes eleitorais em favor de uma candidatura. O twitter também serviu para informar eventos e antecipar direções. Em especial, para repercutir as prévias das pesquisas, abundantemente comentadas na rede.

Um segundo fato é que o uso da internet na disseminação da informação teve no anonimato o seu pior e mais perverso aspecto. Nesse sentido, alinho-me a Arthur Schopenhauer, que dizia que o anonimato serve para tirar a responsabilidade daquele que não pode defender o que afirma. O anonimato na internet é um grave problema que termina por minar a própria credibilidade do meio. No futuro, vejo a credibilidade das redes sociais sendo avaliadas por seu grau de transparência.

Na prática, o Código Penal não vale na internet e, de forma esperta, alguns grandes sites e redes se escudam nas legislações mais complacentes do mundo para não atuar de forma enérgica contra a prática de crimes que envolvem a honra.

Aos românticos, o anonimato tem um doce sabor libertário. Quando se está a favor, tudo é lindo e maravilhoso. Porém, quando se é vítima de difamação e calúnias é como sofrer de bullying sem saber a identidade de seus agressores e sem ter a quem reclamar.

Como há complacência nas redes, poderemos ter, como efeito colateral, ações restritivas no âmbito regulatório. Não devemos esquecer que vai haver uma discussão sobre o marco regulatório da internet no Brasil. Eleitoralmente falando, a questão é importante, já que no futuro as redes sociais e a disseminação de informações por outras mídias terão peso ainda maior para a construção de tendências e, claro, para a definição de resultados eleitorais.

A internet será, cada vez mais, o meio de informação da cidadania sobre tudo e sobre todos. Não necessariamente na forma tradicional de acesso a sites. Vejo que a explosão de recursos, como o twitter, por exemplo, tende a ganhar destaque. A partir da experiência eleitoral de 2010, partidos, políticos e Justiça Eleitoral deveriam debater intensamente a questão com vistas às próximas eleições.


Murillo de Aragão é cientista político

sexta-feira, outubro 22, 2010

Seria a blogosfera "o lado negro da força"?

"[...] Além disso, descobriu-se que a chamada Blogosfera era uma casa mal-assombrada, habitada por blogs fantasmas. Dos 133 milhões de blogs monitorados pela Technorati, 95% deles não são sequer atualizados há mais de três meses.

Porém, o mais grave é que o lado negro da força começou a tomar conta da Blogosfera. A esperada verdade universal não surgiu através delas. Ao contrário, boa parte dos blogs foi colocada a serviço da desinformação, da boataria, das notícias inventadas e, o pior, da difamação pura e simples.

Tudo isto causou uma mudança no comportamento dos usuários da Internet. Ao invés de buscar informações de qualquer fonte, os usuários passaram a buscar as fontes que tenham informação de qualidade. A buscar fontes confiáveis e credenciadas. E, curiosamente, a grande revolução acabou encontrando estas credenciais na mídia tradicional e, principalmente, nos sites dos jornais.

Hoje, cerca de 95% de todas as informações que circulam na Internet são originadas de sites de mídias tradicionais, assim como 99% das histórias contidas nos blogs. Mais de 80% dos links de todos os blogs apontam para sites de jornais. As redes sociais (Facebook, Orkut, Twitter) têm metade dos seus links direcionados aos sites dos jornais nos EUA (número certamente bem maior no Brasil).

Dos sites brasileiros mais acessados, o primeiro é o UOL, ligado ao jornal "Folha de São Paulo", e o segundo é o Globo.com, do jornal "O Globo"."

Por Aurélio Paiva, aqui.

terça-feira, outubro 19, 2010

Blogueiros visitam hoje Superporto do Açu


Em iniciativa inédita na região e ainda pouco comum no País, a LLX promove hoje uma visita de blogueiros de diferentes profissões às obras do Superporto do Açu, em São João da Barra (RJ). Um ônibus parte daqui a pouco, às 8h, do centro de Campos, em direção ao empreendimento. O urgente! está entre os blogs participantes.

Ação típica da política de portas abertas, comum nas assessorias de comunicação de grandes organizações, visitas como esta costumavam se restringir a jornalistas.

Esta é mais uma mostra da importância dos blogs, que já haviam sido incorporados às estratégias de divulgação profissionais, constando, por exemplo, dos maillings lists das assessorias.

[Obras do Superporto do Açu em setembro passado - Foto: Divulgação LLX]

domingo, outubro 03, 2010

NF10, MultTV e Blogs cobrem as eleições


O site de notícias NF10, o canal de tv a cabo de Campos MultTV (canal 8 da Via Cabo) e a Rede Blog se uniram para a cobertura das eleições neste domingo (dia 3 de outubro). Durante todo o dia, vários endereços na internet vão estar interligados, trocando informações e divulgando matérias.

No NF10, desde a noite da última sexta-feira (dia 1º de outubro), no canal de vídeos, localizado no canto alto direito da tela do computador, a programação da MultTV é exibida ao vivo. Para assistir, basta clicar no botão do play ou no título.

A partir das 17 horas e até o final da apuração, a MultTV exibe um programa especial, com a participação do diretor do NF10 e responsável pelo Ligação Direta, jornalista Álvaro Marcos, do professor Roberto Moraes e de outros convidados. A apresentação será feita por Herval Machado, direto dos estúdios da emissora.

Confira, abaixo, a relação de sites e Blogs que vão participar, juntos, desta cobertura:

www.nf10.com.br
www.multtv.com.br
www.robertomoraes.blogspot.com
www.urgente.blogspot.com
www.sociedadeblog.blogspot.com
www.fabianoseixas.blogspot.com
www.paulorochajr.blogspot.com
www.webtvcampos.blogspot.com
www.blogdojuniorcampos.blogspot.com
www.luizfelipemuniz.blogspot.com
www.guiamacabu.com.br/marceloabreu
www.miracemarj.blogspot.com
www.lwerneck.blogspot.com
www.noeljunior10.blogspot.com

quinta-feira, setembro 30, 2010

Acompanhe a apuração na Mult TV



Recado do Gustavo Oviedo:

"No próximo 3 de outubro, a MULT TV fará um programa ao vivo cobrindo as eleições em Campos e no Brasil, entre as 17h e 20h. Participarão o professor Roberto Moraes e o jornalista Alvaro Marcos, do site NF10.com.br.


Todo aqueles blogueiros que queiram se somar ao projeto podem escrever a contato@multtv.com.br. Disponibilizaremos o sinal da tv para que possa ser inserido no seu blog. Venha participar!"

segunda-feira, setembro 27, 2010

Estudantes montam morada em casa abandonada de Campos


Olha só que inusitada atitude revolucionária foi encontrada pelo bravo jornalista Gustavo Rangel, publicada aqui no Sociedade Blog. Um grupo de estudantes ocupou (se a notícia estivesse, por exemplo, no jornal do MST) ou invadiu (se a notícia estivesse, por exemplo, na Veja) um casarão abandonado próximo ao parque Alzira Vargas, em Campos.

Eles colocaram fogo no mato, limparam tudo, e se instalaram, com direito a faixa na grade anunciando a correta aplicação da função social da propriedade.

[Faixa na casa tomada por estudantes. Foto: Gustavo Rangel/Sociedade Blog]

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