Desde a ascensão política do Garotismo em Campos, e lá se vão mais de duas décadas, a situação é relativamente recorrente: oriundo das entranhas do mesmo modo de ação política se origina uma oposição circunstancial que passa a demonizar o criador, algo como ocorre com aquele grupo que apareceu em foto com o deputado Jorge Picciani nesta semana.
Francamente, é possível levar aquele agrupamento político a sério? Ou, reformulando, é possível acreditar que há diferenças relevantes entre um subgrupo e outro?
Fico imaginando como devem se divertir os patrocinadores destes movimentos, na velha imprensa e no submundo empresarial privado, que lucram com a manipulação da construção de uma falsa oposição entre os ajuntamentos políticos ocasionais.
Não se trata aqui de um reforço da máxima segundo a qual seriam “todos iguais”, frequente entre os que, não sem motivos, tomam asco pela política. É verdade que não são todos iguais, mas isso não significa que consigam escapar dos velhos métodos. A política está cheia de casos de pessoas probas que se viram enredadas em compromissos de sobrevivência eleitoral e, quando menos se deram conta, estavam à beira de chafurdar na lama comum.
É por isso que, mesmo conhecendo e condenando quase tudo que é feito pelo agora deputado federal Anthony Garotinho, ou em seu nome, não embarco em qualquer canoa que se diga a ele opositora.
O lamentável desta minha condição, de ficar à margem do rio vendo as canoas passarem, é a falta de esperança. Uma a uma, as vejo de longe, sem que de fato ocorra uma mudança no leito que as conduz sempre na mesma direção.
É que a pergunta que pouco vejo ser respondida é a seguinte: como o Garotismo se tornou o que se tornou?
Gostemos deste personagem ou não, a verdade é que Garotinho é um excepcional talento político. Isso inclui ser uma espécie de grande camaleão. Ele não tem alma, não tem cheiro, não tem partido, não tem cor e, diferentemente do que pode parecer, não tem nem religião. Ele é o que as circunstâncias exigem que ele seja. Não é diferente com nenhum outro líder em ambientes onde sejam necessários votos e dinheiro para disputá-los. O sucesso do presidente Lula não consistiu, em boa medida, da sua capacidade de parecer representar interesses tão distintos quanto os da FIESP e os do MST?
Pois então, a questão é: quais as forças presentes em Campos, para ficar apenas na realidade local, fizeram a geração que chegou ao poder com Garotinho, pós 1988, se transformar nesta geleia política que tem condenado a cidade a manter-se distante de boas práticas republicanas e cidadãs?
Estaria a nossa tradição autoritária e escravocrata exercendo um impulso primal pela manutenção dos privilégios dos pequenos círculos mandatários? Seria traço da nossa cordialidade buarquiana a tolerância com os jeitinhos e favores e pequenos espelhinhos em forma de cargos comissionados? Ou a coisa é menos cultural e mais estrutural, numa concepção mais para Marx do que para Weber, e estaríamos vendo a acomodação contínua dos interesses de uma elite econômica na apropriação da gestão pública? Seria ainda, o que é provável, alguma outra hipótese que não me ocorre agora?
Sinceramente, não faço a menor ideia. O que me é dado dizer com alguma convicção é que é insuficiente a demonização de Anthony Garotinho como remédio contra os males de Campos dos Goytacazes, ou mesmo como algo recomendável para o entendimento das entranhas políticas locais. Não parecem ser menos demoníacos os interesses de vários dos seus ocasionais detratores. E o inferno não está nos outros.
quinta-feira, julho 28, 2011
Não topo tudo contra os Garotinhos
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sexta-feira, abril 15, 2011
Novo artigo do professor Hamilton sobre Reforma Política
Accountability e Reforma Política
Hamilton Garcia de Lima
A crítica mais ouvida à proposta de institucionalização da lista fechada no sistema proporcional vigente no país é a de que esse procedimento enfraqueceria o vínculo entre os candidatos e os eleitores, levando à “ditadura das cúpulas partidárias” em detrimento do direito de escolha do eleitor.
A crítica é fraca sob variados aspectos; vejamos alguns. Uma das razões para que a reforma política não saia da agenda do país, apesar da contrariedade da classe política, é precisamente o fato de que o modelo vigente (proporcional de lista aberta) levou, ao longo dos anos, o vínculo entre parlamentares e eleitores aos piores patamares da história republicana — ao contrário do juízo de muitas autoridades acadêmicas, que, nos anos 1990-2000, prognosticavam o amadurecimento desse modelo.
Os motivos para essa deterioração crescente são muitos, mas deve-se destacar, em particular, a opacidade do método de distribuição das cadeiras legislativas pelo coeficiente partidário-coligacional, que faz a “mágica”, aos olhos dos eleitores, de eleger candidatos com os votos dos não eleitos, de tal modo que nem os políticos, em sua esmagadora maioria, sabem exatamente de onde vêm os votos que os elegeram, nem os eleitores a quem seus votos efetivamente consagraram, pois a grande maioria votou em candidatos que não se elegeram.
[Íntegra aqui]
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sexta-feira, março 25, 2011
PCdoB comemora aniversário hoje com panfletagem e confraternização
Da Assessoria do PCdoB
Fundado em 25 de março de 1922, o Partido Comunista do Brasil comemora hoje 89 anos. Em Campos, o PCdoB comemora a data com panfletagem no calçadão, no Centro, a partir das 16h30. Mais tarde, haverá confraternização com a participação de filiados, militantes e simpatizantes, às 19h, na sede do partido (Avenida 28 de Março, 59, 1º andar - Ao lado do ISEPAM, altos da Terapêutica).
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quarta-feira, março 23, 2011
Um artigo do professor Hamilton sobre Reforma Política
Agora que a reforma política volta a ser discutida, vale a pena reproduzir artigo do cientista político da Uenf, Hamilton Garcia, publicado por O Globo em 2006. Confira:
Reflexos da Desigualdade
Hamilton Garcia de Lima
A radical desigualdade brasileira tem, como não poderia deixar de ter, reflexos sobre a dinâmica política. Negar este fenômeno pode ser uma tomada de posição ideológica — pós-moderna, de centro ou esquerda, tanto na busca da melhoria do ambiente social quanto empenhada em manter o poder de forma demagógica —, mas não científica, pois implicaria negar seus reflexos sobre todo o sistema social (saúde, educação etc.), inclusive na economia (produtividade, empregabilidade etc.). A rigor, do ponto de vista humanista, são esses efeitos que se quer elidir quando se combate a extrema desigualdade, e não apenas a dificuldade de acesso aos bens de consumo no mercado, como na ótica capitalista.
Na política local, sua pior conseqüência é a irresponsabilidade eleitoral, plasmada no político superficial-bonachão e no eleitor despolitizado-esperto que vende o voto por necessidade ou o concede em proveito de algum benefício privado — imediato, diante de uma emergência médica ou uma churrascada, ou mediato, no caso de uma expectativa de emprego —, não importando que a fonte de tal regalia tenha origem no desvio de recursos públicos.
Ao par das carências materiais, que são a origem primária dessas práticas entre os cidadãos, a desigualdade nos enlaça também através da cultura, como cristalização de vivências passadas e reprodutora de práticas tradicionais. Em nossa história colonial-nacional, o público nasceu do privado e foi aprisionado por ele até o Estado se fortalecer ao ponto de cobrir, com sua autoridade, todo o território nacional — processo ainda não completamente concluído em função da crise de autoridade que vivenciamos.
Restou disso a confusão entre a fronteira do público e do privado.
Os tentáculos da desigualdade são também manipulados por elites dominantes que se apropriam privadamente do excedente público quer como forma de maximizar suas vantagens competitivas no mercado, de acumular patrimônio ou mesmo para se cacifar financeiramente no jogo político-eleitoral. A forma democrática deste último tipo de dominação (arcaica) implica a redistribuição de parte dos excedentes politicamente apropriados para os setores sociais subalternos ávidos de participação no butim e sem condições ou predicados para a autoorganização, estabelecendo desse modo a roda-viva da reprodução do atraso.
A questão a responder é se a democracia poderá superar esta herança maldita, e seus atuais interesses cruzados, ou se está fadada a perpetuá-la, num círculo vicioso, até um novo impulso autoritário, prussiano ou popular, se apresentar para dar conta do desafio. A resposta está na capacidade dos próximos governos em derrubar os dois grilhões básicos do atraso político brasileiro, que movem a rodaviva: a dependência econômica e a incompetência educacional — dois fatores associados à pobreza, mas que afetam também os estratos médios do país.
Tanto os conservadores quanto os progressistas sabem da perda de terreno do país nestes 26 anos de estagnação econômica e que nela os problemas nacionais não terão solução, mas ambos não parecem capazes de reunir as forças suficientes ou dispostos a afrontar as conveniências imediatistas para romper com a economia política das três refeições por dia — cuja fórmula se mostra eleitoralmente exitosa desde 1994.
Sem superar este problema-chave, é pura bazófia afirmar que a democracia é vitoriosa apenas porque nos propicia espetáculos eleitorais bienais. Qualquer sistema político só se estabiliza se for capaz de dar conta de suas “tarefas históricas”, ditadas por suas necessidades sociais. Entre nós, o sistema democrático depende do fim da roda-viva da desigualdade para alçar vôo estável, e a condição sine qua non para isso é uma significativa e sustentável aceleração do PIB com o resgate de nossas dívidas sociais.
Aliás, nossa democracia foi restabelecida, em 1984, em nome desta meta básica, mas acabou se acomodando aos pequenos avanços paliativo-incrementais estimulada por uma cidadania que perdeu a capacidade de pressionar por soluções radicais.
As elites virtuosas do país, conscientes desta terrível realidade, precisam se articular para desmontar a armadilha políticoeleitoral que nos enredou, antes que ela nos acabe conduzindo à terrível conclusão de que a democracia, tal como nos diziam os teóricos do autoritarismo instrumental, tem entre nós apenas o papel de legitimador da ordem dominante, e que, para progredirmos, precisamos de atalhos não tão belos mas mais eficazes, capazes de quebrar a inércia do já estabelecido.
Um passo nesta direção pode ser dado, agora, com a reforma política e novas regras para a criação de partidos disciplinadores e programáticos, que coíbam os apetites demagógico-patrimonialistas da classe política e dê alguma direção profícua à massa de eleitores.
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segunda-feira, março 21, 2011
Petição pede libertação de presos durante discurso de Obama no Rio
Petição pública aberta pelo PSTU e apoiada pelo senador Lindberg Farias (PT), pelos deputados federais Chico Alencar (PSOL), Jean Wyllys (PSOL) e Stepan Nercessian (PPS), pelos deputados estaduais Janira Rocha (PSOL) e Marcelo Freixo (PSOL), e pelo ex-deputado federal Cyro Garcia (PSTU), pede a libertação imediata de 13 manifestantes presos durante a visita do presidente dos Estados Unidos ao Brasil, no último sábado, no Rio.
A petição pode ser lida e assinada no seguinte link: http://www.peticaopublica.com.br/?pi=PSTU .
Foram detidos os militantes Gilberto Silva (eletricista), Rafael Rossi (professor de estado, dirigente sindical do SEPE), Pâmela Rossi (professora do estado), Thiago Loureiro (estudante de Direito da UFRJ, funcionário do Sindjustiça), Yuri Proença da Costa (carteiro dos Correios), Gualberto Tinoco (servidor do estado e dirigente sindical do SEPE), Gabriela Proença da Costa (estudante de Artes da UERJ), Gabriel de Melo Souza Paulo (estudante de Letras da UFRJ, DCE UFRJ), José Eduardo Braunschweiger (advogado), Andriev Martins Santos (estudante UFF), João Paulo (estudante Colégio Pedro II), Vagner Vasconcelos (Movimento MV Brasil) e Maria de Lurdes Pereira da Silva (doméstica).
Para os organizadores da Petição, que será encaminhada órgãos dos governos federal e estadual, "a existência de presos políticos é um claro atentado contra as liberdades democráticas no país".
"Em inquérito sumário e célere, 12 pessoas foram acusadas de atirarem 'artefato incendiário' e 'causar lesões corporais' em funcionário do Consulado norte-americano no Rio e se encontram encarcerados. Os homens, inclusive, já tiveram suas cabeças raspadas! Desafiamos as autoridades policiais do Rio de Janeiro e também o próprio Consulado estadunidense a provar o envolvimento de qualquer dos detidos no ato de vandalismo", protestaram.
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quinta-feira, março 03, 2011
Prestenção ô abestado!
O deputado federal Tiririca (PR-SP) participou ontem da sua primeira reunião na Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal. Ele anda fazendo sucesso na Casa: informalmente, está sendo chamada de "Lei Tiririca" a proposta que, na Reforma Política, inibiria a escolha, por partidos políticos, de inusitados puxadores de legenda nas eleições legislativas.
Foto: Wilson Dias / ABr
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quinta-feira, dezembro 02, 2010
Eleitor usa mais internet que impressos para se informar sobre política e eleições
Pesquisa do instituto Sensus, encomendada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral), revela que a internet é mais procurada do que jornais impressos por eleitores que querem ser informados sobre política e eleições. A rede obteve 9,9% das citações dos entrevistados, superando os jornais impressos, lembrados por 6,4%.
Mas a grande influência ainda vem da televisão. O veículo foi citado por 56,6% dos entrevistados como referência para obter informações sobre política e eleições. Em seguida veio "conversa com amigos, colegas de trabalho e parentes", com 18,4%. O rádio aparece com 4,2%. Revista obteve 0,7% das citações.
Sobre a frequencia da audiência de TV, 79,6% disseram sempre assistir a TV Globo, que foi seguida por Record (60,4%), SBT: 37,8% e Band (25,6%).
A pesquisa também perguntou qual fonte de informação o eleitor utilizou para decidir o voto no segundo turno. A maioria, 44,2%, afirmou que já estava decidido. Outros 18,8% disseram que se decidiram por meio de debates no rádio e na TV. Leitura de jornais ficou com 1,7%, empatado com internet, e atrás de Programas eleitorais (15,5%), Opinião de amigos, colegas de trabalho e parentes (6,2%) e programas dos candidatos no rádio (3,0%).
Foram realizadas 2.000 Entrevistas, em cinco regiões e 24 estados, com o sorteio aleatório de 136 municípios. As entrevistas foram feitas entre os dias 7 e 10 de novembro passado.
Veja abaixo os quadros com mais dados acerca da relação entre o eleitor e a imprensa. O relatório completo da pesquisa está disponível aqui.
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terça-feira, novembro 30, 2010
Rede Blog atenta para acordão na Câmara
Do Blog do Cléber Tinoco:
"É duro ouvir que um acordo foi firmado para aprovar as contas de Mocaiber e Henriques, mas a população certamente se lembrará nas próximas eleições se os ex-prefeitos de fato tiverem suas contas aprovadas. A rede blog está atenta e contribuirá para que este fato não seja esquecido".
Veja o parecer do TCE no post original.
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quinta-feira, novembro 18, 2010
Sem internet não haveria segundo turno, diz Caio Túlio
Papel da internet nas eleições foi subestimada pela mídia
Lia Segre / Do Observatório do Direito à Comunicação
Especialistas em internet que estiveram à frente das campanhas presidenciais mais votadas acreditam que a internet foi essencial para o desenrolar das eleições. Sem ela não teria acontecido segundo turno, acredita Caio Túlio Costa, jornalista, consultor de novas mídias e coordenador de campanha de Marina Silva (PV). A internet possibilitou a criação de novo polo formador de opinião, Marcelo Branco, ativista pela liberdade do conhecimento – como se define - e coordenador da campanha de Dilma Roussef (PT) nas mídias sociais. “Pela primeira vez temos um terceiro bloco formador de opinião. Os blocos tradicionais sempre foram os partidos e candidatos, e do outro lado a imprensa. Eles formavam a impressão do leitor”, contou no 4º Seminário Internacional de Jornalismo Online (MediaOn), que aconteceu dias 9, 10 e 11 na capital paulista. Também participou da mesa a coordenadora da campanha online de José Serra (PSDB), ex-vereadora da cidade Soninha Francine.
Caio Túlio acredita que foi a internet que fez Marina Silva atingir 20 milhões de votos – algo que apontou como inédito no país em se tratando de um 3º colocado no pleito. Inicialmente com um desconhecimento de 60% por parte dos eleitores e com apenas 1 min e 23 s na TV contra 12 min de Dilma e 9 min de Serra, montaram estratégia eficiente na internet, com uso intenso de redes sociais dividida em 12 frentes como Blog, Twitter, sistema de arrecadação online entre outros. Esse trabalho levaou a condidatura a arrecadar 170 mil reais, doados por 2 mil pessoas, em 58 dos 242 dias que duraram sua campanha na internet. Caio segmentou os eleitores por rede social: “no Orkut a gente falava com os evangélicos, Facebook falávamos com classe média intelecutalizada, no twitter falamos com vanguarda da internet”.
Marcelo, coordenador de mídias sociais da campanha petista, acredita que a internet dá possibilidade aos eleitores se expressarem pelas redes sociais, “ possibilidade que milhões de pessoas tenham sua expressão e postem isso na internet”, e passaram a influenciar os candidatos. Soninha mencionou que a propaganda eleitoral tem apenas dez minutos, que um panfleto de debates televisivos não conseguem aprofundar temas tanto quanto a internet, onde se pode oferecer mais conteúdo. Para Marcelo, tratou-se de democratização da campanha, ainda que a base social de apoio ao governo do PT sejam os desconectados.
Ao contrário do candidato José Serra, que Marcelo acredita ter tido o apoio da mídia de massas em vozes como as de Reinaldo Azevedo e Ricardo Noblat, na campanha de Dilma as redes sociais pautaram a “mass media”, e não a mídia pautou as redes, como acontecia com o adversário.
Citou como os melhores momentos da campanha online o caso da publicidade da Globo que fazia apologia ao slogan do candidato tucano “O Brasil pode mais”, e quando Lula foi entrevistado no Jornal Nacional. Esses fatos que a princípio pareciam negativos para a campanha, ajudaram quando a emissora se desculpou por insinuar preferência. A capa da Época que “pretendia ser negativa acabou sendo positiva”, e virou material de campanha em camisetas e canecas. Marcelo também lembrou a repercussão no Twitter do “Dilma facts by folha” e o “bola de papel facts”, que ficou pouco mais de um dia no Twitter mundial.
Uma das principais características da campanha que o PT fez online contou com engajamento de militantes ou simpatizantes em blogs e redes sociais diversas. Para Soninha, que controlava o conteúdo do site da campanha tucana ao plantalto, a internet permite o engajamento voluntário, um aspecto da campanha que faz diferença pois “é cada vez é mais dificil as pessoas fazerem campanha de graça”. Na campanha de Serra, doação por internet não foi substancial. A coordenadora esperava pouco da internet, mas se empolgou ao longo da campanha com o feedback de militantes online inesperados, como donas de casa e idosos.
Campanha online
“Visitamos os estados, consultamos sete mil pessoas, conhecemos pessoas que seriam motores da campanha da Dilma na internet”, explica Marcelo, contratado em abril. Foi essa experiência que o permitiu conhecer a base social que daria sustentação para a campanha, que define como descentralizada e feita principalmente por voluntários, acrescenta.
Marcelo acredita que campanha na internet é diferente, e a construção do coletivo tem que se dar de forma colaborativa. “O que funciona na rede é imprevisivel ainda. Temos que aproveitar qualidade da contrução colaborativa. Não centramos a campanha no dilma.com.br, e blog”. Foram milhares de ativistas e blogueiros que se somaram à campanha oficial - “a melhor cobertura não foi feita por nós, foi feita pelos outros”. Considera a melhor atuação a feita na blogosfera, e a pior no Facebook.
A campanha de Serra, assim como a de Dilma, separava internet de outras mídias. “A nossa configuração de internet era diferente. A gente não tinha coordenador de mídias sociais, eu era responsável pelo site oficial”, afirmou a ex-vereadora que se integrou a campanha em julho. A data avançada impediu a equipe de ter um formato definido para tocar a rede desde o começo, afirmou.
“O que imaginamos de internauta tipico se mostrou uma minoria na campanha”, disse Soninha. Ela se surpreendeu por mensagens com sugestões, críticas à campanha, e elogios de pessoas inesperadas, como “agricultores do interior do Espírito Santo”, idosos, donas de casa. Para ela, o site e a rede acabaram por ser não só oferta de conteúdo, mas ponto de encontro para militantes dos perfis mais diversificados, cujo encontro físico jamais se daria.
Ameaça
O fórum mais democrático da internet, onde a construção de conteúdo é colaborativa e as pessoas podem se expressar com certa amplitude está ameaçado pela tramitação do Projeto de Lei (PL) 84/99, do senador Eduardo Azeredo (PSDB), lembrou Marcelo e Caio durante o debate do MediaOn. O PL se caracteriza por criminalizar ações da internet como download e compartilhamento de mp3, entre outros.
“Internet é sempre criminalizada”, afirmou Marcelo quanto à pergunta sobre baixaria nas eleições. “Não foi na internet, foi nas campanhas políticas”. O coordenador da campanha digital petista afirmou a baixaria se deu com acusações falsas, fraudes e declarações suspeitas, que apenas foram reproduzidas na internet e ganharam uma repercussão diferente.
Marcelo e Caio foram a favor de um pacto, no próprio ato do debate, de combate à lei de cibercrimes. “Não passarão”, disse um e repetiu o outro. Soninha não se manifestou.
16/11/2010
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sexta-feira, novembro 05, 2010
quinta-feira, novembro 04, 2010
No rastro dos pais: Clarissa diz que sonha com o Executivo
"Sim, gostaria de um cargo no Executivo. Um dia fui à casa de uma senhora, o marido era cego, num lugar muito humilde, e ela disse que votaria em mim para que eu melhorasse as coisas por lá. Expliquei que um vereador não tem esse poder. Fui para casa e comecei a chorar. Essas coisas que me fazem querer um dia ocupar um cargo no Executivo: o poder de realização é maior", afirmou.
Na entrevista, a vereadora também fala sobre as gestões dos pais Garotinho e Rosinha no governo do estado, sobre o modo como entrou na política, e sobre seus bonecos de pelúcia.
[Clarissa na tribuna da Câmara do Rio - Foto: Divulgação]
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quinta-feira, outubro 28, 2010
Política e Religião não se discute
Nunca antes na história desse país, os discursos com conteúdo religioso foram tão presentes em uma eleição para presidente. Graças a ignorância e a velocidade da internet, os candidatos foram obrigados a realizar verdadeiras profissões de fé para conseguir alguns votos e reverter boatos lastimáveis. Esta eleição transformou evangélicos sensatos em fanáticos religiosos e deu voz a falsos moralistas que agora abominam tudo o que é imoral, ilegal ou engorda.
Em 1989, era comum ouvir nas rodas do Boulevard , em Campos, bate papos sobre "Lula comunista" ou o cara que queria transformar o Brasil em Cuba. Hoje, a petista Dilma Rousseff tem de se explicar várias vezes sobre sua opinião sobre o aborto, fazer reuniões com líderes religiosos e assinar cartas de compromisso para evangélicos e católicos. José Serra, que se valeu da disseminação da boataria, peregrina por todas as igrejas, lê a Bíblia no horário eleitoral e colocou uma citação bíblica no seu santinho de campanha.
Tudo começou porque alguém - na internet - disse que Dilma era o capeta de saia. Era a favor do aborto, era sapatão e que ia legalizar de vez o casamento homossexual. Só faltou dizer que Dilma fumava e ia legalizar a maconha. Bastou uma brasa para que as bancadas de políticos evangélicos, todos ligados ao PSDB, transformassem tudo em um incêndio. Em uma movimentação jamais vista, e numa aliança histórica, católicos e protestantes estavam unindo forças, sem saber porquê, e sem saber por quem. Assim como árabes suicidas, se atiraram como homens bomba numa guerra santa, lutando pela moral e pelos bons costumes e por um Brasil melhor e mais santo. Dilma era o demônio encarnado, a personificação de Satã e Marina, a santa redentora. Como Marina não teve chance, agora Serra é o santo redentor da vez, o cavaleiro andante que vai impedir satanás de tomar o Brasil.
Vídeos como os de Silas Malafaia e Paschoal Piragini Júnior foram acessados por milhões de internautas e ainda foram exibidos em igrejas. Inicialmente, o tema tinha se limitado a uma carta intitulada “Apelo a Todos os Brasileiros e Brasileiras”, divulgada pela CNBB e que pedia para não se votar em candidatos do PT por ser a favor da “descriminalização do aborto”. Para os petistas, o estrago foi grande. Pesquisas apontaram que 25% dos eleitores que desistiram de votar em Dilma no primeiro turno apontaram razões religiosas.
A queda entre os evangélicos perdurou no segundo turno: é o único segmento religioso em que José Serra vence segundo o instituto de pesquisa. A petista vence entre católicos, espíritas e os que não têm religião. A mudança é explicada em parte porque o público majoritário das igrejas evangélicas tem o mesmo perfil dos eleitorais que mais tardam a definir seu voto: as mulheres de baixa renda. Em geral, o único espaço público de debate frequentado por essa parte do eleitorado é o templo, por isso a palavra do pastor ganha força.
Por isso os discursos do segundo turno são baseados em pelo menos três premissas: “a família brasileira” (em referência ao casamento gay), “respeito à vida” (contra o aborto) e liberdade de religião (não criminalizar os religiosos contrários à homossexualidade).
A onda de conservadorismo que tomou o país hoje, poderia muito bem ter aparecido em eleições anteriores, como as vencidas por Fernando Henrique Cardoso, e Fernando Collor de Melo. Nesse debate sem sentido e muito pouco produtivo, estão esquecendo de questões cruciais que os candidatos nem tem tempo de externar, pois são obrigados a responder acusações de fanáticos religiosos e militantes travestidos de puritanos. A maioria, os fiéis usados para distribuir santinhos em nome de Deus, ainda não se deram conta de que se transformaram em massa de manobra de políticos interessados em lucrar com a volta do PSDB.
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Cassio Peixoto
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sexta-feira, outubro 01, 2010
Por que as cidades aparecem pouco nos discursos dos presidenciáveis?
Não sei se o leitor haverá de concordar comigo. Mas não parece que, em debates presidenciais como o que acaba de ser realizado, os discursos dos candidatos ficam distantes do dia-a-dia da população? É claro que grandes temas são tratados, e é fundamental que o sejam, mas justamente por serem tão grandes podem parecer abstratos.
Não sei como não ocorreu a nenhum marqueteiro algo certamente populista e rasteiro, mas que, na falta de escrúpulo da política real, poderia dar resultado eleitoral prático: citar, ao menos, os nomes das cinquenta maiores cidades brasileiras.
Claro que isso não se daria de modo mecânico. Mas, de forma contextualizada e sem parecer artificial, a cada resposta, os temas poderiam ser trazidos para próximo das pessoas por meio da citação de cidades relativamente conhecidas que, na maioria dos casos, não será a do eleitor, mas provavelmente estará muito próxima dele.
Imagine a repercussão disso, por exemplo, nas imprensas regionais. Se qualquer um dos quatro participantes do debate presidencial de hoje tivesse citado, ainda como exemplo, Campos dos Goytacazes, não há dúvida de que obrigatoriamente estaria nas manchetes de "O Diário" e da "Folha da Manhã" de amanhã, além de contar com repercussão agora mesmo na internet local.
O mesmo ocorreria com Feira de Santana (BA), Caxias do Sul (RS), Jaboatão dos Guararapes (PE), Mossoró (RN), Montes Claros (MG), Bauru (SP), citadas aqui ao acaso, entre tantas outras, mas que em um discurso estrategicamente preparado obedeceria a uma lógica por região, estado e população.
Se a equipe do candidato achar muito complicado ampliar tanto, já daria um bom resultado citar todas as capitais, com a vantagem de, com isso, referir-se de modo colateral a todo o estado da capital citada.
Pode parecer esquemático demais, mas são nas cidades que as pessoas vivem.
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segunda-feira, setembro 27, 2010
Estudantes montam morada em casa abandonada de Campos
Eles colocaram fogo no mato, limparam tudo, e se instalaram, com direito a faixa na grade anunciando a correta aplicação da função social da propriedade.
[Faixa na casa tomada por estudantes. Foto: Gustavo Rangel/Sociedade Blog]
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sábado, setembro 25, 2010
Declaração de voto
A uma semana das eleições, creio ter consolidado a convicção em torno das minhas escolhas de candidaturas. Eis a minha declaração de voto:
Presidente: Marina Silva
Governador: Fernando Gabeira
Senador 1: Milton Temer
Senador 2: Lindberg Farias
Deputado Federal: Sérgio Diniz
Deputado Estadual: Marcelo Freixo
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sexta-feira, setembro 17, 2010
Eleições para Prefeitura de Campos só em 2011
O Tribunal divulgou na noite de ontem a sua decisão, tomada em sessão administrativa. Uma resolução será editada para oficializar o impedimento.
Os ministros do TSE avaliam que no semestre onde há eleições gerais as urnas eletrônicas ficam comprometidas com o processo eleitoral do calendário tradicional. O presidente do Tribunal, Ricardo Lewandowski, lembrou que as urnas ficam à disposição de eventuais impugnações por 60 dias após as eleições.
Em Campos, esta decisão deve transformar a escolha de um novo prefeito ou prefeita em eleições indiretas, feitas apenas pela Câmara de Vereadores, já que terão se passado mais de 50% do mandado da prefeita eleita Rosinha Garotinho. Se fossem realizadas até 31 de dezembro, a eleição seria direta.
Uma mudança neste quadro se dará apenas se a prefeita afastada Rosinha Garotinho obtiver decisão judicial que garanta o seu retorno ao cargo.
[Sessão do TSE - Foto: Christophe Scianni/Ascom TSE]
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sexta-feira, setembro 10, 2010
Humoristas no poder: conheça a história do tiririca que deu certo na Islândia
A revista Piauí que está nas bancas traz matéria de Luciano Domingues Dutra sobre a eleição, para a prefeitura de Reykjavík, capítal da Islândia, do humorista Jón Gunnar Kristinsson (foto).
O tiririca do primeiro mundo prometeu algo semelhante ao seu congênere latino americano: "Quero arranjar um trabalho bem pago pra poder ajudar meus amigos e parentes. Também quero ter assessores e ganhar um monte de coisas de graça”.
Na falta de um partido, criou um, o Melhor Partido, que tinha como plataforma não ter plataforma: "A verdade é que não temos nenhuma plataforma partidária, mas fingimos ter uma”.
Resultado: "Em 29 de maio [...] venceu as eleições municipais com 20 666 votos, 34,7% do eleitorado. É como se o Macaco Tião tivesse chegado ao Palácio Guanabara, ou Cacareco ao Palácio dos Bandeirantes. Mais precisamente, é como se o seu Creysson tivesse sido eleito, e Claudio Manoel, a caráter, fosse investido do mandato", disse a Piauí.
E o governo vai bem, obrigado. Não poderia ser diferente depois das suas tranquilizadoras palavras no discurso de posse:
“Ninguém deve ficar assustado com o Melhor Partido [...], porque ele é o melhor partido. Se não fosse, seria chamado de Pior Partido, ou Partido Ruim. Nós nunca trabalharíamos para um partido assim [...]. E pior não fica”.
Leia aqui a íntegra da matéria.
[Foto: Reprodução]
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terça-feira, agosto 24, 2010
Garotinho diz que condenação é "mais uma perseguição"
O ex-governador Anthony Garotinho comentou há pouco em seu blog a sua condenação por formação de quadrilha, entre outros supostos crimes, junto ao ex-secretário de Segurança Pública, Álvaro Lins, e oito policiais. Confira a nota de Garotinho:
"Mais uma perseguição
A decisão da 4ª Vara Federal evidencia mais um capítulo da perseguição covarde dirigida não só a mim, mas a toda minha família. É de se estranhar o fato de ela ser anunciada justamente no período eleitoral, a 41 dias das eleições no país, e justamente quando todas as pesquisas de intenção de voto apontam meu nome como o deputado federal mais votado do Rio de Janeiro. Enganam-se aqueles que acham tratar-se de uma mera coincidência. Além da afirmação do Ministério Público Federal de que eu sabia das supostas atividades do ex-chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins, não há, nos autos, rigorosamente, nenhuma acusação ou prova formais contra mim.
Evidente que vou recorrer com todos os instrumentos jurídicos que a lei disponibiliza, por se tratar de uma decisão absurda, sem amparo legal, e com a qual não me conformo. Quando um grupo se une para a formação de quadrilha, busca obter algum tipo de benefício. A pergunta que se impõe neste momento é: qual a vantagem obtida por mim?
Uma rápida leitura da minha trajetória política e pessoal demonstra que não sou homem de me abater. Tampouco acumulei bens, apesar de ter sido prefeito de Campos em duas ocasiões, deputado estadual, secretário de estado duas vezes e governador do segundo estado da Federação. Reafirmo que essa decisão em 1ª instância, justamente quando me encontro em campanha pelo Sul Fluminense, em nada irá alterar minha disposição de disputar uma vaga à Câmara dos Deputados, no próximo dia 3 de outubro.
Anthony Garotinho
Em tempo: A decisão da 4ª Vara Federal não impede a minha candidatura."
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Garotinho é condenado por formação de quadrilha
Do JB Online, aqui
RIO - A 4º Vara Federal do Rio condenou nesta terça-feira, dia 24, em processo, o ex-governador Anthony Garotinho, o ex-chefe de Polícia Civil do Rio e ex-deputado Álvaro Lins e mais oito envolvidos por formação de quadrilha, corrupção e lavagens de bens. A denúncia foi proposta pelo MPF em 2008 e a condenação deles chega a 28 anos de prisão. A investigação foi realizada pela pelo MPF e pela Polícia Federal em uma ação nomeada como “Operação Gladiador”.
A Operação Gladiador desencadeou da apuração da quebra de sigilo fiscal de Álvaro Lins e de documentos colhidos pela PF. Nela, a justiça atestou contra os condenados a prática de contrabando (a exploração de caça-níqueis pelo grupo de Rogério Andrade não era reprimida) e a corrupção ativa e passiva. A Justiça condenou ainda os policiais civis Alcides Campos Sodré Ferreira, Daniel Goulart, Fábio Menezes de Leão, Mario Franklin Leite de Carvalho e Ricardo Hallak, entre outras pessoas. A pena dos policiais varia de dois anos de reclusão (Daniel Goulart) a 11 anos e três meses de prisão (Mario Franklin Carvalho). Todos os réus envolvidos podem apelar a decisão em liberdade.
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