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terça-feira, fevereiro 08, 2011

TV Cultura demite 150 funcionários

Da Agência CUT


A Fundação Padre Anchieta de São Paulo, gestora da TV Cultura, anunciou nesta segunda-feira (dia 7) a demissão de 150 funcionários. São jornalistas e técnicos da rádio e televisão, que foram incluídos no “pacote” de desmonte da única emissora pública vinculada ao governo de São Paulo.

Entre os demitidos não figuram os trabalhadores da TV Assembleia, que já assinaram aviso prévio na semana passada, mas que serão absorvidos pela Fundação para o Desenvolvimento das Artes e Comunicações (Fundac). Dez do total de afastados são jornalistas, que fazem parte das redações da TV e Rádio e da Assessoria de Imprensa da emissora.

Segundo o departamento de Recursos Humanos da emissora, os trabalhadores demitidos receberão todos os direitos trabalhistas e lhes será garantido ainda 3 meses de assistência médica e vales-refeição.

O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, José Augusto Camargo (Guto), que no ano passado esteve reunido com o presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, diz que o Sindicato se empenhará para estancar as demissões, além de estar atento para que todos os direitos trabalhistas sejam garantidos. “Para isso, formatamos uma campanha junto com outras entidades, a “Salve a Rádio e TV Cultura” com o intuito de denunciar o desmonte da única emissora pública do povo de São Paulo. A campanha tente a ser retomada com força”, diz.

O projeto da atual gestão da Fundação Padre Anchieta, ligada diretamente ao governo de São Paulo, é reduzir o quadro de funcionários e efetuar corte de verbas em algumas de suas produções. Com isso, pretendem economizar cerca de R$ 9 milhões em relação a 2010 às custas dos empregos. O orçamento de 2011 é menor do que o de 2010 - R$ 221,05 milhões, contra 230 milhões de do ano passado.

sexta-feira, outubro 01, 2010

Jornalistas do estado do Rio têm reajuste de 6% retroativo a 1º de julho

Do Sindicato dos Jornalistas do Estado do RJ

O presidente do Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas do Estado do Rio de Janeiro (SINDJORE), Oscar Pires, confirmou no dia 1º de outubro reajuste salarial de 6% para a categoria dos jornalistas fluminenses, proposto pelo Sindicato RJ na pauta de reivindicações apresentada ao patronal para ter vigência de 1º julho de 2010, data-base da categoria no Estado do Rio, a 30 de junho de 2011.

O próprio SINDJORE já está confirmando o percentual de reajuste aos jornais e revistas quando consultado pelos setores de recursos humanos dos periódicos que compõem o patronal. Também o Sindicato RJ vem fazendo a confirmação, antes mesmo que a Convenção Coletiva 2010/2011 esteja assinada. O documento deverá ser firmado por ambos os sindicatos nos próximos dias.

Com o  percentual de reajuste de 6% sobre os salários que vigoravam até 30 de junho deste ano, o Sindicato RJ conseguiu aprovar o maior índice do País nas negociações salariais de 2010. Os repórtes-fotográficos também tiveram reajuste no valor que recebem quando utilizam seu próprios equipamentos a serviço das empresas. A Convenção Coletiva que está para ser assinada apresenta ainda mais cláusulas inéditas, como cláusula de consciência e  outra relativa à questão do assédio moral.

 Após ser assinada, a CCT 2010/2011 será disponibilizada em formato PDF no site, link “Convenção Jornais”, que no momento apresenta a Convenção que vigorava até antes da data-base.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Sobrecarga de trabalho deixa jornalista cada vez mais doente



Por Elaine Tavares*  /  Do site do Sindicato dos Jornalistas do RJ 

O psicólogo Roberto Heloani, professor e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas, levantou um perfil devastador sobre como vivem os jornalistas e por que adoecem. O trabalho ouviu dezenas de profissionais dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, a partir do método de pesquisa quantitativo e qualitativo, envolvendo profissionais de rádio, TV, impresso e assessorias de imprensa.

Um dado interessante da pesquisa é que a maioria do pessoal que trabalha no jornalismo é formada por mulheres e, entre elas, a maioria é solteira, pelo simples fato de que é muito difícil encontrar um parceiro que consiga compreender o ritmo e os horários da profissão. Nesse caso, a solidão e a frustração acerca de uma relação amorosa bem sucedida também viram foco de doença.

Heloani percebeu que as empresas de comunicação atualmente tendem a contratar pessoas mais jovens, provocando uma guerra entre gerações dentro das empresas. Como os mais velhos não tem mais saúde para acompanhar o ritmo frenético imposto pelo capital, os patrões apostam nos jovens, que ainda tem saúde e são completamente despolitizados. Porque estão começando e querem mostrar trabalho, eles aceitam tudo e, de quebra, não gostam de política ou sindicato, o que provoca o enfraquecimento da entidade de luta dos trabalhadores. “Os patrões adoram, porque eles não dão trabalho”.

Experiência comprometida
Outro elemento importante desta “jovialização” da profissão é o desaparecimento gradual do jornalismo investigativo. Como os jornalistas são muito jovens, eles não têm toda uma bagagem de conhecimento e experiência para adentrar por estas veredas. Isso aparece também no fato de que a procura por universidades tradicionais caiu muito. USP, Metodista ou Cásper Líbero (no caso de São Paulo) perdem feio para as “uni”, que são as dezenas de faculdades privadas que assomam pelo país afora.

“É uma formação muitas vezes sem qualidade, o que aumenta a falta de senso crítico do jornalista e o torna mais propenso a ser manipulado”. Assim, os jovens vão chegando, criando aversão pelos “velhos”, fazendo mil e uma funções e afundando a profissão.Um exemplo disso é o aumento da multifunção entre os jornalistas mais novos. Eles acabam naturalizando a idéia de que podem fazer tudo, filmar, dirigir, iluminar, escrever, editar, blogar etc.

Danos físicos e mentais
A jornada de trabalho, que pela lei seria de 5 horas, nos dois estados pesquisados não é menos que 12 horas. Há um excesso vertiginoso. Para os mais velhos, além da cobrança diária por “atualização e flexibilidade” há sempre o estresse gerado pelo medo de perder o emprego. Conforme a pesquisa, os jornalistas estão sempre envolvidos com uma espécie de “plano B”, o que pode causar muitos danos a saúde física e mental. Não é sem razão que a maioria dos entrevistados não ultrapasse a barreira dos 20 anos na profissão. “Eles fatalmente adoecem, não agüentam”.

O assédio moral que toda essa situação causa não é pouca coisa. Colocados diante da agilidade dos novos tempos, da necessidade da multifunção, de fazer milhares de cursos, de realizar tantas funções, as pessoas reprimem emoções demais, que acabam explodindo no corpo. “Se há uma profissão que abraçou mesmo essa idéia de multifunção foi o jornalismo. E aí, o colega vira adversário. A redação vive uma espécie de terrorismo às avessas”.

Dependência química
Conforme Heloani, esta estratégia patronal de exigir que todos saibam um pouco de tudo nada mais é do que a proposta bem clara de que todos são absolutamente substituíveis. A partir daí o profissional vive um medo constante, se qualquer um pode fazer o que ele faz, ele pode ser demitido a qualquer momento. “Por isso os problemas de ordem cardiovascular são muito frequentes. Hoje, Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs) e o fenômeno da morte súbita começam a aparecer de forma assustadora, além da sistemática dependência química”.

O trabalho realizado por Roberto Heloani verificou que nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro mais de 90% dos jornalistas já não têm carteira assinada ou contrato. Isso é outra fonte de estresse. Não bastasse a insegurança laboral, o trabalhador ainda é deixado sozinho em situações de risco nas investigações e até na questão judicial. Premidos por toda essa gama de dificuldades os jornalistas não têm tempo para a família, não conseguem ler, não se dedicam ao lazer, não fazem atividades físicas, não ficam com os filhos. Com este cenário, a doença é conseqüência natural.

Síndrome do pânico
O jornalista ganha muito mal, vive submetido a um ambiente competitivo ao extremo, diante de uma cotidiana falta de estrutura e ainda precisa se equilibrar na corda bamba das relações de poder dos veículos. No mais das vezes estes trabalhadores não têm vida pessoal e toda a sua interação social só se realiza no trabalho.

Segundo Heloani, 80% dos profissionais pesquisados têm estresse e 24,4% estão na fase da exaustão, o que significa que de cada quatro jornalistas, um está prestes a ter de ser internado num hospital por conta da carga emocional e física causada pelo trabalho. Doenças como síndrome do pânico, angústia, depressão são recorrentes e há os que até pensam em suicídio para fugir desta tortura, situação mais comum entre os homens.

O resultado deste quadro aterrador, ao ser apresentado aos jornalistas, levou a uma conclusão óbvia. As saídas que os jornalistas encontram para enfrentar seus terrores já não podem mais ser individuais. Elas não dão conta, são insuficientes. Para Heloani, mesmo entre os jovens, que se acham indestrutíveis, já se pode notar uma mudança de comportamento na medida em que também vão adoecendo por conta das pressões. “As saídas coletivas são as únicas que podem ter alguma eficácia”, diz Roberto.

Pressão e sobrecarga
Apesar de a amostragem da pesquisa envolver apenas dois estados brasileiros, o relato imediatamente foi assumido pelos delegados ao Congresso de Santa Catarina – que aconteceu de 23 a 25 de julho – evidenciando assim que esta é uma situação que se expressa em todo o país.

Quanto à solução das saídas coletivas, o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, Rubens Lunge, não tem dúvidas. “É só amparado pelo sindicato, em ações coletivas, que os jornalistas encontrarão forças para mudar esse quadro”. Rubens conta da emoção vivida por uma jornalista na cidade de Sombrio, no interior do estado, quando, depois de várias denúncias sobre sobrecarga de trabalho, ele apareceu para verificar. “Ela chorava e dizia, `não acredito que o sindicato veio´. Pois o sindicato foi e sempre irá, porque só juntos podemos mudar tudo isso”.

Rubens anda lembra dos famosos pescoções, praticados por jornais de Santa Catarina, que levam os trabalhadores a se internarem nas empresas por quase dois dias, sem poder ver os filhos, submetidos à pressão, sem dormir. “Isso sem contar as fraudes, como a do Diário do Oeste, em Concórdia, que não tem qualquer empregado. Todos foram transformados em sócios cotistas. Assim, ou se matam de trabalhar, ou não recebem um tostão”.

Realidade nacional
Segundo Heloani, a mídia é um setor que transforma o imaginário popular, cria mitos e consolida inverdades. Uma delas diz respeito à própria visão do que seja o jornalista. Quem vê a televisão, por exemplo, pode criar a imagem deformada de que a vida do jornalista é de puro glamour.

A pesquisa de Roberto tira o véu que encobre essa realidade e revela um drama digno de Shakespeare. Nela, fica claro que assim como a mais absoluta maioria é completamente apaixonada pelo que faz, ao mesmo tempo está em sofrimento pelo que faz, o que na prática quer dizer que, amando o jornalismo eles não se sentem fazendo esse jornalismo que amam, sendo obrigados a realizarem outra coisa, a qual odeiam. Daí a doença!

A pesquisa de Roberto Heloani é um retrato vivo, chaga aberta, de uma realidade nacional. Os jornalistas espelhados aqui têm uma única opção: lutar de forma conjunta, unificados e dentro dos sindicatos. As derrotas vividas com a decisão do STF fragilizam e consomem ainda mais os profissionais, mas a história humana está aí para mostrar que só a luta muda as coisas. Saídas individuais podem servir a um ou outro, mas quando uma categoria luta junto, ela vence! Assim é!

* Jornalista

segunda-feira, julho 19, 2010

Norte Fluminense terá urna nas eleições da Fenaj

Do Sindicato dos Jornalistas do Estado do RJ

As eleições da Fenaj – marcadas para os dias 27, 28 e 29 próximos – terão urnas itinerantes em quatro regiões do Estado. O critério adotado pela Comissão Eleitoral Local foi contemplar as áreas com maior concentração de jornalistas sindicalizados. Assim, haverá urnas na Baixada Fluminense, Região dos Lagos, Sul e Norte Fluminenses. Essas urnas ficarão apenas um dia em cada região. Já a urna fixa, que será instalada na sede do Sindicato, em Niterói, estará à disposição dos associados durante os três dias do pleito.

Duas chapas concorrem às eleições: Chapa 1 – Virar o jogo: em defesa do Jornalismo e do jornalista – e Chapa 2 – Luta Fenaj -, encabeçadas, respectivamente, por Celso Schröder (Rio Grande do Sul) e Pedro Pomar (São Paulo). Para acompanhar os trabalhos da Comissão Eleitoral, as chapas indicaram seus representantes: Sônia Regina Gomes, pela Chapa 1, e Continentino Porto, pela Chapa 2.

Todos os jornalistas sindicalizados poderão votar, desde que comprovem o pagamento das mensalidades até junho último e tenham mais de três meses de filiação. Associados aposentados e desempregados também têm direito a voto, desde que comprovem a sua situação.

A Comissão Eleitoral Local comunicou à Comissão Eleitoral Nacional que, até o presente momento, existem 322 associados em condições de voto, sendo 282 sindicalizados em dia e 40 aposentados. Associados inadimplentes ainda podem regularizar a sua situação junto à entidade sindical, para ter direito de votar. Atualmente, o Sindicato do Estado possui 777 associados.

Nos próximos dias, a Comissão Eleitoral Local se reunirá com os representantes das chapas para definir horário, roteiro de urnas e a apuração dos votos.

A Comissão Eleitoral do Estado é formada por Adilson Guimarães, Fernando Paulino e Salomão Santana, diretores do Sindicato dos Jornalistas do Estado.

quinta-feira, julho 15, 2010

Sindicato dos Jornalistas do Rio fará manifestação em frente ao JB

Do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio

Na quarta-feira dia 21, ao meio-dia, o Sindicato dos Jornalistas vai fazer uma manifestação em frente à atual sede do Jornal do Brasil - Avenida Paulo de Frontin 568 -, no Rio Comprido, para tentar evitar o fechamento daquele que já foi um dos mais importantes jornais da imprensa brasileira. Sabemos que o Jornal do Brasil de hoje nada tem a ver com aquele jornal que durante mais de um século escreveu boa parte da história do nosso país. Um jornal que ousou, que foi cantado pelos tropicalistas e acima de tudo não seguiu à risca a cartilha da ditadura militar, como outros jornais fizeram.

Mesmo assim, a notícia de que o Jornal do Brasil vai deixar de circular é um golpe para toda uma geração de jornalistas que lá trabalharam ou simplesmente foram seus leitores. O dono da marca, Nelson Tanure, que arrendou o jornal em 2001, anunciou esta semana que o JB passará a ter apenas uma versão na internet. Ele alega que tentou vender o jornal mas não encontrou compradores. Mas e o direito dos funcionários, como fica?

A manifestação do Sindicato pretende também alertar as autoridades da área do Trabalho para que não deixem acontecer com os empregados da empresa o mesmo que aconteceu com os ex-funcionários da TV Manchete e Bloch Editores. Muitos morreram sem receber seus direitos trabalhistas. O JB tem hoje 180 empregados, entre os quais 60 jornalistas. Qual será o futuro deles? Quantos serão reaproveitados na versão online? E o passivo trabalhista? É bom lembrar que muitos ex-funcionários estão na Justiça lutando por direitos que não foram respeitados.

A presidente do Sindicato dos Jornalistas, Suzana Blass, está tentando marcar um encontro com Tanure. O objetivo, diz Suzana, é garantir uma empregabilidade mínima e os pagamentos da rescisão. Portanto, não se esqueça: quarta-feira dia 21 ao meio-dia, em frente ao Jornal do Brasil, na Avenida Paulo de Frontin 568, no Rio Comprido.

segunda-feira, junho 21, 2010

Faça perguntas aos candidatos à presidência... da Fenaj

Da Fenaj
A eleição para a direção da FENAJ ocorre de 27 a 29 de julho. E com o objetivo de democratizar o debate sobre os desafios do movimento sindical dos jornalistas, o Entrevistas da FENAJ recebe, até o dia 6 de julho, questionamentos da categoria a serem respondidas pelos candidatos a presidente das chapas 1, Virar o Jogo: em defesa do Jornalismo e do jornalista, e 2, Luta FENAJ. As perguntas devem ser encaminhadas para o e-mail boletim@fenaj.org.br.

Esta edição especial do Entrevistas da FENAJ abre espaço para que os candidatos da chapa 1, Celso Schröder, e da chapa 2, Pedro Pomar, dialoguem com a categoria, expondo suas propostas e ideias. A entrevista visa esclarecer os jornalistas e estimular a mais ampla participação possível da categoria neste processo eleitoral.

Os interessados têm 
até às 18h do dia 6 de julho (terça-feira) para encaminhar suas contribuições para o e-mail boletim@fenaj.org.br, especificando, na linha de assunto, Entrevistas da FENAJ. Os questionamentos serão encaminhados para posicionamento dos dois candidatos. O boletim especial com as respostas dos dois candidatos será publicado na quinta-feira, 8 de julho.

quinta-feira, junho 10, 2010

Audiência pede pressa para aprovação da PEC dos Jornalistas

Do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio

Jornalistas e deputados defenderam a importância de agilizar os trabalhos da Comissão Especial que analisa a PEC dos Jornalistas, durante audiência pública realizada nesta quarta-feira (9) na Câmara dos Deputados. A audiência foi proposta pela Comissão Especial criada na Casa para analisar a matéria e elaborar um relatório que deve ser posto em votação daqui a um mês.

O relator da Comissão Especial, deputado Hugo Leal (PSC-RJ), marcou para o próximo dia 16 de junho uma visita à Associação Nacional dos Jornais (ANJ) para ouvir a presidente da entidade, Judith Brito. No dia seguinte está prevista a ida à Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio de Janeiro. Convidada para a audiência desta quarta-feira, Judith Brito não compareceu.

Da bancada do Rio de Janeiro, também participaram ativamente da audiência pública os deputados Chico Alencar (Psol) e Arolde de Oliveira. Entre os jornalistas que pariticiparam da audiência estava Suzana Blass, a presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro.

Degradação da profissão


O presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sergio Murillo de Andrade, fez duras críticas à decisão do STF, sob pressão dos empresários da área. Lembrou que o Ministério do Trabalho hoje não tem nenhum critério para a concessão do registro profissional de jornalista.

“Simbolicamente não foi a toa que o primeiro registro de jornalista foi justamente pedido por um patrão, o bispo Edir Macedo, proprietário da Rede Record de Televisão”, disse, para lembrar que sem regulamentação os patrões dos veículos de comunicação é que passaram a dizer quem deve ou não ser jornalista.

“Hoje não somos jornalistas, mas estamos jornalistas. Só é jornalista quem o patrão diz que é. Se perder o emprego, deixa de ser jornalista.” Informou ainda que após a decisão do STF contrária ao diploma quase 20 mil novos registros profissionais de jornalista já foram concedidos pelo Ministério do Trabalho no período de um ano.

”A porteira foi arrombada pela decisão do Supremo”, continuou. “É preciso que o Congresso dê um basta a essa degradação que tentam impor à profissão de jornalista. Daqui a pouco corremos o risco de ter 40, 50, 60 mil jornalistas no país, sem compromisso com a ética, a verdade e a qualidade de informação”, complementou.

Lembrou também que o Congresso Nacional já se posicionou favorável ao diploma para jornalista. “Há mais de 20 anos os constituintes de 1988 rejeitaram uma proposta apresentada pela Folha de S.Paulo que previa acabar com a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão”, disse.

Fuga do debate

Audálio Dantas lamentou “profundamente” a ausência da presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Judith Brito, que foi convidada com antecedência de pelo menos uma semana para participar da audiência pública. Na opinião de Audálio, os empresários no Brasil se recusam a debater todas as questões relacionadas com a comunicação.

Foi assim com a primeira Conferência Nacional de Comunicação, realizada em dezembro do ano passado. Somente duas entidades patronais com pouca representatividade participaram dos debates. As demais recusaram-se a comparecer. “Sempre que aparece uma questão referente à comunicação, levantam-se vozes em defesa do que chamam de ataque à liberdade de expressão”, criticou.

“A quem interessa a desregulamentação da profissão? Por que a exceção para a profissão de jornalista?”, perguntou e lembrou que a decisão do Supremo derrubou uma luta iniciada há mais de 100 anos. A Associação Brasileira de Imprensa, por meio do seu presidente, Gustavo de Lacerda, já propunha em 1908 a necessidade de criação de curso específico de Jornalismo para formar profissionais independentes preocupados com a qualidade da informação.

Liberdade de expressão


Na sua opinião, a desregulamentação serve para desmobilizar a categoria e criar jornalistas descompromissados com profissionais comprometidos com o trabalho sindical e principalmente com os acordos e as convenções que buscam melhorar as condições salariais e de trabalho a cada ano. “Estão contra o diploma os que querem aviltar o trabalho dos jornalistas e trazer para o mercado os que não têm compromisso com as lutas maiores da categoria.”

Outra crítica de Audálio Dantas se referiu à paralisação das atividades do Conselho Nacional de Comunicação, que foi instalado em seguida e chegou a funcionar durante um período, mas deixou de se reunir desde então. A formação do Conselho está previsto pela Constituição de 1988 e deve ser integrado por empresários de comunicação e representantes dos meios universitários, sindicatos e da sociedade civil.

Para provar que a obrigatoriedade do diploma não se relaciona com liberdade de expressão, a deputada Rebecca Garcia (PP-AM), vice-presidente da Comissão, disse que não é jornalista e nem por isso foi impedida de escrever artigos na imprensa. Por esse motivo, Audálio Dantas disse que o fato comprova que a obrigatoriedade do diploma não está relacionada com a liberdade de qualquer um poder se expressar nos meios de comunicação. “É uma falácia pensar o contrário.”

terça-feira, maio 04, 2010

Inscrições abertas para II Congresso Estadual dos Jornalistas

Programado para 28 e 29 de maio, em Cabo Frio (RJ), o II Congresso Estadual dos Jornalistas terá como tema “O Jornalismo a Serviço da Sociedade e a Defesa da Profissão”. O evento será na Universidade Veiga de Almeida (Estrada de Perynas, na entrada da cidade). Programação, inscrições e mais informações aqui.

segunda-feira, março 29, 2010

Prefeitura do NE oferece R$ 510 a jornalista

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Paraíba vai cobrar da Prefeitura de Cabedelo explicações sobre o edital, lançado semana passada, que prevê o pagamento de R$ 510,00 para profissionais da área. O concurso público "exige apenas ensino médio e registro no Ministério do Trabalho e Emprego. Os dois jornalistas selecionados deverão executar todas as atribuições de um assessor de imprensa, além de trabalhos datilográficos", informou o Comunique-se.

O presidente da entidade disse ao Portal que, embora considere um absurso o salário, não tem como interefeir na oferta, mas vai cobrar ao menos o cumprimento da carga horária de cinco horas, ainda garantidas por Lei. O piso sindical da categoria na Paraíba é de R$ 1.100,00.

segunda-feira, julho 13, 2009

Reunião de jornalistas em Macaé nesta terça

Jornalistas de Macaé têm reunião amanhã, às 19h, no teatro do Sindipetro-NF, para discutir a mobilização pelo diploma e a reorganização da Atracom (Associação dos Trabalhadores em Comunicação de Macaé). A categoria também organiza uma pré-conferência municipal de comunicação, para se somar aos debates da I Conferência Nacional de Comunicação, de 1 a 3 de dezembro.

quinta-feira, maio 28, 2009

Congresso de jornalistas em Domingos Martins

Estão abertas as inscrições para o 11 º Congresso de Jornalistas do Espírito Santo. A programação é formada por palestras de especialistas e pesquisadores, confraternização com coquetel dançante e show com Rodrigo Tristão e banda. O evento, que acontece de 5 a 7 de junho em Domingos Martins (ES), contará ainda com lançamento de livros e exposição de produtos típicos da região.

Inscrição para estudantes e jornalistas sindicalizados: R$ 200,00. Não-sindicalizados e observadores: R$ 250,00. O valor inclui a participação no congresso, coquetel, show, hospedagem e alimentação – dois cafés da manhã (sábado e domingo); dois almoços (sábado e domingo) e dois jantares (sexta e sábado) – na Pousada Eco da Floresta, em apartamento triplo.

Entre os expositores está o professor José Marques de Melo, que preside comissão formada pelo MEC que formula proposta sobre as novas diretrizes dos cursos de jornalismo. A programação completa está aqui. Mais informações também pelo telefone (27) 3225.1503.

domingo, abril 12, 2009

Faltou o contraponto

O caríssimo colega Celso Cordeiro, em artigo aqui no Monitor da última quinta-feira, manifestou sua opinião desfavorável à adoção de pontos eletrônicos para controle das horas trabalhadas por jornalistas nas grandes redações do Rio. Sua argumentação teve o mesmo espírito do manifestado por colunistas de O Globo e por Ruy Castro, na Folha de São Paulo – ele está bem acompanhado, portanto.

O argumento principal contra o ponto eletrônico é o de que jornalista não tem hora. É um profissional que vive da notícia e notícia não avisa quando vai acontecer e nem quanto tempo vai durar.

Outro aspecto lembrado é o de que a profissão de jornalista não combina com a burocracia do ponto eletrônico. Na Folha, Castro chegou a brincar com o fato de Danuza Leão ter se casado com jornalistas justamente porque estes chegam tarde em casa e sempre têm boas histórias para contar – ela foi casada com Antônio Maria, Samuel Wainer e Renato Machado. Sobre a sua crônica, publiquei nesta semana o artigo “Se eu fosse Ruy Castro”, no site Federação Nacional dos Jornalistas (http://www.fenaj.org.br/).

Mas tanto o nosso querido Celso Cordeiro quanto os colunistas de O Globo e Ruy Castro – a seção “Por dentro do Globo” também tratou do assunto –, se esqueceram de obedecer a uma regra tão tradicional no jornalismo quando a aversão à burocracia: ouvir o outro lado.

E há uma longa história antes da chegada do ponto. Tem a ver com toda a trajetória de profissionalização da atividade de jornalista, que garantiu mais independência e qualidade às redações. Mas no caso específico do Rio, trata-se de um assunto debatido e reivindicado por jornalistas há pelo menos uma década, e aprovado em assembleia da categoria.

Não passa pela cabeça de nenhum jornalista abandonar a sua apuração em razão de ter chegado o horário de passar o cartão de ponto. No entanto, o que passa pela sua cabeça – como na de qualquer trabalhador – é a de que ele deve receber pelas horas trabalhadas. Simples assim: trabalhe por 7, 8, 10, 12 horas. E receba por 7, 8, 10, 12 horas. Que problema há nisso?

Desde a Revolução Industrial, em fins do século XVIII, o tempo é um parâmetro para a remuneração. E também devem ter sido chamados de burocráticos os primeiros trabalhadores que resolveram reivindicar a redução de jornada, a exclusão de crianças do mundo do trabalho, o estabelecimento de um salário mínimo, direitos sociais, aposentadoria, e tantos outros pressupostos legais que buscam preservar o lado mais frágil na relação empregado-empregador.

Um lado bom nessa polêmica é a de que ela expôs, ainda que parcialmente, ao menos um pequeno aspecto dos bastidores da produção jornalística e da atividade dos jornalistas, que sempre foi um assunto relevante para o público, mas, infelizmente, ignorado pela grande imprensa.

[Artigo publicado hoje no Monitor Campista]

segunda-feira, abril 06, 2009

Se eu fosse Ruy Castro

Se eu fosse Ruy Castro, também não me importaria com algumas horas não remuneradas na gloriosa missão jornalística. Nem me passaria pela cabeça profanar o sagrado ambiente da redação com um vulgar ponto eletrônico. De modo algum me renderia à burocracia do tempo marcado.

Se eu fosse Ruy Castro, igualmente assinaria crônica como a do último sábado, na Folha de São Paulo, e diria que jornalistas não são trabalhadores como outros quaisquer, repreendendo de modo inclemente os medíocres que assim pensam.

Se eu fosse Ruy Castro, confundiria com certa displicência elegante a diferença entre ser escravo da informação e ser escravo do patrão. E usaria meu talento de escritor genial para avisar aos novos do bando: não dêem ouvidos a estes jornalistas que reclamam por trabalharem demais e não ganharem o que acham que é justo.

Se eu fosse Ruy Castro, assim como quem bate papo em um botequim do Rio, diria descontraído que nem mesmo as suas mulheres os merecem, porque não têm o brilho dos antônios marias, dos samuéis wainers, dos renatos machados e, muito menos, do que eu teria, se fosse Ruy Castro.

Se eu fosse Ruy Castro, não me importaria com contas para pagar, filhos para matricular na escola, essas bobagens com as quais apenas tocadores de oficlide, adestradores de pulga e taxidermistas precisam se preocupar.

Se eu fosse Ruy Castro perderia aniversários de parentes, feriados, a saúde, o convívio com a família, e quem sabe até pagasse pelo prazer destas perdas. Poderia abrir mão de ter um cachorro, de deitar em uma rede, de reivindicar qualquer coisa, e de ser gente.

Se eu fosse Ruy Castro, desdenharia dos sindicatos, ignoraria com ar blasé as decisões de assembleias, e não me meteria com esta gente que não dá conta de se defender sozinho, e precisa rastejar em grupo para se fazer ouvir.

Finalmente, se eu fosse Ruy Castro, também alimentaria a mítica imagem do jornalista super-homem, que teria todas as noites, depois das suas andanças parcamente remuneradas pelo mundo, histórias sensacionais para contar.

Mas eu não sou Ruy Castro. Sou apenas um dos cerca de 60 mil jornalistas brasileiros, que trabalho em assessoria e no ensino de jornalismo, ajudando a formar, quem sabe, um novo Ruy Castro, que poderá um dia também atestar a mediocridade do seu professor e dos demais colegas de profissão.

[Artigo publicado hoje no site da FENAJ, aqui]

O verdadeiro "por dentro do Globo"

"Algumas tradições do bom Jornalismo têm sido rompidas pela direção do Globo na tentativa de desqualificar a decisão de seus profissionais de exigir a obediência à lei por parte da empresa. Uma é o compromisso com a verdade; outra, o saudável costume de ouvir o outro lado. Conclusões falsas brotam de argumentos tortos, que não colam mais. O mais falso dos sofismas é de que o controle das horas extras impedirá o jornalista de trabalhar mais, quando necessário, para produzir informação com qualidade. Não há na ação judicial movida pelo sindicato impedimento a longas jornadas de trabalho, que o jornal já definiu como “jornalismo romântico”. O que as leis de qualquer país civilizado determinam é que as horas extras sejam pagas ou compensadas.

Trabalhar de graça nada tem de romântico. Do contrário, a abolição da escravatura teria sido um atentado contra o romantismo. Se for necessário para obter informação de qualidade, nenhum jornalista se furtará a trabalhar 24 horas em um mesmo dia. A diferença é que, com o ponto, passará a ser recompensado. Como nas outras empresas do mundo."

[Do site do Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro. Íntegra aqui.]

segunda-feira, março 09, 2009

Qualquer semelhança...

"Depois de quase dois meses de trégua e nenhuma reivindicação atendida, jornalistas e gráficos voltam a promover paralisações nos jornais para denunciar que a responsabilidade social e a “concidadania” que os empresários da comunicação tanto apregoam não passam de um discurso inconsistente, pois não é válido para os funcionários destas empresas. Na relação com os empregados, os donos dos jornais ignoram as necessidades básicas para uma família sobreviver, se recusam a oferecer reajustes salariais minimamente dignos e abandonam a mesa de negociação com os trabalhadores em plena campanha salarial."

O texto é da Fenaj, sobre as reivindicações dos jornalistas do Ceará. Íntegra aqui.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Jornalistas discutem se querem cartão de ponto

Jornalistas parecem que vivem numa era pré-CLT. Muitos, por não se acharem trabalhadores como outros quaisquer, têm até vergonha de reivindicar o cumprimento de direitos. Nem se dão conta de que são, por vezes, mais maltratados que categorias aparentemente mais exploradas.

Agora mesmo jornalistas do município do Rio, assim como foi feito em outros locais, discutem se devem ou não receber horas extras. Uma questão superada em categorias mais organizadas. Muitos resistem ao cartão de ponto.

Jornalistas do Infoglobo (Globo, Extra, Expresso, G1...) e de O Dia têm assembleia hoje, às 21h, na sede do sindicato para discutir a questão. Muito provavelmente poucos coleguinhas aparecerão. A maioria deve se achar acima destes assuntos menores.

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Sem pagamentos, jornalistas cruzam os braços na Editora Símbolo

Sem receber salários há quase dois meses, os jornalistas da Editora Símbolo (que edita entre outras as revistas “Uma”, “Um”, “Meu Nenê”, “Zero”, “Baby & Cia.”, “Donna” e a semanal “Chiques e Famosos”) cruzaram os braços nesta segunda-feira 9/2. A empresa deve os pagamentos de dezembro, o 13º e o salário de janeiro de 2009 – os jornalistas receberam apenas o adiantamento de dezembro de 2008.

Do site do Sindicato dos Jornalistas de SP, aqui.

sábado, fevereiro 07, 2009

Jornalistas do RJ têm reunião hoje

A nova diretoria do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio de Janeiro (da qual faço parte) se reúne hoje, a partir das 11h, em sua sede, em Niterói. De Campos, também fazem parte da diretoria os jornalistas Paulo Thomáz e Elis Regina Nüffer.

A posse solene da diretoria acontece na próxima quarta, 11, às 19h, no auditório da OAB em Niterói. A entidade continua presidida pelo jornalista Ernesto Viana.

terça-feira, setembro 23, 2008

Sindicato estadual mais estadual

Depois de muita negociação foi fechada a chapa única para a eleição do Sindicato Estadual dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro. A votação acontece nos dias 12 e 13 de dezembro. Desta vez a diretoria do sindicato poderá ter uma composição mais representativa do estado, com jornalistas de todas as regiões. Campos ficou com três vagas na diretoria. Confira a formação aqui.

terça-feira, agosto 26, 2008

Delegado do NF conta como foi o 33º Congresso Nacional dos Jornalistas

"A principal preocupação dos jornalistas reunidos em seu 33º Congresso Nacional foi a questão da desregulamentação da profissão, que pode acontecer na prática com a sentença do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, que pode divulgar nos próximos dias ou semanas, a sua decisão sobre a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Esse julgamento é resultado de recursos a decisão de uma juíza de São Paulo favorável a uma advogada que reivindicou o exercício da profissão mesmo sem possuir o diploma de jornalista."

Do jornalista Paulo Thomáz, que representou o Norte Fluminense no 33º Congresso Nacional dos Jornalistas, e conta como foi em artigo aqui.

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