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terça-feira, novembro 15, 2011

Dois anos sem Monitor Campista




Há dois anos morria o Monitor Campista. Para marcar esta passagem, reproduzo acima matéria do colega Ronan Tardin na Inter TV na época do fechamento; abaixo, post que publiquei no blog da campanha Viva Monitor em 15 de novembro do ano passado, quando o fim do jornal completou um ano; e, mais abaixo ainda, um bloco da Mercearia Campista, em novembro de 2009, que abordou o assassinato da publicação. Aqui há muitos outros artigos, crônicas e fotos com lembranças sobre a redação e o jornal.

O que a morte do Monitor diz sobre nós

Vitor Menezes

Clique para ampliar a
capa da última edição
Quem já assistiu Dogville entenderá o que quero dizer. Há na história a insinuação de uma cumplicidade em torno de uma culpa que aprisiona os habitantes do vilarejo. Na ausência de grandes sucessos coletivos, o que os une são os fracassos. A liga que os mantém pertencentes ao lugar é um somatório de ressentimentos mútuos. Quanto mais desconfiam uns dos outros, mais se sabem parecidos e necessários para que entendam a si mesmos. E mais ferozmente rechaçam a visitante indesejada que os expõem aos seus fantasmas.

Penso em coisas assim quando lembro que não foi possível levantar parcos R$ 250 mil junto a pessoas físicas e jurídicas de Campos para comprar a marca Monitor Campista para mantê-la viva, pronta para completar 176 anos no dia 4 de janeiro de 2011, desta vez sob a guarda de uma instituição que fosse gestada pela sociedade, uma Fundação ou algo do gênero, como propôs o Movimento Viva Monitor. E, por não dispormos desta ninharia na cidade do orçamento bilionário, pela falta do equivalente a menos de 1/3 do que custou a mega tenda da Bienal (R$ 820 mil), apenas para ficarmos em um exemplo recente de opulência, o terceiro jornal mais antigo do País morreu.

Teve empresário líder de entidade classista que chorou na manifestação contra o fechamento do jornal e depois não foi capaz de mobilizar nem a si mesmo para fazer uma doação, muito menos os seus colegas. Teve comerciante tido como próspero que teve a cara-de-pau de doar tão pouco que, envergonhado, pediu para tirar seu nome da lista de doadores (onde, transparentemente, figurava como qualquer um). Teve colunista social que desdenhou da mobilização, justamente por ser uma mobilização, coisa de empregados do jornal, portanto algo natimorto. Teve blogueiro tido como entusiasta dos movimentos coletivos que desconfiou tanto, mas tanto, que não foi capaz de ultrapassar a inércia da sua desconfiança.

Certa vez conheci uma cidade no Rio Grande do Sul que tem como principal monumento, em sua mais charmosa praça, uma estátua em homenagem ao cooperativismo. Trata-se de Nova Petrópolis, que se orgulha de ter a mais antiga cooperativa de crédito do Brasil e tem até um roteiro sobre o tema para turistas.

Lembrei dela quando ouvi, na Bienal encerrada ontem, a pesquisadora Dilcéa de Araújo Smiderle, que lançou “O Multiforme Desafio do Setor Sucroalcooleiro de Campos dos Goytacazes”, afirmar que Campos não consegue aproveitar o boom do etanol no mundo, entre outras razões, por serem os campistas muito desconfiados uns dos outros. Seu argumento é o seguinte: como o agronegócio requer grandes investimentos e grandes áreas, e como as propriedades locais foram, ao longo de séculos, repartidas por muitos herdeiros, elas se tornaram pequenas e a única forma de torná-las “grandes” seria por meio do associativismo (para, por exemplo, viabilizar a irrigação), o que não ocorre. Nem mesmo para salvar a lavoura.

Um ano após a morte do Monitor, percebo que este até se mostra um assunto indesejado. Uma vergonha que queremos ocultar. Como os habitantes de Dogville, o que nos resta é compartilhar em silêncio mais esta culpa que nos amesquinha e nos torna tão unidos em nossa vilania. Algo que só os nossos olhares cada vez menos altivos revelam. Mas no íntimo sabemos: deixamos o Monitor morrer, para o gáudio dos seus assassinos diretos. Somos cúmplices em mais este caso de homicídio. E, portanto, somos cada vez mais campistas.


segunda-feira, julho 18, 2011

terça-feira, abril 05, 2011

Uenf lança livro com matérias publicadas no Monitor

A Uenf lança no próximo dia 13, às 13h30, o livro "Descomplicando a Ciência", com matérias de divulgação científica produzidas pela assessoria de comunicação da instituição, publicadas em uma série no jornal Monitor Campista, entre 2003 e 2006. O evento será no Centro de Convenções da instituição.

O lançamento terá palestra da professora Simone Bortoliero, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), com o tema "Juventude, Ciência e Mídia".

"Estudiosa das questões relacionadas à comunicação pública da ciência, Simone Bortoliero pretende abordar, em sua palestra, como capacitar os jovens brasileiros a interpretar as representações da ciência na mídia. Ela vai mostrar formas de viabilizar projetos de popularização da ciência e tecnologia (C&T) com jovens de ensino médio, dentro da perspectiva de inclusão de novas tecnologias", explica a assessoria.
As inscrições podem ser feitas pelo email uenf@uenf.br, fornecendo nome completo e telefone.

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Monitor poderá voltar pelas mãos de Garotinho

Fonte ligada ao ex-governador Anthony Garotinho, que esteve com ele na semana passada, garante que está em seus planos reativar o Monitor Campista. A intenção não é nova, mas, pelo visto, será acionado algum plano B, uma vez que esse aqui foi abortado.

terça-feira, novembro 30, 2010

Artigos e crônicas lembram um ano do assassinato do Monitor Campista

Vários coleguinhas atenderam ao chamado da Patrícia Bueno e publicaram artigos para marcar a passagem, em novembro, de um ano do assassinato do Monitor Campista. Confira:

Nunca vou esquecer! - Luísa Ritter


Monitor: uma grande escola - Jô Siqueira

Lembranças de um "menino" - Elton Nunes

No "arraiá" das lembranças - Flávia Ribeiro

Aberto - João Ventura

Saudade, revolta e boas lembranças - Jane Nunes

Ê saudade... - Danielle Brandão

Cada um no seu lugar - Silvana Rust

Ninguém matou o Monitor - Raul Marques

Morte sem autópsia - Walnize Carvalho

A difícil e última edição... - Patrícia Bueno

Guerreiro de papel -  Fátima Nascimento

Queria que não fosse um texto triste - Carla Cardoso

Ainda dói... -  Alicinéia Gama

Um ano de saudades - Mariane Pessanha

Tudo mudou de cor - Nagyla Correa

Túnel do tempo - Hélvio Cordeiro

Ainda não passou... - Cilênio Tavares

Tempo bom! - Valquíria Azevedo

O que a morte do Monitor diz sobre nós - Vitor Menezes

quarta-feira, novembro 17, 2010

Monitor encerra edição impressa... no Canadá


Não, não é piada. Um ano após o fechamento do nosso Monitor Campista, me deparei com essa notícia, de 2009, no Jornalistas da Web:

O diário canadense, The Monitor, de 80 anos de idade, anunciou o encerramento de sua edição impressa. O jornal, foi fundado no ano de 1926 e sua última edição circulou no dia 5 de fevereiro de 2009. O jornal, que também é conhecido pelo nome de West End Chronicle, tinha uma circulação semanal de cerca de 35 mil exemplares, mas, segundo o JW, não dava lucro. Agora o jornal circulará apenas em sua versão online, cujos investidores botam mais fé. O governo detinha cerca de 60% das ações do veículo.

Dois Monitores fechados em um só ano. Além disso, fui descobrir essa notícia agora, um ano após o fechamento do Monitor de cá. Além disso, as circunstâncias foram bem parecidas. Coincidência ou destino dos Monitores? Vai saber...

A matéria completa do JW, está aqui.

segunda-feira, novembro 15, 2010

Jornalistas do Monitor lembram passagem de um ano sem o jornal


Vários jornalistas que integraram a última redação do Monitor Campista fizeram hoje uma homenagem ao jornal, em razão da passagem de um ano do seu fechamento. Textos e imagens, com lembranças da rotina de trabalho e reflexões sobre o fim da publicação foram reunidos no blog do Movimento Viva Monitor. Todos podem ser vistos aqui.

[Redação vazia, após o último fechamento - Foto: Silvana Rust]

Há um ano morria o Monitor Campista. E daí?

Há exatamente um ano, no 15 de Novembro de 2009, morria o Monitor Campista. A jornalista Patrícia Bueno, última editora do caderno Mais, pediu que alguns colegas escrevessem sobre o significado deste tempo e desta perda. Estendo esta sugestão aos demais blogueiros da Rede Blog.

A minha contribuição em forma de artigo-desabafo, que também está no blog do Movimento Viva Monitor (onde Patrícia reunirá os textos, imagens e demais contribuições sobre o tema), está também abaixo:

O que a morte do Monitor diz sobre nós


Quem já assistiu Dogville entenderá o que quero dizer. Há na história a insinuação de uma cumplicidade em torno de uma culpa que aprisiona os habitantes do vilarejo. Na ausência de grandes sucessos coletivos, o que os une são os fracassos. A liga que os mantém pertencentes ao lugar é um somatório de ressentimentos mútuos. Quanto mais desconfiam uns dos outros, mais se sabem parecidos e necessários para que entendam a si mesmos. E mais ferozmente rechaçam a visitante indesejada que os expõem aos seus fantasmas.

Penso em coisas assim quando lembro que não foi possível levantar parcos R$ 250 mil junto a pessoas físicas e jurídicas de Campos para comprar a marca Monitor Campista para mantê-la viva, pronta para completar 176 anos no dia 4 de janeiro de 2011, desta vez sob a guarda de uma instituição que fosse gestada pela sociedade, uma Fundação ou algo do gênero, como propôs o Movimento Viva Monitor. E, por não dispormos desta ninharia na cidade do orçamento bilionário, pela falta do equivalente a menos de 1/3 do que custou a mega tenda da Bienal (R$ 820 mil), apenas para ficarmos em um exemplo recente de opulência, o terceiro jornal mais antigo do País morreu.

Teve empresário líder de entidade classista que chorou na manifestação contra o fechamento do jornal e depois não foi capaz de mobilizar nem a si mesmo para fazer uma doação, muito menos os seus colegas. Teve comerciante tido como próspero que teve a cara-de-pau de doar tão pouco que, envergonhado, pediu para tirar seu nome da lista de doadores (onde, transparentemente, figurava como qualquer um). Teve colunista social que desdenhou da mobilização, justamente por ser uma mobilização, coisa de empregados do jornal, portanto algo natimorto. Teve blogueiro tido como entusiasta dos movimentos coletivos que desconfiou tanto, mas tanto, que não foi capaz de ultrapassar a inércia da sua desconfiança.

Certa vez conheci uma cidade no Rio Grande do Sul que tem como principal monumento, em sua mais charmosa praça, uma estátua em homenagem ao cooperativismo. Trata-se de Nova Petrópolis, que se orgulha de ter a mais antiga cooperativa de crédito do Brasil e tem até um roteiro sobre o tema para turistas.

Lembrei dela quando ouvi, na Bienal encerrada ontem, a pesquisadora Dilcéa de Araújo Smiderle, que lançou “O Multiforme Desafio do Setor Sucroalcooleiro de Campos dos Goytacazes”, afirmar que Campos não consegue aproveitar o boom do etanol no mundo, entre outras razões, por serem os campistas muito desconfiados uns dos outros. Seu argumento é o seguinte: como o agronegócio requer grandes investimentos e grandes áreas, e como as propriedades locais foram, ao longo de séculos, repartidas por muitos herdeiros, elas se tornaram pequenas e a única forma de torná-las “grandes” seria por meio do associativismo (para, por exemplo, viabilizar a irrigação), o que não ocorre. Nem mesmo para salvar a lavoura.

Um ano após a morte do Monitor, percebo que este até se mostra um assunto indesejado. Uma vergonha que queremos ocultar. Como os habitantes de Dogville, o que nos resta é compartilhar em silêncio mais esta culpa que nos amesquinha e nos torna tão unidos em nossa vilania. Algo que só os nossos olhares cada vez menos altivos revelam. Mas no íntimo sabemos: deixamos o Monitor morrer, para o gáudio dos seus assassinos diretos. Somos cúmplices em mais este caso de homicídio. E, portanto, somos cada vez mais campistas.

terça-feira, julho 20, 2010

A Volta do Arquivo do Monitor

O amigo e historiador Hélvio Cordeiro, do Instituto Historiar, me informou agora há pouco que há um interesse da Uenf em adquirir o arquivo do Monitor Campista, que se encontra em poder do Jornal do Comércio após o fechamento do jornal. Hélvio foi procurado pelo professor Carlos Freitas, da Uenf e que é o diretor do Arquivo Público Municipal de Campos. No contato ele pediu para falar com alguém que facilitaria o acesso a Maurício Dineppi, diretor do Jornal do Commercio. Só não foi definido ainda se o acervo, que possui jornais de 1834 até 2009, ficaria no Arquivo Público ou na Uenf. Aguardemos novidades.

sexta-feira, abril 30, 2010

Tonico, repórter do Monitor

Deu no Ancelmo de hoje:

"Tonico e Stepan


Ontem, o ator campista Tonico Pereira, um fofo, estava na Câmara Municipal do Rio quando viu Stepan Nercessian na presidência da sessão.

Aí parou o que fazia para tirar fotos do amigo. Aos jornalistas que estavam na casa, Tonico brincava: “Prazer, sou repórter do ‘Monitor Campista’.” O jornal deixou de circular recentemente após 175 de história."

sexta-feira, abril 09, 2010

O pulso do Monitor ainda pulsa?

Cartaz visto na manhã de hoje no antigo prédio do Monitor Campista, na João Pessoa, informa que o jornal está "atendendo" em novo endereço: Rua Tenente Coronel Cardoso (Formosa), 620, sala 201. Por que será que ainda estão ligados os aparelhos da UTI?

[Foto: Vitor Menezes]

quinta-feira, abril 08, 2010

Prédio do Monitor já tem novo dono

A colega Flávia Ribeiro, que pertenceu ao time do Monitor Campista, informa aqui que foram entregues na manhã de hoje, aos novos donos, as chaves do prédio do jornal, na rua João Pessoa, no Centro de Campos. Dono de uma rede de lojas de bijuterias, o empresário Marcelo Souza disse não saber o que fará com o imóvel, mas considerou boa a oportunidade de compra. O negócio foi fechado em dezembro do ano passado.

"Marcelo não é nem pretende ser empresário de comunicação. Ele disse que faz questão de que as pessoas saibam que ele não é laranja de ninguém e que o dinheiro da compra do que considera um dos melhores imóveis da João Pessoa, é fruto de muito trabalho dele e de sua mulher, Nilda, que administram as lojas e uma fábrica de bijuterias, no Rio", informou a jornalista.

O Monitor Campista encerrou suas atividades no dia 15 de novembro do ano passado. No último dia 4 de janeiro o jornal completaria 176 anos, na condição de terceiro mais antigo do país ainda em circulação.

[Antiga sede do Monitor, na João Pessoa - Foto: Wellington Cordeiro]

terça-feira, março 23, 2010

Acionistas do Monitor vão à Justiça e Associados promete nova assembleia

O Diário, de Campos, publicou hoje matéria que registra a permanência de dois acionistas do Monitor Campista em frente ao prédio do jornal, ontem, para uma assembleia geral que não ocorreu. A publicação informa que estes acionistas vão interpelar judicialmente a direção dos Diários Associados.

"Acionistas do Jornal Monitor Campista, em Campos, vão interpelar judicialmente a direção do Diários Associados, conglomerado de empresas de Comunicação que em Campos controla o Jornal Monitor Campista, terceiro mais antigo do Brasil, tirado de circulação em novembro de 2009. A direção do grupo no Rio de Janeiro convocou acionistas de Campos para assembleia ontem, mas não compareceram, motivando a intenção da ação judicial", diz a matéria.

O Diário procurou ouvir a explicação do condomínio Diários Associados e registrou que "na sede administrativa do Diários Associados, no Rio de Janeiro, uma funcionária que atendeu apenas pelo nome de Valdíria informou que a reunião foi cancelada porque o representante de Brasília não poderia comparecer. Uma nova data será marcada para a assembleia em Campos".

segunda-feira, março 22, 2010

Mistérios Associados

Cristina Lima e Benedito Marques, os únicos, ao que consta, acionistas do Monitor Campista em Campos, estão neste momento na sede social do jornal, na rua João Pessoa, atendendo convocação de Assembleia marcada para às 11h30. O edital foi publicado por três dias no jornal O Diário, na semana passada. Até agora, nenhuma reunião aconteceu.

quarta-feira, março 17, 2010

Edital convoca acionistas da S/A Monitor Campista

O condomínio Diários Associados tem publicado em edições de O Diário nesta semana, em Campos, pequeno edital onde convoca os acionistas da S/A Monitor Campista para "Assembleia Geral Extraordinária", na segunda, 22, 11h30, para "Preencher cargos vagos na Diretoria, em razão de renúncias dos titulares". Como assim?

O jornal, fechado em 15 de novembro do ano passado, mantém, ao que tudo indica, os aparelhos ligados. Estaria ainda à espera de um comprador?

Seja o que for, o desrespeito dos Diários Associados com a população campista continua. Não dão a menor satisfação sobre o jornal, que por 175 foi um patrimônio dos campistas. Em outra atitude criminosa, a direção do jornal já teria retirado da cidade o acervo da publicação, de acordo com informações em off recebidas pelo blog.

O edital indica como local da assembleia a sede social, identificada no alto da publicação como sendo em Campos, na rua João Pessoa, 202/204, onde funcionou a redação.

quinta-feira, dezembro 10, 2009

MANIFESTO DE ENCERRAMENTO DO MOVIMENTO VIVA MONITOR

De modo grosseiro e injustificável, o diretor presidente do condomínio empresarial Diários Associados no Rio, Maurício Dinepi, não respondeu às insistentes tentativas de contato que empreendeu o Movimento Viva Monitor entre os dias 4 e 10 de dezembro, por meio de ligações telefônicas e e-mail, com o objetivo de obter uma prorrogação no exíguo prazo estabelecido pelo empresário para que os ex-funcionários e simpatizantes do jornal levantassem os R$ 250 mil fixados para a venda da marca “Monitor Campista”.

Se, por um lado, tal comportamento provoca estranhamento, em virtude de ter o mesmo Dinepi recebido, por duas vezes, uma comissão do Movimento Viva Monitor, por outro evidencia a truculência de quem fechou um jornal quase bicentenário sem demonstrar o mínimo respeito aos funcionários, assinantes e demais leitores, mediante publicação de uma nota lacônica no dia 15 de novembro, na última edição do veículo.

Este mesmo desrespeito manifesta ainda Maurício Dinepi ao se preparar, agora, para retirar da cidade todo o acervo do Monitor Campista, que encontra-se embalado para transporte na antiga sede do jornal, na rua João Pessoa. Mais este crime será cometido contra a memória histórica de Campos dos Goytacazes se a sociedade conservar a passividade que tem demonstrado em relação ao fim do jornal.

Em razão desta impossibilidade de avanços na negociação com os, infelizmente, proprietários da marca “Monitor Campista”, o Movimento Viva Monitor torna público o encerramento da campanha de arrecadação de recursos que realizou a partir de 28 de novembro, dia seguinte ao que fora estabelecido o valor de compra por Dinepi.

Foram apenas cinco dias úteis para que o Movimento buscasse levantar R$ 250 mil. Um prazo certamente fixado para que tal intento não fosse atingido. Mesmo assim a campanha não recuou, e foram feitas todas as tentativas que estiveram ao alcance dos poucos participantes do movimento. E, como ocorreu com o Trianon, todas as pessoas influentes da sociedade campista não poderão dizer que não sabiam o que estava ocorrendo e, ainda, que não tiveram a chance concreta de reverter a situação.

O Movimento Viva Monitor se orgulha, ao menos, de não ter deixado o Monitor Campista morrer sem que nenhuma voz de protesto se levantasse. Iniciado pela Associação de Imprensa Campista, foi ele quem catalisou toda a restante capacidade de indignação local contra mais esta perda.

Esta voz foi ouvida e registrada em todas as matérias jornalísticas que trataram do fim do Monitor Campista, em veículos locais e nacionais, e se credenciou como interlocutora nas tentativas de criar formas que permitissem o renascimento do jornal. Foram realizadas duas manifestações públicas, várias reuniões na AIC, lançado um abaixo-assinado online que ultrapassou mil adesões, um blog, duas reuniões com os Diários Associados, uma reunião com a Prefeitura de Campos, e diversos contatos com empresários e entidades como CDL, ACIC e Carjopa, além de sindicatos e clubes de serviço, no sentido de buscar a sensibilização para a causa e, na etapa final, a efetiva contribuição financeira para a aquisição da marca “Monitor Campista”.

Tudo isso não pareceu suficiente para vencer interesses até hoje não claramente identificados, com os quais parece estar mais afinado o senhor Maurício Dinepi.

E para que o Movimento Viva Monitor não seja confundido com nenhuma outra eventual forma de reabertura do jornal, que não passe pelo modo transparente como defende e com a manutenção da sua qualidade editorial, os seus integrantes, reunidos hoje, decidiram por encerrá-lo formalmente.

Todos os recursos doados para a Campanha Viva Monitor, que foram depositados na conta bancária da Associação de Imprensa Campista, serão rigorosamente devolvidos. Eles foram registrados, nomes e valores, no blog do movimento.

A todos os doadores e participantes, àqueles que não puderam estar presentes às reuniões mas mantiveram-se na torcida, aos inúmeros leitores do jornal que enviaram mensagens e comentários no blog da campanha, o Movimento Viva Monitor agradece de modo sincero e emocionado.

O assassinato do Monitor Campista entra, agora, para a galeria de crimes célebres de Campos. Ainda que ele venha a ressurgir, o fará de modo farsesco, como também ocorreu com o Teatro Trianon, uma vez que não há a menor segurança de que possíveis compradores do mundo político ou empresarial venham a manter o jornal com a mesma postura de independência e qualidade com a qual sua redação o mantinha até o dia 15 de novembro. Será, se ocorrer, como uma segunda morte do “velho órgão”, e com isso não compactuarão o Movimento Viva Monitor e a Associação de Imprensa Campista.

Campos dos Goytacazes, 10 de dezembro de 2009
Movimento Viva Monitor

segunda-feira, novembro 30, 2009

Monitor Campista: agora é com a gente

A campanha Viva Monitor chegou a um ponto em que poderá testar, objetivamente, o quanto os campistas prezam este patrimônio e o exercício de um jornalismo de qualidade. Há uma oferta concreta de venda da marca aos funcionários, para que possam continuar com o jornal, e há um prazo.

Diferentemente do modo usual para estes casos, em que uma operação de bastidor correria o pires entre alguns poucos, que com suas grandes quantias poderiam, na prática, virar donos do jornal, a opção do Movimento Viva Monitor foi abrir uma campanha pública de doação, com todos os nomes e valores publicados em uma lista.

A chance colocada implica, até mesmo, na possibilidade de avançar ainda mais na independência do jornal. O que defendo, inclusive, é que as contas de uma futura instituição que administre o Monitor Campista sejam detalhadamente publicadas na internet. O leitor poderá saber quanto cada anunciante pagou por anúncio e por qual período. Poderia saber quanto custa imprimir, qual é a sua tiragem real, quais são e a quais valores correspondem outros gastos do jornal. De quanto é a folha de pagamento de pessoal, e por aí vai. Não tenho notícia de um jornal que tenha operado com tamanha transparência.

Anestesiados pelo histórico político da cidade, e do envolvimento da imprensa com este histórico político, é possível que muita gente que poderia ajudar no Movimento Viva Monitor esteja recolhido em cética e confortável desconfiança. É compreensível.

Mas o fato é que temos uma chance real de salvar o Monitor com as características que ele vinha tendo até então, mantendo-o operado pelos seus funcionários.

Se a campanha de arrecadação não conseguir atingir seu objetivo, ou se um outro interessado externo comprar sozinho o jornal (e transformá-lo, por exemplo, em porta voz de algum grupo político local), os integrantes do Viva Monitor poderão dizer, com a consciência tranquila, que fizeram a sua parte.

E você, que gosta do Monitor e ainda não se engajou neste movimento, o que poderá dizer?

sábado, novembro 28, 2009

Funcionários querem levantar R$ 250 mil para comprar a marca "Monitor Campista"

Em reunião com representantes do Movimento Viva Monitor, na tarde de ontem (27/11/09), o diretor presidente dos Diários Associados, Maurício Dinepi, fixou em R$ 250.000,00 o valor da marca “Monitor Campista” para o caso de compra pelos seus ex-funcionários. Além disso, foi mantido o prazo de 4 de dezembro para a confirmação da compra.

Participaram da reunião com Dinepi os ex-funcionários Cilênio Tavares e Claudia da Conceição Santos, além de Paulo Thomaz (AIC) e Graciete Santana (Sepe), todos integrantes do Viva Monitor.

Na manhã de hoje, na Associação de Imprensa Campista, os ex-funcionários e demais simpatizantes do movimento decidiram abrir uma campanha pública de arrecadação de recursos para tentar, até o próximo dia 4, atingir o valor fixado.

Todos os doadores (pessoas físicas ou jurídicas) serão identificados em uma lista única publicada no blog do Movimento Viva Monitor (http://vivamonitor.blogspot.com), com nomes e valores doados. Em caso de a meta não ser atingida, os recursos serão devolvidos.

Qualquer valor pode ser doado em nome da Associação de Imprensa Campista (Banco Itaú, agência 2997, conta corrente 24529-1), preferencialmente por meio de depósito identificado. Comprovantes de depósito ou de transferência devem ser enviados para o e-mail (contatovivamonitor@gmail.com) aos cuidados de Paulo Thomaz, informando nome completo do doador, endereço, telefone e CPF.

O total parcial das doações será informado constantemente no blog Viva Monitor.

O objetivo do movimento é reativar o jornal Monitor Campista com as mesmas características de independência editorial e qualidade jornalística.

domingo, novembro 22, 2009

Monitor pode sobreviver ao fim dos jornais

Escrevi algumas vezes que acredito no fim dos jornais impressos. Cada vez estou mais convicto disso. E agora me vejo em campanha na defesa da volta de um deles às bancas, o Monitor Campista, que encerrou suas atividades no domingo passado, dia 15, após 175 anos de uma existência que o colocou no posto de terceiro mais antigo do Brasil.

É que penso na volta do Monitor e na sua sobrevida não pela sua viabilidade como jornal impresso, mas na sua validade como patrimônio cultural. Somente este caminho, para mim, o legitimaria.

Se, como disse Alberto Dines, o papel do jornal é se fazer necessário, a necessidade do Monitor está em estabelecer para Campos uma liga de pertencimento simbólico de quase dois séculos. É um lastro que uma comunidade não dispensa com facilidade – daí a comoção em torno do fechamento do jornal, mesmo que manifestado por muitas pessoas que nem mais o liam.

Por isso tenho insistido na idéia de criar a Fundação Monitor Campista. Na minha concepção, daqui a 50 anos, por exemplo, a versão impressa do Monitor seria apenas um dos produtos de uma instituição que terá como principal missão a preservação da memória jornalística da cidade.

A circulação impressa será uma espécie de luxo a que se permitirão alguns assinantes e leitores de banca (ainda existirão?) que decidiram preservar este modo de produção jornalística e, sobretudo, esta marca cronológica de longevidade. Seria como se uma empresa centenária de transportes, que passou por várias gerações tecnológicas e hoje possui modernos ônibus e até aviões, tivesse decidido conservar em operação alguns dos seus bondes – somente por apelo histórico e turístico, como em Santa Tereza.

Como veículo jornalístico de relevância no presente, só considero o Monitor crível se ele for reinventado na internet. Para isso terá que encontrar uma receita que nenhum jornal encontrou até agora (basta dizer que, na busca de um norte, o The Guardian contratou blogueiros para fazer a cobertura local). A lógica engessada dos que se habituaram a ser verticalizados emissores não anda casando com o espírito horizontal da internet. Mesmo com as tentativas desesperadas de alguns.

Estou confiante de que o Monitor Campista voltará às bancas. Isso é necessário para que ele retome de onde parou, não deixando órfãos os seus leitores ainda apegados ao impresso. Mas isso não será suficiente para que ele dure por mais décadas e décadas. Ele precisará ser mais defendido, mais relacionado simbolicamente entre os poucos elementos que ainda nos dão orgulho, mais útil não apenas como jornal, mas como um dos pilares da nossa identidade de moradores de uma mesma cidade.

Nenhum outro veículo de comunicação tem condições, hoje, em Campos, de exercer este papel. Como se vulgarizaram na mera sobrevivência comercial ou na arte de tirar proveito da política menor, não podem ser alçados a uma função subjetiva tão nobre quanto a de ser um elemento de nossa cultura, ou um nosso porta voz além de partidos e disputas pontuais. Não oferecem grandeza para atravessar os tempos. Não têm densidade. Não mais se diferenciam de um negócio qualquer.

Com o Monitor pode ser diferente. E creio que será.

terça-feira, novembro 17, 2009

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