terça-feira, junho 23, 2009

Por uma greve nacional dos jornalistas

Jornalista não faz greve. Jornalista cobre greve. Jornalista não reivindica. Registra as reivindicações da sociedade. De tanto pensar assim, a categoria, mesmo acusada de ser corporativista, tem se comportado com uma candura submissa diante dos duros golpes que sofre.

As entidades que nos representam mal conseguem encaminhar os nossos temas, dada a nossa falta de participação. Só ouço jornalista falar em sindicato quando é para “tirar registro” ou quando é para reclamar que nada fazem, quando ele mesmo nem sabe a última vez que esteve em uma assembleia — se é que já esteve em alguma.

A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o diploma nos torna ainda mais frágeis enquanto categoria profissional e, por enquanto, estão sendo tímidas as nossas reações. Pense se um golpe proporcional a este tivesse sido sofrido por metalúrgicos, petroleiros, bancários, caminhoneiros ou advogados e imagine a reação.

Mas jornalistas não se vêem como trabalhadores. Jornalistas não se pensam coletivamente. Cada um é uma ilha de talento que é capaz de suportar qualquer contratempo da profissão. Ele se garante. E aí está a dificuldade.

Sugiro que passemos a considerar a hipótese de realização de uma greve nacional dos jornalistas. Nem que seja uma paralisação de 24 horas. Vamos ver o que ainda resta de brio nestes profissionais. Vamos testar se a indignação consegue sair das listas de e-mail, blogs e comunidades virtuais para algo mais concreto e legítimo para qualquer profissão, que é causar prejuízo econômico aos empregadores quando um ataque é feito à categoria.

Sei da pouca tradição que temos nestes assuntos de greve. Sei que fura-greves e todo o aparato tecnológico garantirão que emissoras e sites não saiam do ar e impressos não deixem de circular, mas mesmo assim haveria um impacto significativo se ao menos 30% dos jornalistas brasileiros cruzassem os braços por um dia e se concentrassem em manifestações nas praças das principais cidades.

Muitas assessorias e escolas de jornalismo, que não estão submetidas ao jugo do patronato autoritário de boa parte da mídia, poderiam ser mobilizadas para dar mais corpo à greve, e ajudar a buscar a adesão dos jornalistas das redações para a mobilização.

Creio também que a solidariedade manifestada por várias entidades do campo da comunicação, associada ao apoio de sindicatos e associações de outras categorias, daria o suporte material e político necessário para a greve país afora.

Vamos ao menos discutir seriamente a possibilidade?

23 comentários:

César Ferreira disse...

Discutir ainda mais ? Putz !

Gustavo Alejandro Oviedo disse...

Vitor, o resultado de uma greve de jornalistas seria um tiro no pé.

Você escreveu: "Pense se um golpe proporcional a este tivesse sido sofrido por metalúrgicos, petroleiros, bancários, caminhoneiros ou advogados e imagine a reação". De todas as categorias que relacionou, apenas na dos advogados o diploma é exigido. Nas profissões restantes, o que importa é a experiência do trabalhador.

Vitor Menezes disse...

Oviedo, disse "golpe proporcional a este", e não diploma para estas profissões.

Jualmir disse...

Caro Vitor,

Concordo com voce em genero, numero e grau. Realmente, `e incompreenssivel esta ~nossa~ (me incluo nessa acomodacao). Mas `e hora de reagir!
O abusurdo conduzido por Gilmar Mendes no Supremo com certeza foi um ato de revanchismo que nao pode ser tolerado.
Mas o grande problema `e que uma andorinha so nao faz verao. O que fazer para mobilizar nossa categoria.
Me desculpe pelo texto truncado. Favor acertar. `E porque o teclado esta` mais desconfigurado do que nossa categoria.

Gustavo Alejandro Oviedo disse...

Sabe qual seria um "golpe proporcional a este" no caso de um petroleiro? Exigir diploma antes de fazer concurso.

Ana Paula Motta disse...

Discutir sim, porque discussão não é perda de tempo como pensam uns tantos.
Vc tem razão,acho que a última assembleia da qual participei tem uns dez anos.
À luta!!!

Vitor Menezes disse...

Isso já acontece, Oviedo. Na área técnica para qual o candidato se inscreve.

Fábio Reynol disse...

Concordo com a paralisação. Apoio uma greve feita por aqueles que conquistaram um "diploma inútil para exercer sua profissão". Que quaisquer especialistas (ou especialistas em coisa alguma) assumam as rédeas da comunicação jornalística que foi relegada pelo Supremo a atividade ordinária como trocar lâmpadas ou escovar os dentes.

Guilherme Póvoas disse...

Já me coloco à disposição para organizar o movimento aqui por Macaé.

Peixoto disse...

O problema é que para cada jornalista parado, três ou quatro puxa-sacos vão garantir que o jornal saia, que a TV não saia do ar e que as rádios continuem a tagarelar durante o dia inteiro. É hora de deixar de lado os resmungos e partir para a ação e aguentar as consequências depois, é claro!

Mauro Teixeira disse...

Eu acredito que o mais correto no momento seria uma paralização das faculdades com o curso de jornalismo. A paralização dos jornalistas seria um tiro no pé, como escreve o colega acima.
Na realidade, qualquer manifestação mostrará o descontentamento da classe quanto a decisão do STF, isso chamará atenção de outros profissionais.
A questão é: Será que os "cartolas" das universidades estarão dispostos a bancar uma paralização???

Romildo disse...

Meu caro Vitor,

Apoio a sua indignação, mas não creio que a greve possa ser um bom instrumento de pressão neste momento. Há ainda muitos espaços de luta, há um espaço político de reconstrução da obrigatoriedade do diploma via Congresso. O Sr. Gilmar Mendes não manda no país e não vai decidir pelo país. Acredito que virá também uma reação forte do meio acadêmico, que já está se estruturando. Penso que devemos fazer manifestações de rua, sim, mas uma greve agora terminaria por desestruturar a coesão da categoria. Sem falar nos riscos de demissão, oportunidade de ouro para que os donos da mídia comecem desde já a reduzir a folha de pagamento, antes mesmo da contratação de gente desqualificada e barata, objetivo maior da decisão do STF.
Meu abraço
Romildo Guerrante

Kamilla disse...

De fato, nosso silêncio está incomodando, já passamos do limite com nossa inércia... sugiro também uma MANIFESTAÇÃO, UMA PASSEATA numa capital, de modo a apresentar nossa indignação. Talvez fosse um primeiro passo antes da greve. Como você mesmo sugere, Vitor, com apoio de empresas de comunicação, assessorias e estudantes de comunicação social. Já estaríamos "visíveis" e isso os faria pensar um pouco mais.

Tô dentro!
Kamilla Uhl

Anônimo disse...

Paralização, exigencias e incluo aí, nestas palavras de revolta, a atuação sindical dos jornalistas que deixam a nós, profissionais e sindicalizados, a deriva dos veiculos de comunicação que fazem o que querem nao pagam discídios, nao assinam carteira de trabalho com o ganho real, horas extras, periculosidade, etc e tal... Vamos ajir, vamos cobrar, vamos a luta agora e imediatamente. Alô AIC ?????

Cláudia Rangel dos S. Faria disse...

Concordo em parte e chamo a atenção para o que o Gilmar Mendes disse sobre dispensar diploma de outras profissões??? Talvez dispense a Advocacia para ser membro do STF.
Vale a pena conferir o artigo do jornalista guilherme belido sobre o assunto, que faz uma abordagem diferente, contraria o diploma mas é a favor dele. Está no seu blog www.belido.

Cláudia Márcia Rangel dos Santos Faria

Anônimo disse...

Vitor, não sou a favor de greve mas, minha indignação é tão grande que acho necessária uma manisfestação coletiva contra a decisão terrível do STF. É um absurdo. Os Sindicatos de todo Brasil, aliás, Sindicatos só não, todos os jornalistas deveriam comungar um horário de protesto através de um silêncio unânime, onde todos nós deveríamos PARAR mostrando o quanto fomos humilhados diante de uma ação tão irresponsável como essa. Seria uma manifestação em nível de BRASIL.

JH disse...

Vitor, muito se falou da "indigência intelectual" do arrazoado do relator (Gilmar Mendes?). Pois bem, a coisa não é menos pior do outro lado. Vi uma entrevista em que um representante da FENAJ, um tal de José Carlos Torves, dava chumbo grosso ao adversário (real ou imaginário). Vocês precisam ser melhor representados. O cara só não babou na gravata porque não tem boca.

carNAvalha disse...

Vítor, qualquer que seja a decissão a ser tirada desta discussão estou dentro.

Artur Gomes

Marcelo Bessa Cabral disse...

Acho o diploma importante e não concordei totalmente com a decisão do STF (para comentar futebol não deveria mesmo precisar de diploma, mas para edição, reportagens e afins, sim).
Só gostaria de lembrar que não é necessário ser advogado e nem mesmo formado em Direito para ser Ministro do STF (art. 101 da Constituição).

Rafael disse...

Marcelo, o que é necessário para ser Ministro do STF é possuir um estado, acho que Alagoas é de bom tamanho.

Com relação à discução, algumas dúvidas:

1- Paralizar faculdades de jornalismo adiantaria de quê?

2- Uma greve de jornalistas não seria algo utópico? Tendo em vista a enormidade de medrosos ou "puxa-sacos" que iriam furá-la?

3- Existe alguma outra alternativa para doer no bolso dos controladores da informação?

4- De que adiantariam passeatas e movimetações se a mídia marrom não vai divulgar, uma vez que é contra a linha editorial da grande maioria delas...

Essas são algumas dúvidas. Apesar de tudo estou com vocês. À disposição para o que der e vier. Pronto para assumir consequências, assim como já assumi mais de uma vez. Um abraço a todos.

Rafael Bretas

Anônimo disse...

Vitor, estou com vc pra qualquer decisão, não sou jornalista e sim publicitária, mas fiquei muito triste com essa decisão, sei da sua luta por diploma, que não é de hoje, mas greve de jornalista no meu entendimento não resultaria em nada, mesmo por que, para um bom resultado em uma greve é necessário muita mídia, quem ira cobrir o acontecimento? Mas acredito que devemos ir para as ruas sim, fazer muito barulho e demonstrar nossa indignação, estou as ordem para ajudar no que for preciso. Bjs Marta

Jane Nunes disse...

Vitor não vejo greve como alternativa em nosso caso, mas precisamos nos reunir e unir, como Ana, faço minha mea culpa, nem sei há quanto tempo não participo de uma assembléia...
Uma manifestação, que tal? colocar fogo resolveu o problema da Formosa, quem sabe não chamamos atenção fazendo uma grande fogueira com nossos " canudos"?

Carol Côrtes disse...

Vitor,
msm como futura publicitária, estou com vocês na luta pelo diploma. Apoio isso como comunicóloga e cidadã que acredita em um jornalismo sério.
Carol Côrtes

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