sábado, setembro 05, 2009

Para diretor do Monitor, a crise é da cidade e do mercado

Foto: Roberto Joia/Secom PMCG
“Aos que torcem pelo fracasso do Monitor [Campista], sinto muito decepcioná-los, mas não vamos desistir da luta!”. A frase é do diretor-secretário do jornal, Jairo Coutinho Maia, que fala pela primeira vez sobre a crise pela qual passa a publicação. Nesta semana, notas em blogs e conversas entre jornalistas repercutiram as demissões na empresa, entre elas as de cinco profissionais da redação.

Maia nega que a crise seja específica do jornal, atribuindo o mau momento a uma crise na cidade. No entanto, admite o peso da perda de 50% da receita do jornal após a retirada da publicação do Diário Oficial e insinua a existência de uma concorrência desleal.

O diretor falou ainda sobre a possível venda do prédio sede do jornal, sobre problemas técnicos e, utilizando um discurso religioso, chegou a afirmar que “infelizmente esta cidade está amaldiçoada”.

Confira a entrevista:

urgente! - Qual é o tamanho real da crise financeira pela qual passa o Monitor Campista? Qual foi a perda de receita?

Jairo Coutinho Maia - Estou há 16 anos no Monitor Campista. Desde que entrei, sempre ouço rumores referentes à crise do jornal, mas já se passaram todos esses anos, e eu ainda estou nesta batalha. O Monitor não está passando por crise, conforme os concorrentes e as pessoas ligadas à mídia estão falando. A cidade de Campos, sim, está passando por um momento muito difícil, que está atingindo não somente o jornal, e sim, vários outros segmentos do mercado.

urgente! - Que peso teve a perda do Diário Oficial nesta crise?
Maia -
As publicações do Diário Oficial de Campos representavam quase 50% de nossa receita. Serviço este praticado há mais de 100 anos ininterruptamente para a sociedade campista. O jornal até o momento não possui dívidas com fornecedores. Pagamos nossos impostos em dia. Todos os nossos funcionários possuem carteira assinada, conforme a lei trabalhista determina e atualmente recebem seus pagamentos com reajuste de 6% conforme determinação do sindicado.

urgente! - Houve alguma ação direta dos jornais concorrentes no sentido de enfraquecer o Monitor?
Maia -
Você sabe. Eu não preciso nem falar...

urgente! - Além das demissões, o que o jornal está fazendo para superar este momento?
Maia -
Sobre as demissões, quando cai a receita, os custos não caem, só aumentam cada vez mais. Então temos que fazer algumas mudanças e reestruturações. Vitor, quero deixar bem claro que em todos esses anos como funcionário do jornal, cumpro determinações de superiores, pois não sou dono. Fiquei muito sentido com as demissões em nossa equipe.

urgente! - O senhor confirma que está sendo estudada a possibilidade de venda do prédio sede do jornal?
Maia -
Não sou homem de mentira e nem falso testemunho. A direção enviou um representante para fazer avaliação do prédio. Não possuo nenhum laudo até o momento. Não sei qual a situação jurídica que isso venha a acarretar. A opção de venda precisa de ter uma aprovação dos Condôminos e Acionistas. Estamos constantemente vistoriando nosso patrimônio. Avaliar, até eu posso solicitar esta ação.

urgente! - Em pequena nota, o jornal anunciou que deixaria de circular em razão de “problemas técnicos”. Não teria sido mais transparente com os leitores se a verdadeira razão tivesse sido divulgada?
Maia -
Vitor, estão havendo, desde o início do mês de agosto, problemas técnicos em nossas máquinas, no Rio de Janeiro. Estamos com duas torres de impressão queimadas, peças de difícil reposição. Inclusive o jornal está sendo fechado mais cedo para que o leitor continue recebendo seu exemplar pela manhã. Nem com isso nosso conteúdo sofreu qualquer queda, porque possuímos uma equipe competente.

urgente! - O Monitor Campista não é um jornal qualquer. Ele pode ser considerado um patrimônio histórico. O senhor não pensa em mobilizar a sociedade em defesa de um veículo tão tradicional?
Maia -
O Monitor Campista é um patrimônio histórico e cultural brasileiro. Temos certeza que esta situação é provisória. Pois eu creio em um Deus vivo, que remove montanhas. Vitor, infelizmente esta cidade está amaldiçoada. Enquanto houver pessoas sem palavra, falsas, corruptas, teremos aflições. E a confirmação disso, é a bíblia que diz: “No mundo tereis aflições, mas tendes bom ânimo”. Eu tenho combatido o bom combate! Tenho certeza que Deus não nos desamparará.

urgente! - Esta não é a primeira crise pela qual passa um jornal de 175 anos. A preocupação que setores da sociedade demonstram agora seria em razão do crescimento que o jornal teve nos últimos anos?
Maia - A crise que tanto se fala é mundial, e está afetando todos os veículos impressos. Ninguém está a salvo. O Monitor Campista está incomodando muito aos concorrentes. Não posso evitar as comparações que a sociedade faz em relação aos jornais. O leitor é quem escolhe. Apesar das críticas à minha pessoa, em matérias e notas publicadas, recebo constantemente propostas de emprego nos concorrentes. Mas todos me conhecem. Conhecem meu caráter e dignidade e sabem que vou continuar lutando pelo jornal.

urgente! - Como o senhor avalia o mercado publicitário em Campos? A cidade já teve cinco jornais diários em circulação simultânea. Agora tem três. Será que este número ainda é elevado?
Maia -
O mercado comporta todos, desde que se cumpram as regras. Há jornais na região que não possuem IVC - o índice que verifica a circulação - , praticam valores conforme o cliente e não publicam suas tabelas de preços. Não há uma divisão de verbas por parte das agências publicitárias, muitas delas não possuem o CENP. Não existe fiscalização! Há veículos que recebem verbas oficiais, mas não possuem sequer um registro na ANJ.

urgente! - A dificuldade financeira é uma questão conjuntural, de momento, mas há outros fatores de longo prazo que estão colocando os jornais impressos em uma situação delicada. Como o senhor avalia, por exemplo, o impacto da internet na disputa por leitores?
Maia -
Vitor, para se manter um jornal, sem uma emissora de rádio ou uma emissora de televisão que ajude a cobrir os custos operacionais, é muito difícil. Para superar as dificuldades, o cara tem que trabalhar muito! Com o advento da internet, as notícias chegam primeiro que o exemplar do jornal. O jornal passa a ser uma confirmação do fato para os leitores. Hoje a internet é a nossa maior aliada, através dela o Monitor Online; está perto de milhares leitores através das newslletter, do móbile e também do twitter. Apostamos neste novo caminho, inclusive o Monitor Campista é o único jornal do interior do Estado acessível no Newseum, onde estão os maiores e mais respeitáveis jornais do mundo. Com todas as dificuldades, injustiças e perseguições, tenho conseguido gerar emprego nesta cidade. Deus tem me proporcionado tranqüilidade para resolver todos os problemas. Aos que torcem pelo fracasso do Monitor, sinto muito decepcioná-los, mas não vamos desistir da luta!

6 comentários:

zebulom disse...

Torço pelo Monitor Campista e penso que não se deve entregar os pontos assim. Entendo o entrevistado estar angustiado mas gostaria de dizr ao mesmo que já que Ele confia no Deus Vivo deve te suas palavras condizentes com a confança depositada. Jesus Cristo está com a chave da Cidade. Jesus Cristo jamais amaldiçoaria uma Cidade. Penso que quanto mais dizemos palavras de maldição mais essas palavras nos acompanham. Não a CIdade de Campos não está amaldiçoada. A CIdade de Campos está abençoada. E Monitor Campista está debaixo destas bênçãos.
Na ternura de Cristo

Zebulom.

PS
( Vitor,desculpa eu voltar aqui, mas vim só para abençoar o Monitor Campista e dizer que Jesus ama fazer algo singular quando tudo está perdido. Assim eu creio.)

olha a palavrinha:
povadess

Se tivermos humildade e palavras boas...

Jane Nunes disse...

"Aos que torcem pelo fracasso do Monitor, sinto muito decepcioná-los, mas não vamos desistir da luta!"
Mas não vamos mesmo!

Anônimo disse...

NÃO DESISTAM!
Vcs TEM EXCELENTES PROFISSIONAIS.
NÃO OS DEIXE AO VENTO!
Se preciso for,converse com eles,troquem idéias...
sei q ninguém consegue sobreviver com NENHUM dinheiro,mas com ALGUM e com DIGNIDADE,TODOS CONSEGUEM!
Veja só o q encontrei num BLOG.
E VOU DIZER:ESSA PESSOA É FORMADA,pela FAFIC,em COMUNICAÇÃO SOCIAL,mas como não é COMPETENTE,na sua ÁREA.
OLHA O Q FAZ e ONDE FAZ!

"Republico o trecho da infeliz comparação feita pela subsecretária de Educação, Aline Ferreira:

“A subsecretária de Educação, Aline Ferreira, fez o pronunciamento declarando a importância de Dom Pedro I, ao instituir o Dia do Fico, em nove de janeiro. Para ela, a permanência dele no Brasil, na ocasião, deu início a uma nova história de luta e coragem do povo brasileiro. A subsecretária comparou o fato histórico à atual conjuntura política e social de Campos. "A prefeita disse sim ao município e o povo disse sim a ela, reiniciando o processo de libertação e independência desta cidade"


DESISTIR JAMAIS!
É MUITA LOUCURA!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Anônimo disse...

Não entregue os pontos facilmente às aqueles querem o fim do Monitor Campista. Garotinho quer fazer prevalecer somente a sua voz, e para isso ele usa o jogo sujo.
Não desanime.

Fátima Nascimento disse...

Vida ainda mais longa ao centenário Monitor Campista. Ao Jairo Maia meu abraço encorajador. Estive por cerca de dois anos naquele jornal, período mais que o bastante para comprovar que sua equipe é valorosa e seu dirigente um guerreiro. Avante!

zebulom disse...

É isso aí! Isso msmo! Vamos MOnitor Campista! Campos é terra de gente de Jornal... de comunicação... de avisar... de proclamar... de ensinar.. de compartilhar..
E qiue nenhum gaotinho e nehuma menininha seja conta jornal nenhum.

Temos que ter todas as leituras.
Monitora aí, Campistas! Monitora com palavras boas para o Monitor! vamos gente! abençoar o Monitor Campista!

As palavras tecem!
Eu abençôo o MOnitor Campista! Com todas as bênçãos para todos os funcionários e diretores.
Levantema cebeça, olhem para Cima avistam Jesus peçam ajuda e...
botem para valer!

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