domingo, setembro 20, 2009

Nove meses de gestação municipal

Quando sair setembro, nove meses terão se passado desde que a primeira mulher a tornar-se chefe do Poder Executivo em Campos dos Goytacazes foi empossada. A analogia com uma gravidez é, portanto, inevitável. Assim como é tentador o trocadilho infame segundo o qual apenas um garotinho nasceu desta gestação municipal.

O assunto é pauta do programa “Mercearia Campista”, do qual participo junto aos “sócios” Álvaro Marcos, Ricardo André e Gustavo Oviedo. Gravado na última quinta-feira, vai ao ar a partir da segunda, 21, às 22h, na Mult TV (Canal 8 da Viacabo).

Para o exame de ultrassom deste período havia dois procedimentos possíveis: o de comparar ou o de não comparar com o governo anterior, do prefeito Alexandre Mocaiber. Se adotado o primeiro método, não é difícil encontrar melhoras significativas – ao menos há um governo e uma prefeita. Mas se a opção é pelo segundo modo, constata-se uma gravidez de alto risco.

É que os sinais apresentados até o momento não apontam para nada de novo. Enquanto problemas crônicos permanecem intocados – como a falta de zelo com a cidade, a contratação indireta por meio de terceirizações, o descaso com o patrimônio histórico, a ausência de mecanismos de participação da sociedade nas decisões, a inexistente transparência nos gastos públicos e os péssimos serviços de saúde e educação prestados à população – a mesma velha política conservadora dá o tom das ações do governo.

A cidade continua sendo pensada para os carros. O desenvolvimento continua sendo pensado para as empresas. E o poder público continua sendo visto como oportunidade para a apropriação de benefícios privados.

Não se viu, nestes nove meses, um anúncio sequer que apontasse para algo novo no cenário municipal, ainda que fossem práticas já comuns em outras cidades. Em nenhum momento a prefeita veio a público dizer algo assim: “até 2012, Campos terá 150 Km de ciclovias. E todas as principais ruas da cidade passarão por adaptações para criação de faixas para os ciclistas”. Ou, quem sabe, algo como “Até o final do ano terão sido replantadas duas mil árvores em locais onde houve corte nos últimos anos, e distribuídas outras duas mil mudas para novos pontos. A expectativa é dobrar a arborização em dois anos”.

Quem sabe ainda um “Este programa de redefinição das linhas de ônibus, qualificação da frota e estímulo à adoção de biocombustível, associado à implantação de trens urbanos, pretende reduzir o ritmo de crescimento do número de carros nas ruas da cidade”. Ou, para sonhar mais um pouco: “O programa municipal de revitalização histórica firmou parcerias com o Ministério da Cultura e com a iniciativa privada para recuperar todos os prédios históricos do município. O Solar dos Ayrizes e o Solar da Baronesa serão os primeiros contemplados”.

Nada assim foi visto nestes nove meses. Mas ainda há tempo para novas gestações.

[Artigo publicado hoje no Monitor Campista]

6 comentários:

Anônimo disse...

Não tenho dúvidas de que este governo seja pior do que do Macabro, até porque este governo criou na população a falsa expectativa da mudança. Além disso, nunca tinhamos visto antes, uma transferência de recursos do poder público para iniciativa privada como agora, seja no repasse para as empresas de ônibus, seja nas terceirizações de serviços fins da administração.
E o pior é que vamos ter aguentar mais 20 anos, não tem oposição.

Anônimo disse...

Parabéns, muito bom o texto. Dias atrás estava no calçadão, quando ouvi a seguinte frase: "Esse governo é realmente da mudança, no governo Mocaiber, o Procon tinha o melhor secretário da Prefeitura, agora no governo Rosinha, o Procon tem o pior sercretário da Prefeitura." É a pura verdade!

Rosângela disse...

Olha anônimo, eu penso que ainda tem oposição sim. Pelo menos nos municípios, por enquanto. A Mercearia não é? Muitos blogs não são? Como não tem oposição? Não existe "não ter oposição". Se tem uma pessoa pelo menos pensando diferente, pode fazer a diferença.

Agora... uma pergunta:
Que tipo de oposição? Isso que deve ser bem colocado. Oposição que cobra o "tudo o que não for bom para o Município? Ou oposição sem causa clara?

Quando a Marcearia, por exemplo, coloca suas questões, são questões para se pensar. É isso aí. A questão hoje não é mais ser ou não ser oposição. É ser ou não ser a favor do que é bom ou mal para o Município.Para a população do Município.

Ora, deveríamos voltar então ao regime de Ditadura. Pois se houve uma eleição e esta foi ganha no voto, temos que fazer de tudo para que estes votos não tenham sido em vão.

Política na visão de Maquiavel é poder pelo poder, independente de quem vem pela frente, se está ou não fazendo o bem e se estiver fazendo mal melhor ainda.

Política na visão de tecnicistas é coisa para ser vista com tecnica, com números, com precisão, mesmo que não funcione na prática.

Política na visão do povo é casa para morar, comida para comer, trabalho para trabalhar, filho na escola, segurança nas ruas, remédio barato, médico quando estiver doente, (pois não pensam em medicina preventiva) e por aí vai.

Quanto a oposição, nem no mundo tem "oposição", pois a globalização está aí para mandar e desmandar usando toda a informática ao seu favor. Ou o Lula estaria tão bem nas paradas?

Vou parar, para não tomar o lugar de outros.

Rosângela disse...

Ah! Em tempo!:)

http://www.youtube.com/watch?v=lQ99wZPAncA

Rosângela disse...

Por falar nisso( que está no vídeo..), por que não temos mulher na Mercearia? Agora que me dei pela "coisa"... Ora, se temos uma prefeita, deveríamos ter na Mercearia( digo deveríamos porque eu me sinto freguesa) mulheres, pelo menos duas, né? Não tem jornalista mulher por aí, para dar aquele "ton" tão cantado pela Rita lee? ^^ ~~ ;)

Hum... olha a palavrinha???
"cheos"

O quê?? Já estão cheios delas? Tão cedo assim? Poxa!

Anônimo disse...

zzzzzzzzz

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