domingo, outubro 25, 2009

O release aceita tudo

“A prefeita Rosinha Garotinho determinou”, como gostam ou são obrigados a dizer os secretários municipais, o início das intervenções no Centro da cidade, no início de 2010, com o objetivo de revitalizar a área. Menos mal, mas só acredito vendo.

uma consulta rápida ao site da Prefeitura é possível encontrar peças de propaganda, travestidas em linguagem jornalística (os releases), que datam, como no exemplo abaixo, de setembro de 2006, sem que praticamente nada tenha sido feito:

“A Prefeitura de Campos inicia este ano três grandes obras no Centro da cidade. A afirmação é do prefeito Alexandre Mocaiber, que apresentou os projetos junto com a secretária de Planejamento, Silvana Castro, nesta sexta-feira, dia 15, em um almoço, com os comerciantes da área central da cidade, na Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL)”. Não é uma beleza?

E ainda: “Segundo a secretária estão em fase de licitação as obras de reurbanização das praças da Bandeira, República [esta, agonizou, sangrou os cofres públicos, e parece que agora vai] e a revitalização da orla da margem direita do rio Paraíba, no trecho entre a ponte da Lapa e rua Barão de Miracema. Para a praça da Bandeira, localizada em torno do Palácio da Cultura, o projeto prevê a construção de calçadas com proteção de pedras, revitalização do lago, construção de novo jardim e de um playground, além de nova iluminação”. Incrível, não?

No final, após falar dos muitos pontos que “passarão” por modificações, o texto continua: “As obras de revitalização do mercado municipal foi outro projeto apresentado durante o almoço com os comerciantes do Centro. O início das obras depende da desapropriação de uma área no Centro da cidade, para a construção de um novo Shopping popular. “As bancas dos camelôs vão ser transferidas para uma área próxima a rua Barão do Amazonas. O local onde, atualmente, abriga, o camelódromo vai abrigar a feira livre, onde será construído um amplo calçadão coberto com lona tencionada. Vai ser retirada toda cobertura metálica e no lugar vai ser feito um estacionamento com capacidade para 85 veículos”, explicou Silvana.”

Voltando ao presente, do que foi anunciado até agora, me chama a atenção uma preocupante concentração de comércios informais sob a ponte que – até hoje, de modo inadmissível – leva o nome da prefeita e ex-governadora. Isso não é o que se pode chamar de uma medida sensata e, muito menos, de revitalização. Por outro lado, uma boa notícia é da instalação subterrânea da rede elétrica e telefônica.

Mas, de modo geral, fica sempre aquela sensação de que as intervenções são rasas, arbitrárias e conservadoras (no sentido político). A sociedade que, entre outras vozes, mantém as de três escolas de arquitetura (IFF, Uniflu-Fafic e Isecensa), um mestrado em planejamento regional e gestão de cidades (Ucam), além de ONGs, associações e outras universidades, não é ouvida.

O que se espera, no entanto, é que a revitalização do Centro de fato aconteça. E que seu anúncio atual não possa ser aqui lembrado como blefe daqui a três anos.

[Artigo publicado na edição de hoje do Monitor Campista]

3 comentários:

Rosângela disse...

É isso aí VItor. Seja a palavra "sim, sim. Não, não". O que passar disso é de procedência maligna.

Por que maligna? Porque tudo o que Deus não faz é o capeta que faz. Não tem esse de meio termo e de relativismo, não.

Ou é, ou não é.

É por causa desses "sim, não" e "não,sim", que muitos estão perdendo a identidade.

Tem gente que gosta de ficar só no debate. E o pior, ainda deixa uma brecha para o debate continuar. E tome debate... ( E já falei mais "bate" que "dê".
Réplica, tréplica "quadréplica", "quintéplica" e por aí vai infinitamente...

E o pobre cada vez mais pobre...
E os sem casa, sem rua, sem pão, sem árvore, sem flor, sem paisagem, sem urbanisco, sem via de ciclista, sem isso e sem aquilo, apenas...
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:(

...ali...
esperando as soluções debatidas em réplicas e tréplicas intermináveis de intelectuais que não chegam a nenhuma conclusão... afinal... Tudo é relativo... e o debate tem que sempre continuar...

Este governo de Campos não pode brincar. PROMETEU TEM QUE CUMPRIR. ENTÃO NÃO PROMETE. E com DEUS NÃO SE BRINCA.

Outra coisa quen tem que acabar no Brasil, são obras caras para ingrafunhar dinheiro. As coisas podem ser simples e lindas. Vamos acabar com isso. É outro engano.


iiiiiiiiii
olha a palavrinha Vitor:

ingatyi

i acho que agora vai, Vitor.
"Ingatou..."

iii kkkkkkkkkkkkkkkk

E vamos fiscalizar sim

Claudiana disse...

Oi, Vitor!

É bom lembrar que a instalação subterrânea da rede elétrica e telefônica não é nenhuma inovação do governo cor de rosa, mas sim uma determinação legal, nos termos da "LEI Nº 5340, DE 1º DE DEZEMBRO DE 2008:


DISPÕE SOBRE A COLOCAÇÃO DE INSTALAÇÃO SUBTERRÂNEA NO ÂMBITO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.


A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

D E C R E T A:


Art. 1º As concessionárias de serviços públicos de energia elétrica e telefonia, no âmbito do Estado do Rio de Janeiro, ouvido o município detentor do uso do solo em que a rede estiver instalada, deverão modificar, no prazo máximo de 10 (dez) anos, a instalação aérea existente nas vias públicas para instalação subterrânea.

Art. 2º Os novos projetos de instalação que vierem a ser executados já deverão ser por via subterrânea.

Art. 3º As despesas com a modificação da instalação de energia elétrica e telefonia correrão por conta exclusiva das concessionárias de serviço público, ficando vedada qualquer cobrança aos usuários.

Art. 4º Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogando-se as disposições em contrário.

Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, em 1º de dezembro de 2008.


DEPUTADO JORGE PICCIANI
Presidente"


Abraço.

Vitor Menezes disse...

Obrigado, Claudiana. Não conhecia esta lei. Abração.

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