quarta-feira, outubro 14, 2009

"É preciso reconceituar o jornalismo"

"Não faz mais nenhum sentido chamar de Jornalismo o que fazem as corporações de mídia. Quem se preocupa com o lucro em primeiro lugar não é uma instituição jornalística. Não pode ser. Quando uma empresa passa a ter como principal meta o lucro, essa empresa pode ser tudo, menos uma instituição jornalística. E aí não importa a quantidade de estrutura e dinheiro disponível, pois a prática jornalística é de outra natureza. Exemplo: eu posso passar uma semana no Complexo do Alemão com um lápis e um bloco de papel. Posso chegar até lá de ônibus. Posso bater o texto num computador barato. Mesmo assim, se a publicação para onde escrevo for jornalística, vou ter mais condições de me aproximar da realidade do que uma matéria veiculada pelas corporações de mídia.

(...)

Isso precisa ficar bem claro. Claro como a luz do dia. Para que as corporações pareçam ridículas quando proclamarem delírios do tipo: “somos democráticas”, “únicas com capacidade de fazer jornalismo”, “imparciais” e por aí vai. Fazer Jornalismo não tem esse mistério todo. Em síntese, é você contar uma história. Essa história deve ter alguns critérios que justifiquem sua publicação. Alguns deles aprendemos nas faculdades e são válidos; outros são ensinados, mas devem ser vistos com cautela. E outros simplesmente ignorados. Mas, no fundo, o importante é ser fiel ao juramento do jornalista profissional: “A Comunicação é uma missão social. Por isto, juro respeitar o público, combatendo todas as formas de preconceito e discriminação, valorizando os seres humanos em sua singularidade e na sua luta por dignidade”.

Essa frase, quase uma declaração de amor, não é minimamente observada pelas corporações de mídia. Vejamos: elas não têm espírito de missão, não respeitam nada, nem as leis, estimulam o preconceito, discriminam setores inteiros da sociedade, violam os direitos humanos e não sabem o significado da palavra “dignidade”.

De Marcelo Salles, na Caros Amigos, aqui.

6 comentários:

agitadorcultural disse...

Acho que a questão da ética no jornalismo, assim como na publicidade ou na advocacia é algo muito complicado. Admiro quem consegue não se vender. Mas vejo "profissionais" destas áreas que não tem nenhuma vergonha de dizerem que fazem isso ou aquilo dependendo de quem paga mais.

Vitor, mudando de assunto, gostaria de uma opinião sua, quem sabe num post, sobre o R7 da Record.

abraço

Rosângela disse...

Vitor,
Basta o que passei pelos blogs. Nunca poderia imaginar passar o que passei aqui em meio a pessoas esclarecidas. E o pior: Usando de atitudes baixas.
Nunca poderia imaginar isso entre intelectuais. Sinceramente.

Abçs
Rosângela

hum...

olhs o escovÔmetro...
dentspu

"Dentes? Só Pessoas Unem

(não esquecer que dentes significam relacionamentos, no profético)

Marcelo Bessa Cabral disse...

Oi, Vítor.
Realmente há pautas guiadas por outras lógicas que não a da informação pura e simples.
Tem uma postagem minha programada para amanhã que, por coincidência, fala sobre esse mesmo tema, embora sob uma ótica um pouco diferente.
É sobre um jornalista de renome nacional que partidariza a informação e se diz democrático, mas não ouve os dois lados antes de apresentar as notícias e chama todo mundo que não concorda com ele de "imprensa golpista": na minha opinião isso não é jornalismo.
Um abraço.

Anônimo disse...

Admito que fiquei curioso para saber a opinião do tal do Marcelo sobre o que ele acha que é o jornalismo. Quero ver se ele entende tanto de comunicação social quanto entende de golpe de estado, afinal, deve ser o único portador de diploma de direito que diz que o que aconteceu em Honduras é "legal", a despeito da interpretação dos maiores juristas brasileiros e internacionais. Reaça de pai e mãe é isso aí!

Marcelo Bessa Cabral disse...

Pelo menos eu assumo o que digo: não me escondo atrás do anonimato - que, por sinal, é proibido pela Constituição (ah, sim, sou reacionário e provavelmente é mentira minha que isso está na Constituição)...
Não escrevi nada que seja tanta novidade assim, não. Mudei de opinião (eu achava que era golpe, sim) depois que analisei o que está escrito lá na Constituição de Honduras. Basta ler. Aí, concorda quem quiser e discorda quem quiser...
Acho que ainda posso me expressar... mas se A, B ou C não gostam da minha opinião, paciência: eu defendo valores democráticos.

Rosângela disse...

Será que temos que concordar com a maioria? Não temos que ir às fontes?
No início a gente fica muito sozinho na opinião, mas depois, com as várias leituras de todos, indo às fontes originais e fazendo a leitura de mundo, podemos perceber que não estamos mais tão sozinhos.

É preciso ter muita coragem para nadar contra a corrente e mostrar a todos que " não é bem assim...".

E é preciso mais coragem ainda para dar a opinião mostrando a identidade.

É muito fácil ficar no anonimato para trazer confusão...

O povo merece que alguém nade contra a corrente para que ele tenha acesso à Justiça realmente justa.

Que se levantem pais e mães no Brasil, cheios de Jesus Cristo, como pais e mães que reajam a essa legalização do fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal que mais leva à morte do que à Vida!

Não importa se é coisa de maioria ou de minoria, importa que seja VIDA

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