sexta-feira, maio 07, 2010

Revistas ladeira abaixo

"Tomemos a título de ilustração a revista semanal de maior circulação no Brasil, Veja. Em uma edição com cerca de 116-128 páginas ao menos 34-38 páginas inteiras serão apenas publicidade, do início ao fim. Acrescente-se 11-15 páginas com propaganda cobrindo 1/3 das páginas e 4-6 páginas com 50% de seu conteúdo vendendo produtos, anunciando empreendimentos, reforçando imagem institucional de empresas.

Esse amontoado de informações pode ser mais bem apreendido da seguinte forma: são cerca de 42 páginas inteiras de publicidade por edição de Veja. E isto não inclui os cadernos publicitários que tanto engordam a revista quanto aumentam sua receita mensal. Os campeões da demanda por publicidade em Veja (e em outras similares) são o governo, os bancos, os fabricantes de carros.

É um equilíbrio frágil. Se qualquer um dos três maiores anunciantes, como acima descrito, deixar de dar as caras em uma ou duas edições da revista o baque é sentido de imediato – o mesmo baque que um assalariado sente quando vai conferir o saldo bancário e descobre que o saldo não está lá essas coisas e, o pior, que os cheques maiores não foram ainda compensados.

Na questão de assinaturas, o que posso dizer é que a situação parece estar pra lá de crítica. Promoções das revistas para angariar novos assinantes oferecem de iPods à promessa de transformar "seu computador em uma televisão", de duas camisas personalizadas da seleção brasileira de futebol a assinaturas totalmente grátis de quatro outras revistas semanais editadas pelo mesmo grupo editorial, além de descontos de 20%, 22% e até 45% se o pagamento foi assim e assado.

Acho que o manancial de idéias criativas para brindar futuros assinantes está já em seus estertores. Falta apenas que esta ou aquela semanal ofereça como brinde um carro 0 km, um mês inteiramente grátis em Las Vegas, com ingressos inclusos para assistir o espetáculo "The Beatles – Love" montado pelo Cirque Du Soleil, ou então o envio 100% grátis de um iPad 64 gigas, 3G. No mais, não sei mais o que poderia ser inventado para fisgar a inteligência alheia."

[De Washington Araújo, em artigo no Observatório da Imprensa, íntegra aqui.]

Um comentário:

Marcelo Bessa Cabral disse...

"Fisgar a inteligência alheia"?
Eles querem vender a revista, apenas. Em qualquer área é assim...

users online