sexta-feira, setembro 24, 2010

Capa do Extra não tem nada demais


Analisando friamente, a capa do Extra de hoje é compatível com o perfil editorial do jornal. Muita gente chiou, mas não vi motivo para tanto alarde. Vez por outra os impressos, que estão em declínio, precisam fazer um alvoroço gráfico para mostrar que ainda existem. Não vi nada demais, talvez apenas algo um pouco melancólico para o jornalismo tradicional.

A mensagem é simples e acessível ao leitor médio do jornal. E não se questiona o direito que uma publicação tem de defender a liberdade de imprensa, mesmo nos momentos em que ela não esteja sendo de nenhum modo atacada, como agora.

O que creio mesmo é que estamos em um bom equilíbrio institucional: governo legítimo, popular, bem avaliado e com bons resultados, e imprensa em franca oposição, como deveria ser sempre.

Creio ainda que governo que não quer conviver com denúncias em véspera de eleição — de uma mídia "golpista", "canalha", "vendida" ou qualquer outro sinônimo contestador — deve cuidar para que os casos que as propiciam não aconteçam. Mesmo o mais entusiasta lulista deve admitir, lá no íntimo, que ainda há muita tolerância com o intolerável.

6 comentários:

João Ventura disse...

Gostei muito da capa. Apesar de não concodar com a chiadeira do jornal, devemos louvar a criatividade dos editores. Aliás, tá faltando isso no jornalismo impresso que, infelizmente, só procura diferenciar quando está mal das pernas.

Anônimo disse...

Blogueiro, com a sua boquinha no sindicato dos petroleiros não dá para falar mal de Lula, né? Quanta análise, quanta isenção...

Neto disse...

Bacana!
Gostei muito da última frase, Sr. Menezes. Os eleitores de Lula e do PT, em sua maioria, tem se mostrado um pouco intolerantes (para dizer o mínimo) com quem não vota na Dilma.
Grande abraço deste ex-eleitor petista que não tolerou mais o intolerável.
Saudações alvinegras

Marcelo Bessa Cabral disse...

Que motivo (falo de motivo sério, defensável) alguém teria para reclamar da capa do jornal?
Fala sério!
A capa não tem nada demais: apoiado, Vítor!

George Gomes Coutinho disse...

Caro Vitor,

Me preocupa, sinceramente, é a imprensa se apresentar enquanto "polícia moral" enquanto constrói sua legitimidade defendendo que faz uma atuação "neutra" e/ou "imparcial".

Eis o ponto do debate.

Infelizmente não poderei me alongar. Mas o farei tão logo seja possível... acredito que o debate sobre a imprensa deve prosseguir após as eleições.

O papel de uma oposição é previsto dentro do sistema político e seus agentes: movimentos sociais, sindicatos, partidos. Juro que até então eu compreendia que o papel da imprensa era informar...

O chamado "jornalismo de opinião" deve se apresentar enquanto tal, de forma explícita.... Assumir esse rótulo implica honestidade, algo que passa ao largo da atuaçao da imprensa brasileira. Me parece que 90% da produção da mídia é "jornalismo de opinião" travestida de mera e imparcial produção de informação.

Em suma: esse debate deve ser pensado seriamente, inclusive pensando qual o papel real da imprensa no aperfeiçoamento das instituições democráticas.

Abçs

Ralf disse...

Até gostei da capa.

Temos um imprensa normal, talvez chata às vezes, mas normal.

Falar que a imprensa é golpista é rídiculo.

Mais ridículo que isso só as manifestações de apoio ao presidente quando ele falou mal da imprensa.
Não é porque eu gosto do Lula ou do PT que tenho que babar-ovo de tudo que o Lula fala, até porque eu msm sei que o Lula fala muita merda...rs

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