sábado, fevereiro 05, 2011

Perambulâncias de férias - 2

As saudosas férias ficaram lá em janeiro, mas algo ainda ficou por comentar na série Perambulâncias. Dessa vez sobre Natal. É o seguinte:


1 – Autores locais



Havia visto algo semelhante em livrarias de Belo Horizonte e em Floripa. E é claro que há espalhado por várias cidades. Ainda assim, me causa sempre satisfação ver autores locais sendo valorizados pelo comércio e pelo poder público.

Em Natal, os escritores regionais merecem seção específica no Centro de Turismo. Além disso, a prefeitura faz campanha para estimular que a troca de presentes de fim de ano seja feita com livros de autores locais. Encontrei um panfleto da campanha em um restaurante.

Em Campos, conheço três experiências sobre o assunto, duas boas e uma ruim. A primeira boa foi da Biblioteca do Palácio da Cultura, que manteve uma sala exclusiva para autores campistas (não tenho certeza se ela ainda existe). A outra é do Livro Verde, que dedica algumas prateleiras também para escritores locais. A ruim é de uma livraria do Centro de Compras da Pelinca, onde fui informado certa vez, quando fui deixar livros do Terra Plana para venda, que a loja não vende livros de autores campistas (a menos que seja como um destes Best-sellers de aeroporto, claro). Minha vingança secreta foi saber ali estava, ao menos, o universal José Candido.

Mais sobre a campanha de valorização do escritor potiguar, aqui.

2 – Penitenciária que vira ponto de cultura





Por falar em Centro de Turismo, vale o registro de que o local funciona, desde 1976, em um prédio onde funcionou uma Casa de Detenção, mantendo, claro, as celas, grades e demais características arquitetônicas. No Centro, todas as quintas, acontece o forró com turista, um dos mais tradicionais da cidade. Algo semelhante já foi feito em várias outras penitenciárias Brasil afora, com diferentes utilizações, quase sempre culturais. Em Campos, já ouvi falar em projeto de nova utilização para a penitenciária do centro, ao lado do Hospital Ferreira Machado, mas ainda teremos que aguardar. Em São João da Barra, a antiga cadeia pública foi restaurada e está bem bacana.

Mais sobre o Centro de Turismo de Natal, aqui.

3 – Diário Oficial preserva memória de jornal histórico



O Diário Oficial do Rio Grande do Norte funciona no prédio de A República, onde também há um museu da imprensa e o jornal Nós, do RN. No local está todo o acervo do A República, fundado em 1° de julho de 1889. Não consta que houve protesto em relação ao fato de que dinheiro público tenha sido utilizado para preservar a memória de um jornal que nasceu na iniciativa privada, e nem que o Diário Oficial circule vinculando-se ao seu título. Parece algo familiar?

Mais sobre A República, aqui.

4 – Ponte com funcionalidade e beleza



O preço foi salgado: R$ 195 milhões (R$ 45 milhões do Ministério do Turismo e o restante de empréstimo do BNDES e recursos próprios do governo do estado). Não tenho a mínima condição de afirmar se é muito ou pouco. Mas me chamou a atenção como uma ponte, que poderia ser apenas mais uma, com o óbvio propósito de unir dois lados da cidade, foi feita com o cuidado de se transformar em mais um cartão postal (como acontece, a propósito, em muitas partes do mundo). A bela “Ponte de todos” foi inaugurada em 2007, construída para dinamizar o turismo e desenvolver o litoral norte do estado.

Mais sobre a Ponte de Todos, aqui.

5 – Marketeiros que só eles


Ninguém discute a beleza das praias do Nordeste e de outras atrações turísticas. Mas, por outro lado, o povo sabe se “vender”. Tudo é “coisa mais linda”. Pegamos uma guia que a todo instante dizia: “minha cidade não é a mais linda do mundo”? E tudo é “o mais antigo”, “o maior do mundo”, “o maior do Brasil”. Faz parte do roteiro, por exemplo, conhecer a Ponta do Seixas, o “Ponto oriental mais extremo das Américas”, na Paraíba. Tem muito turista que sai do local sem entender bem do que se trata. Ouvi um explicando para a esposa, em tom professoral, que se tratava da praia mais ao norte do Brasil. Em todo caso, muitos experimentam “o coco mais oriental das Américas”, ainda que ele tenha vindo do mesmo lugar que todos os demais da região.

6 – Furada dromedária



Não andei nos tais dromedários. E não me arrependi. O passeio nos bichos fedorentos (que nada têm de relação com a realidade local e foram importados das Ilhas Canárias só para virar atração turística) custa R$ 35 por pessoa e é uma tremenda furada. Trata-se apenas de uma rápida voltinha para bater fotos e só (do contrário, creio que ninguém suportaria).

Mais sobre os dromedários importados, aqui.

7 – Em bom português

Trocadilhistas que só eles, os potiguares fazem troça de tudo. Sabe como eles chamam o maior shopping da cidade, o Midway Mall? Claro: “Me dei mal”.

Fotos: Vitor Menezes

6 comentários:

Álvaro Marcos disse...

"Campanha de valorização do escritor potiguar". Numa frase, resumiram todo o pertencimento literário do lugar. Muito diferente daqui, onde um dos maiores escritores regionalistas do país, reverenciado Brasil afora, é nome, apenas, de uma Casa de Cultura num distrito. Ah, quanta diferença...

Álvaro Marcos disse...

OPS, a frase correta é "Campanha de valorização da literatura potiguar". Mas dá no mesmo, vai...

Álvaro Marcos disse...

Imagino se lá, no Rio Grande do Norte, além de um José Cândido de Carvalho, na literatura, eles "tivessem" um Didi, do futebol. Provavelmente seria nome até de cidade. Ah, aqui, é batismo de ginásio de fundos da Fundação de Esportes.

Angeline disse...

Uma ótima retrospectiva de férias e com um sabor maravilhoso de exemplos gritantes que devem ser seguidos.
FUi a natal há uns 10 anos e não havia dromedários, mas jegues.

Vitor Menezes disse...

Pois é, seu Álvaro e dona Angeline. Mas, esqueci de comentar: Natal também tem duas coisinhas iguais a Campos: calçadas péssimamente conservadas e transporte urbano ruim (rs). Abraços!

Auci disse...

Ê vidão... cabanãomundão!

O bom é que a gente vai lendo e passeando junto. Já até me cansei da férias?! rsrs!

ah, bacana o lance da campanha... muito bacana!

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