sábado, janeiro 05, 2013
Waldir Pinto de Carvalho em quadrinhos
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sexta-feira, abril 15, 2011
[mucufo]
Como o Atari salvou minha infância ou Como ganhei meu primeiro - e único - video game
Em 1983 a febre do video game Atari caiu como um petardo na minha cabeça. No princípio ignorei, mas depois foi impossível. Um ano depois apelei para minha avó, pais, padrinhos, tios, e nada... o sonho de ter um vídeo game era cada vez mais distante. Na época eu estudava em um renomado colégio da cidade. Uma escola pública, mas que por ter mais de 100 anos era muito tradicional e abrigava dos moradores da favela aos projetos de playboys que na época já existiam. Nem preciso contar como minha vida era complicada por lá, mas isso é outra história.
O que interessa aqui é que eu descobri na contra capa de uma revista em quadrinhos da editora Abril que os chicletes Ploc estavam dando 150 vídeo games Atari. Pois é, comprei centenas de chicletes, e o número não é fictício, comprei e catei no lixo muito papel de chiclete para enviar por carta para a Ploc na esperança de ganhar um vídeo game.
Pois é, em uma manhã cinzenta os Correios bateram na minha porta. Minha mãe foi atender pois era algo que tinha que ser assinado. Eu vi o nome ploc de longe, mas aquele pacote era muito pequeno para conter um vídeo game. Ou ele vinha em pedaços ou ele era pequeno mesmo. Afinal eu nunca tinha visto um Atari na minha vida só em fotos. Pois bem, nos 20 segundos mais longos da minha vida até então, minha mãe me deu o pacote. Era um álbum de figurinhas da Ploc. Junto uma carta me parabenizando, dizendo que eu tinha sido contemplado... com o álbum. E que eu deveria pegar todas as figurinhas e colar no álbum, completar, e enviar para a Ploc, pois daí, quem sabe, eu não concorreria a um novo lote de Ataris?
Pois é... decepcionado, não me dei por vencido e desfilava meu álbum pela escola como se fosse um troféu! E não é que todos me respeitavam? Da noite para o dia virei celebridade! Ouvia pelos corredores: "aquele garotinho ali ganhou um Atari na promoção do chiclete", e é claro, que eu não desmentia. Mas, como tudo que é bom dura pouco, logo alguém descobriu a verdade. "Ah que nada, meu primo também recebeu um álbum desses! Só recebe esse álbum quem não ganha o Atari", disse algum playboy estraga-prazer do qual não me lembro agora.
Aproveitei bastante os meus 15 minutos de fama. Voltei a visitar as latas de lixo semanas depois, mas dessa vez contava com a ajuda dos brutamontes da minha sala, que acreditavam que eu realmente havia perdido alguma coisa nas latas, já que insistiam em me colocar dentro delas.
Mas nem tudo é história triste. Minha avó, quase uma santa, que fazia quase todas as minhas vontades, foi na loja mais próxima dela com a minha revista nas mãos e disse: "quero um exatamente igual a esse pro meu neto". Não sei como ela conseguiu, mas comprou um Atari, com os mesmos três cartuchos que estavam no anúncio de uma revista da Abril. E adivinha quem levou uma manete na mochila no dia seguinte pra escola? Não ganhei o beijo da menina mais bonita, nem fiquei mais popular do que merecia, mas bati o record no Space Invaders, quebrei a banca no Space Cavern e jogava River Raid com os pés de tão bom que era! No final sempre vale a pena! Yeah!!
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Cassio Peixoto
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quarta-feira, novembro 03, 2010
[mucufo]
“Se você quer sorrir, é com Patati / Se você quer brincar, é com Patatá / Se você quer sorrir e brincar: Patati Patatá”. Esses versos existem desde a década de 60. Não consegui descobrir quantas gerações vestiram as fantasias dos palhaços Patati e Patatá, mas hoje, em 2010, os artistas que estão por baixo das fantasias poderiam ganhar mais dinheiro com o DVD que se tornou uma febre entre crianças de 1 a 5 anos. E por que não ganham mais? Adivinhem… pois é, a famigerada pirataria não deixa.
O DVD dos palhaços foi criado para divertir e entreter as crianças, e consegue fazer isso com maestria. Meu filho de um ano e sete meses ainda nem fala direito, mas ouve com atenção e pede, insistentemente, todos os dias, pela dupla de palhaços na televisão. Os palhaços Patati e Patatá apresentavam um programa na TV Gazeta, ficaram um bom tempo no ostracismo, apresentavam alguns shows e só. Agora, de uma forma muito inteligente, fizeram uma série de quatro DVDs para crianças que deu certo.
Ok, essa então seria a redenção dos dois artistas! A hora da virada! O jeito certo e honesto de ganhar algum dinheiro e conseguir se manter como artistas no Brasil, o que já é um feito heróico. O problema, é que no momento em que poderiam ganhar o dinheiro merecido pelo trabalho realizado, Patati e Patatá perdem boa parte da grana, aliás uma imensa parte da grana, para os galhofeiros que piratearam os DVDs e vendem por uma mixaria nas bancas de todo o país. Os quatro DVDs que custariam perto de 50 reais, o que é um preço justo, custam no máximo dez reais, todos compilados em um único disco. Sem o mesmo capricho dos DVDs originais, com uma qualidade duvidosa e com um relaxamento que só os camelôs conseguem ter, os DVDs estão pipocando por aí. Minha sogra comprou dois: um DVD para ficar na casa dela e um outro para meu filho levar para a casa dele, e adivinhem onde ela conseguiu comprar dois DVDs com tanta facilidade e tão "baratinho"? Pois é, no camelô mais próximo. Eu já fui obrigado a assistir umas duas vezes, e a única coisa que consegui pensar enquanto meu filho se divertia é em como os dois palhaços estão sendo roubados na cara dura, na mão grande.
De que adianta então caprichar na produção, contratar atores, músicos, maquiadores, iluminadores, roteiristas, produtores e levar um baita prejuízo porque centenas, talvez milhares, de atravessadores resolveram piratear e ganhar dinheiro com o trabalho deles? Patati e Patatá não estão com a vida ganha, não são dois astros do rock, não fazem parte de nenhuma Tropa de Elite, e ainda assim, os caras não perdoam. Daí, vem uma saraivada de desculpas: “Os caras precisam trabalhar”; “melhor vender CD pirata que roubar”; ou ainda: “mas os DVDs hoje são tão caros”… ok, vai lá e diz isso para quem produz… roubar de Wagner Moura, Stallone e Steven Spielberg é uma coisa, mas roubar de dois palhaços? Tenha dó…
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quarta-feira, outubro 20, 2010
Mais sobre José Serra e o livro "Dez na àrea..."
Fez algum barulho mucufo, e aqui no Urgente!, a materinha que postei sobre José Serra e o livro "Dez na àrea, um na banheira e ninguém no gol". Tentei de todas as formas encontrar a matéria onde José Serra fala dos desenhitas e esculhamba o livro, ao invés de responsabilizar seus subordinados. Não encontrei. Os tucanos foram mais rápidos e apagaram a entrevista que o então governador José Serra deu para o SPTV. Infelizmente esbarrei nessa matéria, (no vídeo abaixo) onde a imprensa, num espetáculo de desinformação e com um texto preconceituoso, tenta destruir ainda mais a reputação da obra.
Parabéns José Serra, e parabéns a uma mídia que mostra cada vez mais, que não sabe como tratar os quadrinhos. Vocês fizeram um bom trabalho!
Quem estiver afim de saber mais sobre o assunto pode assitir a matéria e dar uma olhada na postagem sobre Serra e os quadrinhos mais abaixo (usa a barra de rolagem aí que você vai ver). Se ficar com raiva pode xingar à vontade! Eu to xingando até hoje!
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Cassio Peixoto
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domingo, outubro 17, 2010
Serra não gosta de quadrinhos...
A história é simples e posso resumi-la em duas linhas: A Secretaria de Educação de SP adotou para crianças de nove anos o livro: "Dez na área, um na banheira e nenhum no gol". O problema é que o livro é direcionado a um público adulto, e Serra, ao saber disso, ao invés de atacar seus secretários, preferiu denegrir a obra e seus autores.
Serra não se preocupou em esclarecer a situação, foi mais fácil jogar a culpa sobre os quadrinistas do que assumir os erros de um técnico na área de educação que não conhece quadrinhos. O exemplares do livro foram distribuídos em 2002. Ao todo, 1216 exemplares chegaram às mãos de alunos do terceiro ano do ensino fundamental. A obra é uma reunião de 11 histórias em quadrinhos com o futebol como tema e prefaciado pelo ex-jogador Tostão. Publicado pela Via Lettera, o livro possui palavrões e alguma conotação sexual. Ou seja, a temática é adulta e o álbum não é indicado para crianças.
Era mais cômodo para o Governador colocar a culpa na publicação, ao invés de disparar a sua metralhadora contra o seu próprio governo. Na primeira oportunidade que teve, em entrevista ao programa SPTV, da Rede Globo, José Serra disse que achou o livro de "muito mau gosto" e que os responsáveis pelo encaminhamento do livro às escolas seriam punidos. Com autores como Caco Galhardo, Allan Sieber, Spacca, Fabio Zimbres, Lelis e os vencedores do Jabuti Fábio Moon e Gabriel Bá, o livro foi organizado pelo ilustrador Orlando, que, em comentário no Blog dos Quadrinhos, do jornalista Paulo Ramos, diz: "O '10 na área' é um álbum para adultos um pouco antes da copa de 2002. Todos os artistas tiveram absoluta liberdade de expressão, pautando e desenvolvendo suas histórias como bem entendessem e, a meu ver, nenhum deles decepcionou. Podemos discutir critérios de escolha nas compras do governo. No meu modo de ver houve um engano. Não deveriam ocorrer, mas acontecem. Há um erro grave no governador dizer que a obra é de mau gosto, quando deveria dizer que é inadequada para crianças de nove anos. Isso faz diferença enorme na conceituação da coisa. Uma pena".
Na ocasião, a Associação dos Cartunistas do Brasil manifestou repúdio à forma como a imprensa tratou o livro: "O que vemos é uma crucificação de um trabalho sério de artistas e da editora, muito bem conceituados e que podem ser sim distribuídos em universidades para o estudo do mundo do futebol e sua influência na cultura popular".Em artigo publicado no site Universo HQ, o jornalista Eduardo Nasi escreveu: "O problema não é o álbum. Óbvio que não. O problema, claro, é que alguma besta do governo indicou o livro para compra... Para se proteger, Serra jogou a culpa no lado mais fraco: a HQ. É uma atitude covarde. Mas recorrente em políticos acuados pelas barbaridades que fazem".
Na mídia, o que se viu foi um show de desinformação, principalmente na Rede Globo e na sacro santa Rede Record. Falou-se que "se tratava de uma apostila, que os autores eram depravados sexuais preocupados em perverter crianças". A maioria dos jornalistas não se deu ao trabalho de pesquisar do que se tratava.
No SPTV, a jornalista que entrevistava José Serra não perguntou a opinião dele sobre a qualidade do material nem pediu a ele uma análise estética, mas o governador fez questão de dizer: “Achei a obra um horror… tudo de muito mau gosto… o desenho, tudo”. O que provocou polêmica não foram os palavrões ou as cenas eróticas - que se resumem a um quadro no qual aparece uma mulher de lingerie, tipo as dançarinas do Faustão. O que provocou polêmica foi o fato de ser quadrinhos.
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Cassio Peixoto
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terça-feira, abril 13, 2010
[mucufo]
O Dia do Beijo é mais relevante...
Hoje eu estava pronto para falar da volta da Ilsan Vianna à Câmara Municipal de Campos; sobre os shows da Pecuária para esse ano; sobre o brasiliense Arruda, que foi solto pelo STJ; sobre a seleção brasileira que só convoca jogador que tem esquemas escusos com empresários; mas sob pena de ganhar um processo e de ver meu amigo Vitor Menezes perder mais cabelos, decidi não falar sobre nada disso. É melhor. Afinal, ficar com raiva não adianta e reclamar, na maioria das vezes, também não. Então o que fazer? Vou escrever sobre o Dia do Beijo.
Afinal, a quem interessa todos esses assuntos? A quem interessa saber o que se passa nas esburacadas ruas de Campos? Ninguém. Melhor falar do Dia do Beijo mesmo. Ok! Vamos fazer o seguinte: hoje é Dia do Beijo, Dia do Hino Nacional, Dia do Jovem, Dia do Office-boy e da Fundação da Cidade de Fortaleza. Vamos falar sobre o que? Certo, vamos falar sobre o beijo mesmo.
"Não se sabe quem instituiu o Dia do Beijo e nem ao certo quando o beijo surgiu. Há quem diga que foi no ano 500 antes de Cristo, na Índia. Já Charles Darwin acreditava que o beijo era uma evolução das mordidas que os macacos davam no parceiro nos ritos pré-sexuais.
Há também quem diga que o beijo surgiu das lambidas que os homens das cavernas davam em seus companheiros em busca de sal. Ou ainda uma variante de um gesto de carinho das mulheres das cavernas que mastigavam o alimento e o colocavam na boca de seus filhos pequenos."
E então? Foi ou não foi mais interessante que falar de Ilsan Vianna, Seleção Brasileira, Arruda ou sobre shows da Pecuária?
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Cassio Peixoto
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