Bolo de Chocolate
João Paulo Arruda
Fica óbvio pra mim que a aventura acabou quando a segunda viatura azul e amarela fecha a BR-101 e sou obrigado a frear. Saio do carro completamente nu, mas não me dou ao trabalho de levantar as mãos. Nem de usá-las pra tapar os ovos. Na verdade, para eterno horror dos bravos agentes, vou caminhando pela linha amarela contínua e aproveito para ultrapassar os limites, todos, do bom senso enquanto requebro e berro: "Kátia Flávia!". Talvez seja aí que tenha acordado o cantor. Ele desce com duas das velas, duas das 39, já acesas, e sorri enquanto lança. O pavio dá o tempo certinho dos canas se abrigarem ao lado da estrada. A dinamite explode o carro do xerife. Os policiais que vinham logo atrás perdem um tempo precioso encagaçados. Eu assumo de novo o volante. O bigodudo de volta ao banco do carona. Ele tem o bigode e a gaita. Mas Burt Reynolds sou eu. Acelero muito para furar a tela do cinema e comer o asfalto, a BR-101 e a distância. Agarra-me se puderes, é o que penso, para não pensar no quiseres.
O bigodudo está no carro comigo por causa do lance do puteiro. Em dado momento da aventura, bateu aquele bom senso e parei à beira da BR. Em Casimiro de Abreu. Pareceu-me um lugar adequado. Não que eu seja poeta. Mas de depressão entendo. E a cidade é uma merda. Logo... Juro que estava desistindo. Mas aí a puta tentou sorrir. E era tão falso o sorriso que me veio Roberto Carlos avisando: não arrisco na banguela. Coração de novo disparado, corri pro carro. Pelado. O bigodudo, que obviamente nao era apenas um cantor, veio junto sem dizer nada e ocupou o banco dele.
Cuidado com a porra do bolo, avisei.
Dez minutos e uma viatura berrando enlouquecidamente atrás da gente depois, ele só comentou distraidamente sobre velas.
Nunca perguntei como ele sabia que era meu aniversário. E a quantidade de velas exata que devia levar. Se ele sabia isso, sabia também que não sei dirigir. E que o bolo, não o carro, era roubado.
Deu-se que mais cedo, naquele dia, entrando na padaria, estava na cabeça o "Feliz aniversário / envelheço na cidade." Mais tristeza do que ira. Aí notei o bolo. De chocolate. Peguei, dobrei a Mendes Tavares correndo, entrei ofegante na Barão de Cotegipe e vi um velhinho sentado na calçada, uma cuia de esmola e uma viola na mão. Ele me deu a chave do Escort azul marinho, agradeceu as moedas e cantou uma música que esperava uma história: "Não pare na pista / é muito cedo pra você se acostumar / Amor não desista..."
Entre uma coisa e outra, meu aniversário indo embora, comecei a cantar "a gente corre / na BR 3 / a gente morre / na BR 3".
E por mais que eu acelerasse, nunca chegaria a Campos em tempo.
O bigodudo gastou todas as velas restantes imitando Tonho da Lua, explodindo a estrada e mantendo os policiais à distância.
Ele também sabe que ninguém corre assim por causa da Rutinha. Mesmo que chegue atrasado.
Já não era mais cinco de março quando entramos. Abandonamos o carro, consegui, de algum jeito, um paletó de linho branco, que em algum lugar do passado, lá em Campos já foi flor. E sentamos à beira do caminho, pra pedir carona, de volta pro Rio.
Pelos olhos dele percebi imediatamente que procurava palavras pra me consolar, sei lá, dizer que a aventura não foi em vão. Que sempre teremos Paris. Pra evitar isso, pedi, logo depois de lembrar que não sabia o nome dele, do bigodudo:
Toque outra vez, Sam!
Quero a sessão de cinema das cinco, pra beijar a menina e levar a saudade, na camisa toda suja de batom...
sexta-feira, março 07, 2014
[crônicas urgentes]
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domingo, fevereiro 23, 2014
Vai ter Copa
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quinta-feira, fevereiro 20, 2014
Documentário "Forró em Cambaíba" na íntegra
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quarta-feira, fevereiro 12, 2014
[crônicas urgentes]
Pronta para o prazer
Álvaro Marcos Teles
Um pequeno contratempo na calça jeans clara, recém adquirida, quase fez Lourdes perder a hora. Mesmo com a temperatura relativamente baixa, o jeito foi apelar para o vestido justo floral, palmo e meio acima dos joelhos, zíper nas costas. Mal deu para se ajeitar, borrifar uma "misturinha mágica" no cabelo, passar glitter azul e preto no entorno dos olhos, pôr a apertada sandália bege, pendurar a bolsinha preta e partir. Chegou esbaforida no ponto, ainda a tempo de ser uma das últimas passageiras a embarcar no ônibus.
Não ligou para os olhares atravessados de toda ordem. As mulheres mais velhas a fuzilavam, misto de decoro e inveja. Os rapazes, era visível, imaginavam despi-la. Até o trocador e, depois, o motorista, apreciaram partes das coxas e, principalmente, sua exuberante bunda. Os quarenta minutos dentro do coletivo pareciam uma eternidade. Por volta das oito da noite Rogério a esperava no lugar marcado, espécie de refúgio dos dois: um quiosque encravado numa ruela entre duas das avenidas mais movimentadas da cidade.
O avistou logo na esquina, onde crianças se divertiam com brinquedos de madeira. Para ela, fogosa, encontrar o amante também era uma espécie de playground. Ignorava até que achassem errado deixar a filha de quatro anos com a mãe, uma evangélica que perdia os cultos noturnos das terças-feiras toda vez que tomava conta da criança. Pecado, no dicionário de Lourdes, era sinônimo de não encontrar o macho. Sorridente, se aproximou. E com o rebolado característico, de entortar qualquer pescoço masculino que cruzasse o caminho.
Ele estava como de costume: traje social, cheiroso e já degustando uma cerveja. Rogério cortejava até a si mesmo, parecia. Levantou, puxou a cadeira, como à moda antiga, a viu sentar e, então, chamou o garçom. Pediu só um copo, mostrando o dele. Ela não perdeu tempo e tascou um beijo que molhou a área compreendida entre a bochecha e o pescoço do rapaz. Virou-se e, ato contínuo, pôs as enormes unhas pintadas de vinho sobre a coxa dele. Era o sinal insinuante, a provocação, o exibicionismo gratuito, o fogo ardente.
Alguns cães trançaram as mesas em busca dos restos de comida no chão. Uma cachorra, prenha, branca e marrom, chamou a atenção. Frágil e obstinada, ao mesmo tempo. Lourdes se identificou. Literalmente. Pensou ser, ali, naquele instante, também uma cadela, só que no cio. Rogério cumprimentou um casal conhecido. O cara, gordinho bonachão, descobriu a tatuagem dela no tornozelo. A mulher, simpática e educada, adotou maior discrição. Lourdes, em chamas, já roçava o joelho, já mordia o lábio internamente, como os que muito desejam.
Poucas palavras, algumas ao pé do ouvido, bastaram. Veio a conta, e uma sensação de que, naquela noite, algo poderia ser diferente. Claro que a companhia de Rogério era puro deleite. Só que novembro, pertinho do verão, pedia um ineditismo. Ela ficou sem jeito. Afinal, já haviam experimentado de quase tudo. O quase fica para práticas sadomasoquistas, vontade de Rogério, escorregões sempre milimetricamente calculados dela. Embebedou-se de coragem, respirou fundo, suspendeu as sobrancelhas, e tascou o pedido: "Amor, me leva no China In Box?".
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quarta-feira, fevereiro 05, 2014
Por uma Fundação Monitor Campista
Os jornais impressos vão morrer. Mas o Monitor Campista não deveria ter morrido. E justamente em razão da morte anunciada deste tipo de mídia.
Quando, em 2009, o Monitor fechou as suas portas, lamentou-se a perda da circulação de uma alternativa de informação, a perda da condição de cidade sede do terceiro mais antigo jornal do país, e a perda da fonte de sustento para dezenas de trabalhadores.
Mas havia mais que isso. Perdemos uma oportunidade de termos, no futuro, um bem cada vez mais raro, algo que o município poderia ter escolhido preservar vivo para conservar um laço concreto com o passado, como quem preserva uma antiga igreja, um antigo solar.
Pode parecer exagero, mas via o Monitor Campista, daqui a 50 ou 100 anos, até mesmo como atração turística (como, a propósito, deveria ser Ao Livro Verde), sem prejuízo do seu potencial como empreendimento viável financeiramente.
Imagine, em um cenário onde há cada vez menos impressos, uma cidade ter para mostrar um jornal de mais de 200 anos, ainda em circulação, como teríamos daqui a pouco mais de 25 anos (o Monitor foi assassinado aos 175 anos!). O modo de fazer um impresso, as rotativas funcionando, a circulação, o próprio produto, tudo isso será muito curioso daqui a cem anos. É algo como ver a prensa de Gutenberg funcionando hoje.
Evidentemente esta não seria a única função do jornal. Todas as demais plataformas de leitura deveriam ser desenvolvidas (como vinham sendo), como qualquer outro veículo, e a sua missão de produtor diário de informação, naturalmente, deveria ser mantida.
Todos poderíamos acessá-lo em nossos celulares, ou nos óculos do google, o que mais aparecer, mas haveria, para orgulho caprichoso da cidade, uma pequena tiragem impressa para assinantes admiradores da publicação, para órgãos públicos, para os turistas.
Agora, quando discutimos os meios de trazer de volta o acervo do Monitor Campista para a cidade, insisto que não devemos pensar no seu legado como algo morto, que encerraremos em uma sala do Arquivo Público Municipal. É claro que a vinda do acervo será um passo importante, e espero mesmo que consigamos, mas não podemos ficar apenas nele.
O futuro que sonho para o jornal é o retorno da sua publicação, editado por uma Fundação Monitor Campista, que conserve o seu acervo, viabilize o acesso de pesquisadores e turistas, seja um centro de preservação da memória da imprensa local, e consiga demonstrar que a força histórica do Monitor conseguiu ser maior do que a omissão de uma geração que permitiu a sua “descontinuidade” em um remoto 2009.
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sábado, fevereiro 01, 2014
Adão e Eva
[crônicas urgentes]
Adão e Eva
João Arruda
Deus não criou Adão e Adão. Porque é assim que está escrito. É o certo, o sagrado, o natural. Tudo vem de Adão, do homem.
Uma costela de Adão foi tirada para que existisse a mulher.
Meio quadril de Adão foi tirado para que existisse o veado. É por isso que até hoje tem aquele negócio de andar como homem e andar como veado. Cada um manca pra um lado.
E a sapatão? O que Deus tirou de Adão pra criar a sapatão?
Um par de all star de cano longo.
Mas Sodoma e Gomorra...
Foram destruídas porque eram cafonérrimas. Foi justamente no Gomorra Fashion Week. Lot ficou hor-ro-ri-za-do com o mau gosto, o comportamento licencioso e levantou pra ir embora na hora. A mulher dele teimou em olhar pra trás, deu aquela quebradinha Gisele Bundchen e virou uma estátua de sal na hora...
Que punição severa...
A alternativa era desfilar por toda a eternidade no Osasco Fashion.
É claro que houve um velho testamento inteiro de debates antes da decisão de formar uma família e tornar a santíssima uma trindade.
Mas pense o que vão dizer na escola. Você vai ser o pai, ele vai ser o filho. E eu? Eu vou ser o quê?
O Espírito Santo.
Claro que o fanatismo azedou a ceia. A criança acabou sendo adotada. Por sorte ficou sendo filha de um casal maravilhoso. E duas mil crianças morrem toda hora até hoje porque Herodes era presidente da Comissão de Direitos Humanos da Judeia.
E Salomé bota um terninho, uma peruca loura e vai apresentar telejornal homofóbico. Dá vontade de postar: faz a dança dos sete véus aí, sua filha da puta!
Por muito menos que isso ela pediu a cabeça do João Batista.
Então, vamos mudar de assunto. Vocês viram que coisa linda o Félix?
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segunda-feira, janeiro 27, 2014
Inscrições abertas para pós em Jornalismo Literário
Está no ar o portal do jornalista e professor Edvaldo Pereira Lima, um dos fundadores da Academia Brasileira de Jornalismo Literário (ABJL), em www.edvaldopereiralima.com.br. Os interessados podem obter informações sobre os cursos e oficinas ministrados e sobre as inscrições para as turmas de pós em jornalismo literário para 2014, em São Paulo e Curitiba.
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domingo, janeiro 26, 2014
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Nunca se sabe
Vitor Menezes
Ela notou a aproximação quando já contava com motivos suficientes para estar com medo. Arrastava pela calçada uma mala preta e em tudo se parecia com uma turista, o que de fato era. Descera na pequena rodoviária central da cidade e caminhava por uma rua mal iluminada na direção que, acreditava, a levaria à casa de uma amiga. E fora esta quem havia lhe garantido:
- Pode vir tranquila. Moro a duas quadras da rodoviária. Você desce, passa o hospital, e entra à direita. É a segunda casa à esquerda, a do portão marrom.
O homem alto, de calça jeans, jaqueta escura e boné preto a viu justamente quando ela passava pelo trecho mais escuro da rua. Notou logo que não era da cidade. Não apenas a mala, mas a roupa pouco usual no lugar e o chapéu que só vira igual na televisão formaram o imediato diagnóstico de que se tratava de uma vulnerável forasteira.
Ela aumentou o ritmo das passadas. As rodinhas da mala trepidavam com bravura pelas ranhuras do calçamento, produzindo um atrito nervoso que só fazia elevar a tensão da visitante. Os músculos estavam contraídos pelo esforço físico e pelo pânico que começava a lhe assaltar. A mão direita puxava a bagagem. A mão esquerda pressionava a alça da bolsa sobre o peito. A certo ponto nem mais andava. Parecia correr. Mas o homem a mantinha a uma pequena distância.
Eram apenas trezentos ou, quem sabe, quatrocentos metros, se tanto, nesta parte menos iluminada do trajeto. Mas pareciam quilômetros. E o vento que sacudia as folhagens das árvores robustas não contribuía em nada para acalmá-la.
Pensou no arrependimento de ter vindo, na inutilidade de estar passando por aquilo, na possibilidade de que estivesse por vir algo mais violento que um mero assalto, e no filho que não mais viria se estivesse escrito que seria ali o lugar da sua morte.
Chegou finalmente à esquina e experimentou algum alívio ao constatar que a rua da amiga era mais iluminada, tinha menos árvores e dali mesmo era possível avistar o portão marrom à esquerda. Avaliou que certamente fora isso que fizera com que o homem desistisse de segui-la assim que dobrara no cruzamento.
E ele retornou para o ponto de onde havia saído, no bar ao lado do hospital, para acompanhar de longe os passos daquela turista e garantir que nenhum mal lhe acontecesse. O lugar é muito tranquilo, mas nunca se sabe.
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sexta-feira, novembro 22, 2013
Trailer do documentário "Forró em Cambaíba"
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Nesta madrugada estive em 2003
Os dias que Ferreira dormiu no cárcere, as manifestações pela sua liberdade, a saga de um jornalista contra a arbitrariedade de um juiz, tudo isso forneceria material suficiente para uma narrativa envolvente, possivelmente escrita como nos bons exemplos do Jornalismo Literário, com um autor assumindo o comando da história do início ao fim – como fez Capote em “A Sangue Frio”.
Mas não foi este o caminho escolhido por Thiago Freitas. E isso não se diz aqui em demérito da obra. Pelo contrário: sua escolha foi a de um repórter que não quis ser maior do que a notícia e seus atores, o que possibilitou o acesso à reprodução de dezenas de textos e documentos produzidos no próprio calor dos acontecimentos, moderados por ponderadas inserções do organizador da obra.
Isso permitiu, por exemplo, que o leitor tivesse a oportunidade de ter acesso, sem mediadores, ao diário produzido por Avelino Ferreira no período da sua prisão, em um dos trechos mais emocionantes do livro. O jornalista registra a surpresa com a repercussão do caso, a amargura com a falta de envolvimento de alguns personagens, e a devoção aos seus heróis locais do teatro, da música, do jornalismo.
“Mais que nunca entendi que, a despeito da grandeza e importância de um Dylan, um Sinatra, de um Chico ou Caetano, não há músico que supere Dom Américo, Luiz Ribeiro, Reubes Pess, Nelsinho Meméia, Edmar, Lula, Daltinho Freire... pois estes são os artistas da minha aldeia”, afirma.
E é pelo mesmo motivo que sou fã de batalhadores da notícia como Thiago Freitas, que com este livro se torna mais importante para mim do que qualquer Gay Talese, qualquer Tom Wolfe, qualquer Hunter Thompson.
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terça-feira, novembro 12, 2013
CCJ da Câmara aprova PEC do Diploma de Jornalista
Da Fenaj
A Comissão de Constituição, de Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou, em sessão realizada na tarde desta terça-feira (12/11), a admissibilidade da PEC 206/2012, a PEC do Diploma. A matéria segue, agora, para encaminhamentos da Mesa Diretora da Casa.
Antes de iniciar a sessão da CCJC, o deputado Esperidião Amin (PP/SC) solicitou novamente a inversão da pauta, o que viabilizou a inclusão da PEC do Diploma como quarto ponto de discussão. Por volta das 15h30, após a leitura do relatório de vistas do deputado Sérgio Zveiter (PP/RJ) e de algumas inscrições para debate, o presidente da CCJC, Décio Lima (PT/SC) procedeu a votação.
Mais tarde, no plenário da Câmara, Lima registrou a aprovação da PEC na Comissão e pediu urgência na instalação de Comissão Especial para analisar o mérito e na tramitação final da matéria.
Para o presidente da FENAJ, Celso Schröder, a votação de hoje consagrou mais uma vitória dos jornalistas brasileiros e dos apoiadores da campanha em defesa do diploma. "Após a tramitação vitoriosa no Senado e esta votação na Comissão de Justiça, está claro que o Congresso Nacional está em sintonia com a sociedade e os jornalistas, que não aprovaram a decisão equivocada do STF em 2009", disse.
Schröder adiantou que dirigentes da FENAJ e dos Sindicatos de Jornalistas buscarão contatos com a Mesa Diretora da Câmara e com a Frente Parlamentar em Defesa do Diploma para agilizar a votação. E convocou a categoria:
- Os jornalistas já esperaram quatro anos para reaverem um direito legítimo, é tempo demais. Vamos ampliar o movimento pela urgente aprovação da PEC no plenário.
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EBC cobre greve dos jornalistas da própria empresa
Algumas vezes este blog tratou de comunicação pública e do papel desempenhado pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), como exemplo de serviço jornalístico que cobre as ações do governo, os temas da cidadania, sem cair no tom publicitário das assessorias.
Abaixo, mais exemplo que deveria ser seguido pelas empresas privadas de comunicação e, especialmente, pelos departamentos e secretarias de comunicação de estados e municípios.
A EBC está cobrindo, com honestidade jornalística, a greve dos próprios funcionários. Confira uma das matérias da cobertura:
| Assembleia dos funcionários da EBC [Foto: José Cruz/ABr] |
08/11/2013 - 20h23
Da Agência Brasil
Brasília - Os funcionários da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) decidiram hoje (8) continuar em greve, depois de assembleia realizada em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Eles estão parados desde as 16h de ontem (7).
Criada em novembro de 2007, a EBC é responsável pelo funcionamento da Agência Brasil, do Portal EBC, de oito emissoras de rádio AM/FM/OM (Nacional e MEC), da Radioagência Nacional, da TV Brasil e da TV Brasil Internacional. A EBC opera ainda, por contrato da Secretaria de Comunicação da Presidência da República com a Diretoria de Serviços, o canal de TV NBR, o programa de rádio A Voz do Brasil, dentre outros serviços. A empresa tem 2.151 empregados.
A greve dos empregados da EBC foi aprovada em assembleia na última terça-feira (5) quando os funcionários rejeitaram a proposta apresentada como a última possível pela empresa, nas negociações.
Pela proposta, os salários teriam reajuste de 5,86%, referentes às perdas da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), mais ganhos reais de 1%, divididos da seguinte forma: 0,5% em 2013 e 0,5% em novembro de 2014. O auxílio-creche seria reajustado em 5,95%. Os trabalhadores ainda receberiam um tíquete-alimentação extra de R$ 832 em dezembro de 2013 e outro em dezembro de 2014, corrigido pela inflação acumulada no período.
Segundo o coordenador-geral do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal, Jonas Valente, os trabalhadores vão tentar conversar novamente com a empresa até a próxima segunda-feira (11), quando se realiza nova assembleia, às 13h. “Caso a greve continue depois da segunda, decidimos fazer um ato em frente ao Ministério do Planejamento, que é quem determina a assinatura do acordo coletivo”, disse Jonas. Para o coordenador do sindicato, é preciso que o governo federal valorize a comunicação pública ampliando os investimentos na EBC e em seus trabalhadores.
Os funcionários permanecem defendendo contraproposta de reajuste salarial de R$ 290 para cada servidor e aumento de 11% no valor do tíquete-alimentação. E também querem que a data-base, hoje em outubro, seja transferida para maio.
De acordo com o diretor de Administração e Finanças da EBC, Alexandre Assumpção Ribeiro, a empresa entrará, até segunda-feira, com ação para julgamento de dissídio coletivo na Justiça do Trabalho. Agora, com o julgamento do dissídio, a EBC voltará à proposta anterior apresentada no início das negociações aos empregados. Nela, foi proposta a correção pelo IPCA, de 5,86%, e o mesmo percentual para benefícios, exceto o auxílio-creche, que seria reajustado em 5,95%. “Estamos procurando uma instância neutra que dará uma decisão a qual vamos acatar”, disse.
Segundo o diretor, a EBC continua respeitando o direito de greve, mas a intenção, com a ação para a instalação do processo de dissídio, é manter os serviços funcionando. “A empresa espera que o dissídio seja julgado rapidamente. A EBC tem uma missão muito nobre que é ser um grande canal de comunicação pública”, observou Assumpção.
Para Jonas Valente, a decisão do dissídio demanda a anuência das duas partes e diz que não há deliberação de assembleia, nem posição das entidades que estão na negociação, no sentido de apelar a este recurso. “Nós não consideramos que as negociações se encerraram, apesar da greve, e, por isso, não achamos que o impasse deva ser resolvido na Justiça do Trabalho”, argumentou.
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Observatório da Imprensa discute hoje regulação da mídia argentina e britânica
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| Alberto Dines apresenta o programa [Foto: Divulgação] |
Argentina e Inglaterra, dois países diferentes e distantes, aprovaram a regulamentação da mídia praticamente ao mesmo tempo. Nos dois casos, a regulação, apoiada em leis específicas, quer coibir os abusos na concentração e na conduta dos veículos de comunicação. O tema é a pauta do Observatório da Imprensa de hoje, às 20h, na TV Brasil.
Na vizinha Argentina, a decisão obedeceu à Corte Suprema que declarou a constitucionalidade da Lei de Mídia, aprovada pelo Congresso em 2009 e encaminhada pelo governo de Cristina Kirchner. Depois de uma batalha judicial, o Grupo Clarín, principal conglomerado de mídia do país, apresentou um plano voluntário de adequação à lei. A proposta prevê a divisão das empresas em seis unidades de negócios. A Autoridade Federal de Serviços Audiovisuais confirmou a apresentação do plano e dará uma resposta em até 120 dias.
Ao mesmo tempo, o governo argentino disse ontem que, em meio a 1.500 documentos da ditadura descobertos na semana passada, há vários revelando que a junta militar nos anos 70 ajudou o Clarín a comprar parte da Papel Prensa, maior empresa de papel-jornal do país.
No Reino Unido, a Rainha Elizabeth II assinou a criação de um órgão de regulação das atividades da imprensa britânica. A Rainha ratificou a “Royal Charter”, carta real elaborada por membros do governo conservador apoiados pelos trabalhistas de oposição. A decisão pretende colocar um ponto final na história de escândalos causados pelos jornais de Rupert Murdoch, acusado de grampear telefones, ilegalmente, para conseguir informações. Os tabloides londrinos não aceitam a fiscalização do órgão criado pelo governo que poderá aplicar multas e impor pedidos de desculpas aos jornais infratores.
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segunda-feira, novembro 11, 2013
A prisão de Avelino dez anos depois
A obra marca a passagem dos dez anos da prisão, em 2003, do jornalista Avelino Ferreira, em razão de uma série de textos publicados no jornal Dois Estados, de Miracema, no Noroeste Fluminense.
O lançamento será no Salão de Artes Edson Coelho dos Santos, na sede da Câmara Municipal de Campos dos Goytacazes, às 19h.
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Transfiguração
Álvaro Marcos
Saí do salão. Fiz estrago capital: o ruivo tomou o lugar do preto na cobertura do cérebro. Não sei se emburreci, como dizem acontecer com as louras. Só pela atitude, bem, talvez sim. Pior que a troca de cor foi inventar uma franjinha para os fios lisos conquistados há pouco. Mantive aqueles óculos Dolce Gabbana, cravejados de algo que remete a diamantes na perna direita. Vesti uma blusa branca antes de sair de casa. Pus, também, a minissaia verde colante que guardava há um tempão por falta de coragem.
Agora estou num botequim beira de estrada, na frente do condomínio dele. Meus amigos vão dizer que pareço uma prostituta. Neste momento sou mesmo, de corpo e copo. Vingativa, já flertei com um cara magro, cara de cachaceiro. Percebi um sorrisinho sacana, canto de boca. O suficiente para melhorar minha combalida autoestima. Fui ao banheiro das mulheres só porque não tinha ninguém no masculino. Contemplo o fim de tarde relativamente bêbada e excitada. E ele ainda não chegou. Não sabe o que o espera nesta agradável primavera.
Vejo três guris malandros, prontos para dar o bote no primeiro gay de meia idade que aparecer. Ah, sobre minha indumentária, esqueci de citar um item importantíssimo pelo simbolismo: tenho três laços nas sandálias; um verde, da cor do calçado; outro vermelho; e o último azul. No meio, uma espécie de meio anel dourado. Sempre que olho para os pés me lembro dos três casamentos. E foram assim: cumulativos, entrelaçados, unidos e findos. Só têm prosseguimento dentro de mim, e por vezes dói.
Ouço Whitesnake. Acho que quase ninguém conhece, exceto pela propaganda Hollywood, meado dos anos 80. "Love Ain't No Stranger" foi um sucesso, como era o próprio cigarro. Logo depois, o MP4, tocou "I want it all", do Queen. Essa, repeti quatro vezes. Provavelmente foi o tempo e a quantidade suficientes para me sentir uma própria rainha, como o Freddie Mercury. "We are the champions, we are the champions, we are the champions", soprei baixinho, enquanto socava a mesa.
Percebi, pelo tremor da mão direita, o efeito das cinco Antarcticas no estômago vazio. O garçom de boné bege desbotado eu conheço. Cumpriu pena junto com meu primeiro marido. Redson saiu da cadeia e pavimentou certa dignidade. Só que não pode ver mulher. É a chance de lançar o olhar conquistador, quase fatal. O mesmo jeito timidamente avassalador utilizado para entregar drogas aos fregueses de outrora. Acho que não me reconheceu de estalo. O semblante tinha um quê de interrogação.
Acabo de descobrir que ele não desembarcou, como previsto. A filha mais velha, uma gorda depressiva e mãe solteira, passou dentro de um táxi com o bebê no colo. Ainda não vai ser dessa vez! Fui lavar o rosto e na volta pedi a conta. Tentei passar o cartão, deu recusado. Nesse instante Redson, com a maquininha na mão, teve certeza de quem estava ali à frente dele. Não disse uma palavra, nem eu. Liguei para uma amiga sem família, solta na vida. Marcamos para o apartamento dela, em meia hora. Fui.
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Álvaro Marcos Teles
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quarta-feira, outubro 30, 2013
Avoa Galeão
O não-conceder vale-transporte pode dizer muito mais de uma empresa do que o descaso ou a irresponsabilidade sugeridos por uma rápida passada do percurso gerativo de sentido da semiótica greimasiana. Enquanto avoa avião pra-lá-e-pra-cá, as centenas de trabalhadores que empenham seus esforços na obra de R$ 153 milhões, que vai deixar o aeroporto do Galeão supimpa para a Copa, estão na retranca ainda no primeiro tempo – o grupo de construtoras alcunhado de Consórcio Novo Galeão (CNG), além de não saldar com o ir-e-vir dos empregados, amontoa-os em três repúblicas inóspitas. Nem o clima subúmido do Rio Grande do Norte, estado de onde vieram muitos dos trabalhadores, chega a ser tão pesado quanto o ar nos dormitórios. Como não tivessem outra solução, e na falta de corda para esticar, os empregados com macacão cinza em que se estampa a marca CNG paralisaram a Avenida Vinte de Janeiro, ali ao lado do próprio aeroporto, nesta quarta-feira. Eles são manifestantes também, e deles depende a certeza de que o aparato necessário para um evento como a Copa chegue até o palco principal, o Rio, neste caso. Em tempo: os trabalhadores não gritavam “Não vai ter copa!”
A última vez que escrevi no urgente! foi... não lembro. A próxima vez será... não sei. Mas espero que logo. Obrigado, caro Vitor, por não ter bloqueado o meu acesso por aqui.
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Guilherme Póvoas
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quinta-feira, setembro 12, 2013
Muro de cemitério vira suporte para exposição fotográfica
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Vitor Menezes
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terça-feira, setembro 03, 2013
Professora quer reunir grupo para fazer "Caravana do Coronel"
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| Faixa no muro da casa da professora Agilda Macabu, na Av. 28 de Março, convida para a caravana. |
A professora de literatura Agilda Macabu Ribas, brava defensora da memória cultural local, começou a arregimentar seres viventes para a “Caravana do Coronel”. Sua ideia é percorrer pontos do município que são significativos na obra de José Candido de Carvalho. O escritor terá celebrado em 2014 o seu centenário de nascimento. Entre estes locais estará o distrito de Santo Amaro, especialmente as ruínas da antiga estação de trem, que merece ser restaurada para, quem sabe, abrigar um museu especializado no autor.
Para o dia 5 de novembro, Dia da Cultura, está prevista uma sessão solene na Câmara de Vereadores de Campos para marcar os 99 anos do nascimento de José Cândido. Para a caravana, no entanto, ainda não há data marcada. A professora quer verificar o interesse, reunir o grupo, para depois estudar como viabilizar a ideia.
Os interessados podem fazer contato com Agilda Macabu Ribas pelos telefones 97714714 e 27230405.
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segunda-feira, setembro 02, 2013
[croniquinha de segunda]
Conversa ao pé da cova
Vitor Menezes
Sou dado a pequenos rituais diários, embora não seja religioso. Um deles é me despedir da noite antes de dormir. Vou à sacada do meu apartamento, olho para o céu e não penso, mas é como se pensasse, algo assim: “Obrigado, alguém, por mais um dia. Valeu mesmo. Ao que parece eu continuo aqui, e isso tem sido bom”.
É da sacada que observo janelas dos prédios ao redor. Percebo que há uma sintonia de luzes e horários. Sei quais varandas encontrarei acesas entre uma e duas da madrugada. E também as que assim estarão entre as duas e as três. Assim de modo sucessivo até encontrar a cumplicidade da TV ligada às cinco da manhã em um apartamento de nono andar que deve ficar distante algo em torno de quinhentos metros do meu. Não sei quem mora nele, mas a contemplação daquelas luzes coloridas, entre apagões repentinos dos fades, é também parte do meu ritual diário de viver. Igualmente me despeço delas antes de dormir.
Há pessoas que, pela manhã, agradecem por mais um dia que terão. Cético, eu agradeço nas noites, pelo dia que já tive. A chance de erro é bem menor.
Além disso, não creio que a luz da manhã seja oportuna para agradecer por algo. Nem pela vida. É um período do dia, para mim, meio estúpido. Um bom momento para ninguém se aproximar. E não entendo a obsessão dos trabalhadores em atribuir alguma orgulhosa distinção ao fato de acordar cedo. Acho uma perda de tempo.
Meus melhores rituais são os noturnos. Nestas horas é que tudo parece fazer sentido, ou, dito de outro modo, é quando melhor consigo conviver com a falta de sentido que há em tudo. E rir disso. E a gostar da vida de um modo intenso, como jamais poderia supor gostar se nela pensasse pela manhã.
Portanto, depois da minha última noite, quando for dormir para sempre, peço aos amigos que se lembrem de gravar no meu epitáfio: “Aqui jaz um homem que não foi muito longe, mas gostou muito do lugar onde esteve”. E se forem dotados de alguma coragem fúnebre, apareçam para bater papo comigo nas madrugadas.
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segunda-feira, agosto 26, 2013
[croniquinha de segunda]
Pânico no ar
Álvaro Marcos
"Boa tarde, amigo ouvinte. Abrem-se as cortinas para mais um espetáculo esportivo em Pinduinha. Os senhores vão acompanhar o confronto entre o Nacional e o Jangadense, pela terceira divisão do campeonato Tancredista. Conosco o comentarista Sávio Amazonino. Ele faz a melhor análise do rádio brasileiro. Os repórteres Armando Zanoto e Luís José Salviano vem daqui a pouco com todos os detalhes dos clubes. A jornada começa agora com o oferecimento da cerveja Balza, o puro malte; das Casas Espíndola, tudo em eletrodomésticos; da loteria do Janjão, onde sua aposta vale ouro; e do restaurante Carne na pedra, o mais gostoso da cidade".
O vozeirão não deixava dúvidas: Fred Scapelloto estava no ar. Como em todas as tardes de domingo, a rádio Pinduinha ecoava nas ruas, carros e casas das redondezas. São oito municípios da serra de Tancredo (novo estado criado pela União) acompanhando par e passo a competição estadual narrada pelo mais famoso locutor da região, funcionário aposentado do banco do governo, que empunha microfones desde adolescente. Mas este não seria um fim de semana comum. Pelo menos para a família e amigos do "trepidante". Como costumava fazer, chegou ao estádio com três horas de antecedência. Mal sabia o que o esperava.
Filho caçula, Alexandre desapareceu logo após o almoço na casa da avó. Foi à calçada colocar a moto para dentro da garagem lateral e não voltou. À princípio especulou-se que havia saído para encontrar a namorada, mas a hipótese acabou descartada após ligação de Flávia para a matriarca da família de descendentes italianos. O celular chamou até cair a ligação. Nada de alguém atender. Foi assim até o início da noite. Por volta de cinco e meia, de tanto insistir, dona Marluce consegue ouvir uma voz do outro lado da linha. Alguém rouco, informando que o rapaz não voltaria antes do pagamento de um resgate de trezentos mil dólares em dinheiro.
"E lá vai Sabino. Recebe na direita, tenta passar pelo lateral e a bola sai pela linha de fundo. É escanteio. Canhotinho vai jogar na área, Zanoto!" "É verdade, Fred. Ele treinou durante toda a semana. O zagueiro Orelhão vai tentar a cabeçada. Vem ela aí, Scapelloto". "Canhotinho cobra, a zaga rebate, Toinho bate e é gol. Gooooooooooolaço do Nacional. Toinho, camiza dez, aos quinze minutos do segundo tempo. Vibra a torcida azul. Agora no placar: Nacional, dois; Jangadense, um. Zanoto!". "Ele veio na corria, nem deixou a bola quicar e chutou de primeira, no canto do goleiro Anselminho. É o décimo gol de Toinho, artilheiro da competição".
Enquanto Amazonino comentava o lance, tremeu o telefone de Fred, colocado no bolso esquerdo da calça. Os sequestradores exigiram a recompensa sem mais delongas. Atônito, o radialista não soube o que fazer. Não dispunha de tal quantia. Fez sinal com a mão direita para Sávio esticar falatório. O próprio Alexandre indicou a senha de concordância: ele deveria ler, três vezes seguidas, o anúncio da Balza. Assim foi feito. Como uma mágica, Fred Scapelloto pegou um binóculos jogado na cabine e enxergou o pimpolho no meio da arquibancada. Engasgou e atirou longe o enorme fone de ouvidos que usava há mais de uma década.
Copo ao alcance. Duas, três goladas. Suficiente para acelerar o ronco. Novamente sonhos confusos. Filho sorrindo, caneta falhando, mulheres reclamando, time perdendo, trabalho escravizando, gente chantageando... Teve de tudo um pouco. Eram rompantes, delírios quase verdadeiros de realidade clara, absoluta, eminente e absurda. Mistura de formas e rostos, vertentes e mentiras. Mistério, por assim dizer.
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Álvaro Marcos Teles
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domingo, agosto 25, 2013
Nós não somos nada
A minha missão era a de resgatar alguns livros e quadros. Quando soube da sua morte, ainda que não tivesse com ele relações pessoais significativas e nem mesmo sintonia artística, a notícia veio acompanhada do relato de que toda a sua obra estava se perdendo. Artista plástico solitário, Renato Pessanha havia deixado casa e acervo para uma cuidadora de idosos que o acompanhou na velhice. E agora o que me chegava era que seus quadros estavam sendo levados por quem quisesse e seus livros estavam próximos do lixo.
A casa de fundos em terreno de área central, próximo a alguns dos grandes prédios que tomam as áreas nobres, mantinha um ar interiorano de distrito. Pequena, de desenho modesto, muro baixo antes da varanda estreita. A marca do morador estava na majestade singela de um quase caramanchão que formava um arco sobre o portão de madeira. A sinalização era nítida: a morada é simples, mas a alma é aristocrática.
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| São Francisco, em quadro de Renato Pessanha |
Experiente, ela me confirmava, enquanto me contava a cena que vira, aquilo que é comum ouvir nestes casos: “nós não somos nada”. E com senso prático me convidava para entrar, e me mostrava os livros do artista morto, e exibia objetos de trabalho e de devoção religiosa. Eu poderia levar o que quisesse, com exceção de um imponente oratório de madeira escura e tamanho intimidador, que seria doado para a igreja frequentada pelo artista.
E os quadros? Perguntei. Foram levados por um amigo da senhora, interessado em aproveitar as molduras.
A obra derradeira do artista só não estaria totalmente perdida em razão de um destes infortúnios da vida que acabam por se tornar providenciais. Doente e sem dinheiro, nos seus últimos anos vinha pagando consultas médicas e exames com seus quadros. Estas telas, atualmente pertencentes a alguns doutores da cidade, escaparam da má sorte de servirem apenas de adorno para as molduras que viriam a interessar ao certo conhecido da herdeira.
Nenhum dos seus parentes diretos se interessou pelo seu espólio. E nem fizeram objeções à sua vontade manifesta de deixar todos os seus bens (que se resumiam à casa, aos livros, aos quadros e a poucos móveis) para a senhora, a única que restou em sua companhia e que nem mesmo, há muitos anos, salário recebia. As providências legais foram tomadas por uma irmã, que mora no Rio, a quem pareceu ser justa a escolha do irmão pela herdeira.
Ele era “complicado”, me contou a cuidadora, mas ela se dava bem com ele. Era das poucas, se não a única, que recebiam ligações quase diárias e que, justamente por isso, estranhou a ausência de notícias e os telefonemas não atendidos. Em alguns dias o encontraria morto.
Os parentes é que não gostavam das suas idiossincrasias. Não explorei detalhes, péssimo repórter que sempre fui, mas ouvi o bastante para saber, por exemplo, que o artista havia se tornado um religioso de convicções muito ortodoxas e que queria impor a familiares comportamentos rígidos esperados pela doutrina que professava.
Não tenha em mente o leitor, portanto, a imagem típica de um artista incompreendido, controverso e “à frente do seu tempo”, por isso renegado por uma família conservadora. O que aqui temos é quase o oposto: um pintor tomado por fortes convicções religiosas, que acreditava estar rodeado por pecadores e que dedicava a maior parte da sua arte aos temas da igreja. O mundo, para ele, estava perdido, e houve até mesmo oportunidade em que cobrou providências do Vaticano e da igreja local contra a investida anticristã que via tomar conta da sociedade.
Professor de história, religioso fervoroso, pintor e restaurador, seus livros retratavam estas preferências acumuladas por décadas. Encontrei obras raras do catolicismo, volumes de arte e história, em meio a alguns álbuns de fotografias, na maioria dos casos com reproduções das suas telas. Muitos deles com anotações e desenhos (que estão até por se transformar em uma exposição).
Confesso que, enquanto remexia seus livros, cheguei a me sentir tentado a uma íntima vingança histórica. É que havia muitas publicações tradicionalistas que demonizavam o comunismo, o que mexia com a minha afetiva inclinação adolescente de esquerda e com o meu ceticismo maduro de quase ateu. Lembrei-me das centenas de livros proibidos e queimados pela igreja, quando não iam para fogueira seus próprios autores, e me vi na condição de quem poderia também desaparecer com parte de um registro que, para mim, é de opressão e obscurantismo. Mas sorri sozinho e pensei: não farei como eles.
Após uma triagem feita pelo bravo amigo Wellington Cordeiro, deixamos parte do acervo na Associação de Imprensa Campista, e outra parte destinamos a um seminário católico indicado pelo professor Wainer Teixeira, onde terá melhor proveito. Afinal, o direito à memória e ao conhecimento é maior do que nossos sentimentos mais mesquinhos. E nós não somos nada.
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Vitor Menezes
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sexta-feira, agosto 23, 2013
Chamada do Canal Curta! para exposição de Alexandre Mury
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segunda-feira, agosto 19, 2013
[croniquinha de segunda]
Resposta comercial
Vitor Menezes
Querida TAM,
Não sei se vocês estão preparados para a notícia que vou dar. Ainda assim, embora seja dolorosa, vou ser direto. O fato é que meu pai morreu. E isso aconteceu em 1989. De modo que não poderei comprar para a ele a passagem aérea que você me oferece por e-mail nesta promoção do Dia dos Pais. Me desculpe por frustrar a sua expectativa.
Agradeço pela oferta e, sobretudo, pela oportunidade de me dar conta de que meu pai nunca foi seu cliente. Nem de nenhuma companhia aérea, pois simplesmente nunca andou de avião, ao menos que eu tenha tido notícia.
Ele percorreu muitos cantos do Brasil, mas era de um tempo em que os mais pobres só podiam fazer isso de ônibus ou de carro. Ele fazia de carro e de moto. Adorava dirigir. Creio até mesmo que, se ainda fosse vivo, e com condições financeiras para aproveitar as suas promoções, ele iria preferir rodovias a aerovias.
Era um típico ser da era do automóvel, amadurecido para o mundo durante os anos de encantamento brasileiro com este tipo de veículo, nos anos 50 e 60. Foi proprietário de Jeep Willys e de moto Harley-Davidson, e experimentou com estas máquinas prazeres que não estão acessíveis aos espremidos passageiros das aeronaves comerciais.
Gostava de viver ao ar livre, de pescar e de caçar, quando não havia restrições politicamente corretas a nenhuma destas preferências. E viajava bastante pelo interior do País, onde até hoje não existe muita oferta de voos.
Talvez nenhum dos seus marqueteiros tenha ideia do que seja percorrer mais de setecentos quilômetros, no conforto restrito de uma Variant, somente para pescar na curva específica, de um rio específico de uma cidade específica no Sul da Bahia. E voltar com quantidade de peixes não muito diferente da que encontraria em qualquer rio da sua região.
Obviamente você deve ter pensado na “relação custo-benefício”, esta mesma que você pensa quando me oferece uma oferta. Mas ele não se importava com isso. Seu benefício foi ter vivido de bem com as suas escolhas, e isso a todo custo.
Atenciosamente,
Vitor
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segunda-feira, agosto 12, 2013
[croniquinha de segunda]
Fada do dente
Álvaro Marcos
Tremi. Percebi alguma coisa diferente. Um incômodo. Algo se mexendo pra lá e pra cá. E eu, sem explicação. Parecia turbulência. Mudança repentina. Latejava. Entre dois polos, ardor. Paciente, esperei o melhor momento para capturar as informações. Sabia, só, que doía. Não era dor profunda, contundente. Era suavemente constante.
Espécie de aviso. Anunciei. Mamãe, atenta e perspicaz, fez questão de interferir a seu modo. Com um jeito suave, macio, conversou comigo. Explicou em poucas palavras seu espanto misturado a contentamento. Era, sim, novidade. Descortinava-se, ali, nova realidade. Boa ou ruim, ainda não sabia.
Me importava mais, sinceramente, o detalhamento do que o fato em si. Pude ouvir um relato sereno, de quem tem voz mansa e sabe usar milimetricamente as frases certas na hora exata. Mãe é assim: binóculos nos olhos, estetoscópio no ouvido e um tato capaz de decifrar a mais complexa filosofia humana.
Pronto, relaxei. E disse o que me afligia tanto: o "pulsar" inédito da minha arcada inferior. Bem na frente. Ela, astuta, decodificou a mensagem. Relaxou e tratou, imediatamente, de providenciar meu alívio. Fração de segundos e já mostrava, toda orgulhosa de mim, o dente extraído sem esforço.
Pensei logo na "fada", de histórias que ela me contou há tempos. Sorriso no rosto, mamãe respondeu pela expressão facial: "Sim, ela virá. Você adivinhou"! Risonho e deficitário, numericamente falando, me gabei. Além de acertar em cheio a interpretação do acontecido, ainda vou ganhar bênção!
Certos novos conceitos, confesso, ainda me parecem estranhos. Dia seguinte vi notícia sobre a história de José pela tevê. Na sequência, mesma data, assisti a glória de Maria. Posso até ouvir meu pai detalhar a diferença entre uma alma talhada na retidão e um corpo esculpido ao bisturi.
Ôpa, meu pai surgiu na memória. Sim, tenho família. Afastada e unida, como se esses antônimos do dicionário fossem gêmeos. Parecido com meus dentes agora. Não há distância que nos separe. Queria, mesmo, mostrar pra meu irmão esse dentinho. Tô até vendo o semblante dele, tímido e amigo. Daqui, meu abraço apertado. Sempre!
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Álvaro Marcos Teles
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segunda-feira, agosto 05, 2013
[croniquinha de segunda]
Beijei o Cazuza
Álvaro Marcos
Via a vida pela óptica da escolha. Não entendia a dúvida interna entre pudor e poder. Preservava-me dos meninos afoitos. Aos tímidos, oferecia um pouco além. Doava sensações, indiscretamente. Preferia sempre, indistintamente, os cautos. A estes permitia língua, toques e retoques sensuais, provavelmente além do limite imposto socialmente à minha tenra idade. A maneira de protesto e firmamento prevalecia.
Era o inconsciente de menina interiorana da década de 80. Sentia os seios crescerem, percebia lubrificação vaginal. Detalhar os motivos era pensar como adulta, ou adúltera. Em determinado momento, as palavras pareciam sinônimas tal exercida chibata paterna. Ouvir que moça tinha o casamento pré-marcado parecia comum, simples, trivial. Menos para mim, revolucionária desde as letras iniciais. Questão de personalidade desvirtuada, sei lá...
Identifiquei-me, sempre, com homens. Deles prezo amizade, fidelidade e respeito. E tesão, que eu conseguia reduzir a tiquinho. Não importavam tentativas e blefes. Sobressaia a integridade dessa troca miúda. Árdua em apartar avanços, próspera no conceito divisor de águas ao qual perseguia e acreditava. Fidelizei-me. Consegui - loura, linda e desejável - conquistar lugar altivo, inatingível e respeitável na macheza.
Foi, sei, com meu jeito berçário de sinceridade. Adicionando pitadas de desbocamento e, forçosamente, firmamento de pensamento. Não podia, de jeito algum, me deixar vencer por atrações momentâneas, paixões sem sentido, ilusões infantis. Crescia e amadurecia, ali, minha alma feminina libertária. Excêntrica para alguns, estranha no seio do lar e admirada pelas amigas. E, especialmente, pelos rapazes.
Ganhei altura, cabelos e peso. Aos 17 mandava em mim, contestava pai e mãe e liderava a trupe. Com discurso veemente, visceral, temperado de pitadas de irresponsabilidade e genialidade em doses até hoje insanáveis, lá fui eu caçar ingresso para o show do Barão Vermelho na terceira cidade vizinha. Era procura frenética, alucinada e quase inalcançável em pleno 1984. Apoio, zero. Dificuldades, milhares. Pensar em desistir, jamais.
Consegui, com míseros trocados, o bilhete para a apresentação. Peguei carona num fusca 68. Encontrei colegas, levados pelos pais. Assisti, vibrei e decidi algo a mais. Queria ver o grupo pessoalmente, no camarim. Sugeri-me ao segurança. Passei. De repente estava lá. Foram cinco minutos. Cazuza me conduziu à porta. Abracei seu pescoço. Nos beijamos alucinadamente. Tiveram de apartar. Seus lábios guardo como troféu até hoje, 29 anos depois.
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Álvaro Marcos Teles
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segunda-feira, julho 29, 2013
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Quase conhecido
Álvaro Marcos
Não, não é tão simples assim te cumprimentar. É estender afeto a quem praticamente desconheço de rosto. O que é uma feição? Pode o dicionário explicar como traços simbólicos e identificáveis de alguém. Pelo menos é minha definição sobre. Não te ver, pessoalmente, resume-se a mero detalhe fotográfico. A afinidade singela de frases nunca trocadas até hoje ultrapassa a falta do frente a frente. E palavras poderiam ter apenas sido escritas, transmitidas da frieza dos teclados para as redes sociais. Sem o som que identifique timbres ou deixe rastros de emotividade escancarados ao contato visual.
E foi dessa distante maneira que tentei, em vão, parabenizá-lo. Digitei poucas sílabas antes da conexão à internet desabar. Essa operadora não tem jeito mesmo. Sobram reclamações inclusive no mesmo Facebook onde arrisquei expressar minha admiração logo no dia do seu aniversário. Não importa. Pode ter passado essa oportunidade de calendário; sobrarão chances vida afora. Ou não. Ou até em outras vidas, quem sabe. Quem sabe, até, essa proximidade, essa discretíssima afinidade, não venha de outros mundos, de contatos longínquos e muito, muito inexplicáveis...
Ouvi falar de ti ainda jovenzinho, recém-saído da adolescência. O tio da primeira namorada, quando vinha de outra cidade (interior de Minas), não cansava, durante os encontros familiares, de relatar e enaltecer a amizade contigo. Enumerava as aventuras em sua companhia enquanto dedilhava um bem conservado violão. Fanhoso, às vezes se tornava incompreensível. Tinha vergonha do problema na dicção. Isso o irritava e constrangia. Compensava com o talento musical e a sensibilidade de uma artista adormecido conhecedor da enorme capacidade perceptiva.
Soube também, por notícias via imprensa, de sua entrega ao teatro quando novo. Fez parte de um grupo histórico na cidade, integrado por gente que ganhou notoriedade governamental. Um grupo que te pinçou a vida pública. Não à política. Esta, creio, presente em ti desde quando se entendeu por gente. Acompanhei notícias sobre seu desempenho como parlamentar estadual. As informações sempre destacaram uma honestidade raríssima no meio. Curioso, percebi que ao deixar o mandato não ostentou riqueza. Simples deduzir: não a acumulou, como a maioria, em apenas quatro anos.
Seu nome permeia minha fase adulta. No Rio de Janeiro dividi apartamento com um amigo que se relacionou com sua sobrinha. Ela, também talentosa - e parece coisa de família -, engrossou o coro a enaltecê-lo. É admiradora, fã. Filha do irmão médico, que preferia identificar-se profissionalmente como poeta. E era dos bons. Assim como você, de fino trato com o verbo. Li poemas seus soltos por aí. Certo dia encontrei no supermercado um conhecido, artista plástico. Coincidência ou não, seu amigo e admirador! Mais um para a enorme e incalculável coleção. Destilou maravilhas a seu respeito.
Vi, sim, você. Duas vezes, que me lembre. A primeira na fila do banco, quando estava acompanhado de uma mulher. Talvez a esposa, não posso precisar. Na outra ao volante de um carro estacionado bem em frente a um hospital. Tive vontade de perguntar se precisava de algo. Cansado, vindo do trabalho em outro município cem quilômetros distante, recuei. Resta ler sua página virtual, sempre traduzindo a perspicácia peculiar. Te acompanhar e te curtir, sim. Ainda, por timidez, não te compartilhei. Percebo que elogia duas crianças, imagino seus netos. Então, felicidades! Um abraço.
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Álvaro Marcos Teles
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sexta-feira, julho 26, 2013
'Um grito de liberdade' no Cine Jornalismo deste sábado (27)
Com
o filme "Um grito de liberdade", a Associação de Imprensa Campista
(AIC) apresenta neste sábado (27), às 16h, o projeto "Cine Jornalismo"
cuja entrada é franca. Após a exibição, o público vai poder bater um
papo com o jornalista Ricardo André Vasconcelos, do blog "Eu penso que..."
O filme conta a história de uma amizade memorável entre dois homens
inesquecíveis. A tensão e o terror da atualidade da África do Sul é
poderosamente retratada neste emocionante filme realizado por Richard
Attenborough, que nos conta a história de um ativista negro Stephen Biko
(Denzel Washington) e de um editor liberal de um jornal branco que
arrisca a sua própria vida para divulgar ao Mundo a mensagem de Biko.
Depois de ter conhecimento dos verdadeiros horrores do Apartheid,
através das descrições de Biko, o editor Donald Woods (Kevin Kline)
descobre que o seu amigo foi silenciado pela polícia. Determinado a
fazer ouvir a mensagem de Biko, Woods embarca numa perigosa aventura
para escapar da África do Sul e divulgar ao mundo a impressionante
história de coragem de Biko.
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Vitor Menezes
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segunda-feira, julho 15, 2013
Vídeo de TCC de Jornalismo perguntava em 2008: a juventude vai para a rua hoje?
É muito bacana rever este vídeo de 2008 após tudo o que aconteceu no Brasil em junho:
1968 - 40 anos depois from Leonardo Torres on Vimeo.
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Vitor Menezes
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22:31
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domingo, julho 14, 2013
Um papo com o Cláudio Andrade sobre a cobertura da imprensa nas manifestações de rua
[ Demais blocos aqui ]
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Vitor Menezes
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