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terça-feira, setembro 03, 2013

Professora quer reunir grupo para fazer "Caravana do Coronel"


Faixa no muro da casa da professora Agilda Macabu, na Av. 28 de Março, convida para a caravana.


A professora de literatura Agilda Macabu Ribas, brava defensora da memória cultural local, começou a arregimentar seres viventes para a “Caravana do Coronel”. Sua ideia é percorrer pontos do município que são significativos na obra de José Candido de Carvalho. O escritor terá celebrado em 2014 o seu centenário de nascimento. Entre estes locais estará o distrito de Santo Amaro, especialmente as ruínas da antiga estação de trem, que merece ser restaurada para, quem sabe, abrigar um museu especializado no autor.

Para o dia 5 de novembro, Dia da Cultura, está prevista uma sessão solene na Câmara de Vereadores de Campos para marcar os 99 anos do nascimento de José Cândido. Para a caravana, no entanto, ainda não há data marcada. A professora quer verificar o interesse, reunir o grupo, para depois estudar como viabilizar a ideia.

Os interessados podem fazer contato com Agilda Macabu Ribas pelos telefones 97714714 e 27230405.

terça-feira, fevereiro 19, 2013

[croniquinha de segunda]

A pretexto de dizer que este blog ainda existe, lá vai uma croniquinha cometida por mim numa recente noite deste verão infernal...


- - -

A minha casa

Vitor Menezes

Minha casa fui eu que fiz. Difícil explicar o prazer disso em tempos de tantas especializações. Mas o fato é esse: eu fiz. Sem arquiteto e sem planta aprovada na prefeitura. Sem engenheiro e sem cálculo estrutural. Havia pedreiros, claro, mas fui eu que tomei cada decisão, mesmo sem muita convicção.

Lembro de ter medido o terreno e esboçado os cômodos em folha de caderno. E contratado a mão de obra e comprado os materiais. Para a cozinha, imaginei uma janela que abrisse sobre um balcão de bar, e tive que desenhá-la na loja de madeiras para que o vendedor entendesse o que eu queria. Tive também que inventar modos de erguê-la feito uma ponte de fosso de castelo ao contrário, e comprar correntes que a sustenta quando aberta.
Descobri materiais que suportam altas temperaturas, para a churrasqueira, e tive que aprender a diferença entre rejunte e argamassa. Fiz escolhas entre sifão sanfonado e rígido, e preferi torneiras de plástico às de metal, em um ambiente exposto à maresia.

Um sentimento ancestral de erguer a própria caverna acomete alguém que constrói algo para si. Não é apenas material, é algo que se aproxima muito daquelas poucas áreas que associamos a algum sentido para a vida.

Lembro até que me esmerei nos erros, pois na casa há alguns que só poderiam ser cometidos por amadores, como eu, o que só faz aumentar o meu orgulho e identificar cada marca. Por exemplo, é minha, inquestionavelmente minha, aquela situação em que, ao procurar-se o interruptor de luz do banheiro, só é possível encontrá-lo atrás da porta. Nenhum arquiteto faria algo assim. Este erro é uma assinatura.

Estou na tinta escolhida, no material do forro, no escantilhado da porta, no local do quadro de energia, na capacidade da caixa d`água, na diagonal do piso e nos pedidos de ligação de água e energia. Estou na grama maltratada, na casinha do gás, no detalhe em pedra, no sumidouro da calha, no hidrômetro exposto e na caixa dos correios.

Por isso tenho a impressão de que ela nunca será, para mim, uma casa qualquer. Será, sempre, com toda a força que pode ter essa expressão, a minha casa.

sábado, janeiro 05, 2013

Waldir Pinto de Carvalho em quadrinhos


A idéia de publicar uma história em quadrinhos é antiga, e um sonho que acalento com muito carinho. Bom, vou contar então como nasceu esse projeto - o primeiro que será publicado - e da maneira que ele nasceu, desde o embrião.
Durante o mês de setembro de 2012 resolvi tirar do papel um dos projetos envolvendo quadrinhos que tenho guardado no fundo do meu HD. Tenho umas seis ou sete sinopses que ainda precisam ser trabalhadas, mas a publicação de cada uma delas, ou de todas elas é quase impossível, principalmente por questões financeiras.
Então tirei do HD um dos projetos e resolvi “vender o peixe” para o jornal O Diário. Sou responsável pelo projeto gráfico e pela diagramação de 90% das revistas lançadas pelo jornal então comecei a viajar na idéia de levar um desses projetos para uma dessas revistas.
Tenho em casa uma coleção chamada Literatura Brasileira em Quadrinhos, que saiu encartada no jornal O Extra e publicada pela editora Escala Educacional. Já havia ventilado a possibilidade de trazer essa idéia para o nosso quintal, pensei em várias histórias, em vários autores e então decidi que esse seria um projeto perfeito para levar para a direção do jornal. Resolvi então vender meu peixe.
Chamei meu amigo de sempre, Glauco Torres, que também trabalha no jornal, e apresentei pra ele o projeto. No mesmo dia conversei com a editora de cultura do jornal, Patrícia Bueno e logo depois com o chefe de redação, Hélio Cordeiro. Os dois concordaram, mas faltava a aprovação do diretor Fábio Paes. Consegui vender a idéia e o projeto foi aprovado.
Sinceramente, essa que foi a etapa mais fácil, pra mim seria a mais difícil. Fiquei feliz com a abertura e a certeza de que a mentalidade em relação aos quadrinhos está mudando. Hora então de colocar a mão na massa.
Escolhemos o autor Waldir Pinto de Carvalho por uma série de motivos, o maior deles era a peculiaridade de suas histórias e de sua linguagem "campistana". Eu sabia que teria um número limitado de páginas e também estaria brigando contra o tempo. Então, lendo e relendo sua obra, decidi que ele seria o autor certo para o projeto.
O segundo passo foi contatar a família do autor. A filha de Waldir, Walnize Carvalho, que também é escritora, foi o nosso contato e a ponte para as obras de Waldir de Carvaho, algumas que jamais haviam saído de sua casa. Me debrucei sobre os livros e manuscritos que a Walnize me confiou e levei um mês para definir qual seria a obra adaptada. Cheguei a conclusão de que Na Terra dos Heréos seria perfeita para esse projeto.
Escolhi cinco histórias dos três volumes e adaptei as cinco. Ainda fiz depois mais uma para deixar na reserva e hoje temos seis histórias dos livros Na Terra dos Heréos, prontas para se transformarem em histórias em quadrinhos.
Para esse pontapé inicial essa publicação terá duas histórias. A revista que sairá encartada no jornal O Diário no próximo dia 15 de janeiro terá mais ou menos (ainda não sei exatamente) 32 ou 36 páginas. Duas histórias estarão lá: a história do mentiroso Zé Felipe e do brincalhãoSabino Manhães, personagens das histórias de Waldir Pereira de Carvalho. Tratei as histórias com muito respeito e tentei ser o mais fiel possível ao texto original. Em alguns casos não mudei nada, em outros algumas correções foram necessárias, mas tudo está como o velho Waldirescreveu na década de 80 e 90.
Amanhã (ou daqui a pouco) vou postar alguns desenhos que o Glauco já preparou. Vou soltar pelo menos um ou dois desenhos hoje e mais uma página pronta na semana que vem. O desenho que está na abertura do blog é um dos quadros desenhados por Glauco, um dos primeiros, mas ainda está só no lápis.
Espero que esse trabalho não só dignifique ainda mais a obra do escritor campista Waldir Pinto de Carvalho, como também apresente o autor para as novas gerações.
Até lá vamos nos preparar para o lançamento!
Cássio Peixoto 

terça-feira, outubro 16, 2012

ABC de José Cândido tem lançamento neste sábado em Campos

Bom programa anotado na agenda para o próximo sábado, 20, às 18h, na Casa de Cultura José Cândido de Carvalho, em Goitacazes. Será o lançamento, em Campos, do livro ABC de José Cândido de Carvalho (José Olympio), da jornalista, crítica literária e professora de Teoria Literária, Cláudia Nina.

A autora foi editora editora do caderno Idéias, do Jornal do Brasil, e escreve para a revista EntreLivros e para o caderno Prosa & Verso, do jornal O Globo.

U de Ururau

Em matéria de Mariana Moreira no blog Prosa (aqui), Nina contou que, para fazer o livro, passou muitas tardes com Laura Lione, filha de José Cândido de Carvalho.

"Em uma das nossas reuniões iniciais, Laura me sugeriu: “O “U” pode ser ururau”! E me mostrou um jacaré estranhíssimo, de madeira, que seria o próprio animal mitológico que aparece em “O coronel e o lobisomem”, descrito no capítulo 5 do romance como tendo “cauda de jacaré, escama de cobra, força de cavalo e olho sugador de gente”, disse.

domingo, julho 08, 2012

Mesas da Flip em pequenos vídeos


Em família com Zuenir Ventura, Dulce Maria Cardoso e João Anzanello Carrascoza




Flip 2012 - Mesa 11 - 07.jul.2012

Pelos olhos do outro com Ian McEwan e Jennifer Egan

Flip 2012 - Mesa 10 - 07.jul.2012

Cidade e democracia com Roberto DaMatta e Suketu Mehta
Miniatura

Flip 2012 - Mesa 08 - 06.jul.2012 

Literatura e liberdade com Adonis e Amin Maalouf


Encontro com Jonathan Franzen 

 

Flip 2012 - Mesa 07 - 06.jul.2012

Exílio e flânerie Teju Cole e Paloma Vidal

Flip 2012 - Mesa 06 - 06.jul.2012

O mundo de Shakespeare com Stephen Greenblatt e James Shapiro

Flip 2012 - Mesa Zé Kleber - 05.jul.2012

A leitura no espaço público com Silvia Castrillón e Alexandre Pimentel

Flip 2012 - Mesa 05 - 06.jul.2012

Drummond -- o poeta moderno com Antonio C. Secchin e Alcides Villaça

Flip 2012 - Mesa 03 - 05.jul.2012

Ficção e história com Javier Cercas e Juan Gabriel Vásquez

Flip 2012 - Mesa 04 - 05.jul.2012

Autoritarismo, Passado e Presente COM Luiz Eduardo Soares e Fernando Gabeira

Flip 2012 - Mesa 02 - 05.jul.2012

Apenas literatura, Enrique Vila-Matas e Alejandro Zambra.
 Miniatura

Flip 2012 - Mesa 01 - 05.jul.2012

Escritas da finitude, Altair Martins, André de Leones e Carlos de Brito e Mello

terça-feira, outubro 18, 2011

Confira a programação do V Enletrarte

Da Assessoria do IFF

O IF Fluminense promove nos dias 19, 20 e 21 de outubro de 2011, no campus Campos Centro, o V Encontro de Letras e Artes, intitulado TERRITÓRIOS DA MEMÓRIA: Nas dobras da imaginação. A proposta do evento é promover a reflexão sobre a memória como um elemento essencial nas formações identitárias individuais e coletivas, históricas e ficcionais, a partir de pesquisas não apenas nas áreas de Letras e Artes, mas também de Educação, Linguística, Comunicação, Semiótica, História, Sociologia.

Confira aqui a programação completa.

quinta-feira, setembro 15, 2011

Lançamento de concursos literários nesta sexta, 16

 A Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima lança nesta sexta, 16, às 10h, as edições 2011 dos seus concursos literários. A data também marca o início do prazo de inscrições, que dura até o dia 7 de outubro.

Além do 23º Fest Campos Poesia Falada e do 21º Concurso Nacional de Contos José Cândido de Carvalho, a Fundação vai lançar uma premiação específica para estudantes, o 1º Fest Campos Poesia Falada Estudantil.

Mais informações pelo e-mail fcjol.literatura@gmail.com ou por telefone (22) 27344600 (Departamento de Literatura).


segunda-feira, agosto 15, 2011

Festa literária em Madalena de 26 a 28 de agosto


Da Assessoria do Programa Rio Rural

A teatróloga Maria Clara Machado (1921-2001), criadora do Teatro Tablado e autora de clássicos do teatro e da literatura infantil, como “Pluft, o Fantasminha” e “A Bruxinha que era Boa”, será a homenageada especial da FLIM 2011, a Festa Literária de Santa Maria Madalena, de 26 a 28 de agosto. Cacá Mourthé, herdeira de Maria Clara e atual diretora do Tablado, estará presente ao evento.

A festa, que já está em sua segunda edição, vai ocupar durante todo o último de fim de semana de agosto as praças, escolas, espaços culturais, bares e restaurantes do belo centro histórico de Madalena, com mais de 40 atrações culturais gratuitas para crianças, jovens e adultos.

Mais informações no blog do evento.

terça-feira, julho 19, 2011

São Paulo vai comemorar Dia do Escritor com distribuição de Livros

Da Assessoria do Projeto de Leituras

No dia 25 de julho, é comemorado o Dia Nacional do Escritor, instituído em 1960, após o sucesso do I Festival do Escritor Brasileiro, promovido pela UBE – União Brasileira de Escritores, tendo, na época, como presidente João Peregrino Júnior e vice-presidente Jorge Amado.

Para celebrar esse dia tão especial, São Paulo terá o evento “Dia do Escritor”, no Parque do Ibirapuera, no domingo, dia 24, das 9h30 às 15h, com distribuição gratuita de obras de Laé de Souza. O evento é realizado pelo grupo “Projetos de Leitura”, com a participação de voluntários, em parceria com a Prefeitura Municipal de São Paulo – Secretaria do Verde e Meio Ambiente, e contará com a presença do escritor que fará sessão de autógrafo e conversará com os leitores.

Em uma tenda, montada no parque, no Espaço da Serraria, serão distribuídos 1.500 exemplares da obra “Nos Bastidores do Cotidiano”, no estilo de crônicas curtas, que retrata o cotidiano das pessoas comuns e as complexidades das relações humanas, em uma linguagem coloquial e uma abordagem bem-humorada, dirigida ao público juvenil e adulto.

Para o público infantil, serão distribuídos os livros: “Radar, o cãozinho”, “Quinho e o seu cãozinho – Um cãozinho especial” e o caderno “Atividades de Leitura”, todos de autoria de Laé de Souza.

domingo, julho 10, 2011

Momento fofo na Flip



Mais trechos das mesas, aqui.

sábado, junho 11, 2011

Artur Gomes, direto da era do Gilete Press


A edição de maio da Revista de História da Biblioteca Nacional trouxe, na seção "Por dentro da biblioteca", uma simpática materinha sobre dois jornais literários marginais da década de 80, um de Goiânia (Gilete Press) e um de São Paulo (Mimeógrafo Generation). Na ilustração do texto, que reproduz o miolo de uma edição do Gilete Press, há uma poesia do nosso bravo Artur Gomes. Ei-la:

1º de Abril

telefonaram-me
avisando-me
que vinhas.
na noite uma estrela
ainda brigava
com a escuridão.

na rua
sob patas
tombavam
homens indefesos.

esperei-te 20 anos
e até hoje
não vieste
à minha porta.

- Foi um puta golpe!

Artur Gomes

quinta-feira, junho 09, 2011

Alunos do Paraná encenam conto de Zé Cândido

Procurando vídeos para o Campistana, olha só que trabalho escolar bacaninha que encontrei. É de alunos do ensino médio do Colégio Santo Antônio, da cidade de Santa Helena (PR), baseado no conto Porque Lulu Bergantim não Atravessou o Rubicon, de José Cândido de Carvalho.

domingo, junho 05, 2011

Nova edição de Outros Ares

Está no ar a Outros Ares #2. Aqui.

terça-feira, maio 03, 2011

Outros Ares na literatura

Os escritores Marcelo Barbão e Rafael Rodrigues acabam de colocar no ar a revista eletrônica Outros Ares. A proposta é divulgar novos autores e a produção de contos e crônicas.

"A revista Outros Ares vem ajudar na divulgação do conto, abrindo espaço para novos escritores brasileiros. Apesar de não ser um critério excludente, daremos prioridades a autores inéditos em papel. Também abriremos espaços para outras narrativas curtas, como fragmentos de romances, crônicas, etc", explicam na apresentação da publicação.

Os interessados em colaborar podem enviar suas produções para o e-mail revistaoutrosares@gmail.com.

terça-feira, março 29, 2011

Morre cronista Marcolino Gonçalves

A cara Walnize Carvalho informa aqui que morreu o escritor campista Marcolino Antônio Gonçalves, aos 62 anos, na Santa Casa de Misericórdia. O corpo foi sepultado no Cemitério Campo da Paz. Ele publicou a coletânea de crônicas "Além dos refletores prateados", onde contou episódios da sua carreira de jogador de futebol, com passagens pelo Rio Branco, Goytacaz, Americano, Olaria e Madureira.

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Uma delícia de crônica para ler em mesa de bar

Bar ruim é lindo, bicho!

Antônio Prata


Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de cento e cinqüenta anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de cento e cinqüenta anos, mas tudo bem.)

No bar ruim que ando freqüentando ultimamente o proletariado atende por Betão – é o garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas, acreditando resolver aí quinhentos anos de história.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar “amigos” do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.

– Ô Betão, traz mais uma pra a gente – eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte dessa coisa linda que é o Brasil.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte dessa coisa linda que é o Brasil, por isso vamos a bares ruins, que têm mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gâteau e não tem frango à passarinho ou carne-de-sol com macaxeira, que são os pratos tradicionais da nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gâteau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, gostamos do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne-de-sol, uma lágrima imediatamente desponta em nossos olhos, meio de canto, meio escondida. Quando um de nós, meio intelectual, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectuais, meio de esquerda, freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.

O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e, um belo dia, a gente chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e, principalmente, universitárias mais ou menos gostosas. Aí a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevette e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.

Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantêm o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam cinqüenta por cento o preço de tudo. (Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato). Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se dão mal, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão Brasil, tão raiz.

Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda em nosso país. A cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelos Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gâteau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda que, como eu, por questões ideológicas, preferem frango à passarinho e carne-de-sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca, mas é como se diz lá no Nordeste, e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o Nordeste é muito mais autêntico que o Sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é bem mais assim Câmara Cascudo, saca?).

– Ô Betão, vê uma cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?

__________________________
Publicado no Digestivo Cultural
http://www.digestivocultural.com/ensaios/ensaio.asp?codigo=225&titulo=Bar_ruim_e_lindo%2C_bicho



Nota do Editor: Texto gentilmente cedido pelo autor. Também parte integrante do volume As Cem Melhores Crônicas Brasileiras, organizado por Joaquim Ferreira dos Santos

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Livro de Márcio Aquino pode virar filme


Wesley Machado / Secom PMCG

O livro "Chicletes e Prazer", de Márcio de Aquino, lançado pela Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima na 6a Bienal do Livro de Campos, pode virar filme. A produtora executiva Ana Paula Mendes se interessou pela história do casal de adolescentes Alex e Layla e pretende adaptá-la para o cinema.

A ideia é que seja formada uma equipe da cidade para produzir o filme e seja chamada uma diretora renomada para dirigi-lo. Um dos nomes cotados para a direção é o da cineasta norte-americana radicada no Brasil, Rosane Svartman, diretora de "Como ser Solteiro", entre outros filmes.

Ana Paula pretende apresentar o projeto do longametragem "Chicletes e Prazer" em janeiro longametragem ao presidente da Fundação Oswaldo Lima, Avelino Ferreira, para saber do interesse da Prefeitura em ser parceira da produção. O planejamento é para que as filmagens comecem em março e o filme seja lançado no Festival de Cinema do Rio, em setembro.

O autor de "Chicletes e Prazer", Márcio de Aquino, explica como surgiu a ideia do filme. "Quem me deu a ideia do filme foi a Ana Paula. Apresentei o livro a ela para ver se ela conseguia uma editora viável e ela deu esta ideia. Ela disse que a história era muito boa e cabia muito bem num filme. Acabou que a Fundação lançou o livro. Foi ótimo, principalmente porque foi lançado na Bienal, um evento que teve grande visibilidade. Foi importante porque o livro alcançou pessoas que têm interesse por literatura", ressalta Aquino.

Chicletes e Prazer é o primeiro romance do escritor campista Márcio de Aquino, de 51 anos. A história se passa no ano de 1976 tendo como no pano de fundo a ditadura militar no Brasil e como fio condutor a música (em especial o rock e a MPB), o cinema e a literatura. A história é narrada em primeira pessoa pelo personagem principal Alex, adolescente de 17 anos, filho de um ativista político e que vive em busca de aventuras com seus amigos.

Num show de rock, Alex se apaixona por Layla, garota um ano mais velha que ele e filha de um militar. Eles se conhecem e começam a namorar. Descobrem juntos o amor, vivem momentos inesquecíveis, mas acabam separados por um golpe do destino.

Márcio de Aquino

O escritor Márcio de Aquino nasceu em Campos dos Goytacazes em 1959. Fez os 1º e 2º graus no Liceu de Humanidades de Campos, onde descobriu o rock, uma de suas grandes paixões. Trabalhou de 1989 a 1997 na Rede Ferroviária Federal como agente de estação. Ainda na década de 90, fez parte

do movimento de fanzines, publicando os zines Ligações On'Pidididíri, Tarati Taraguá e Sobrado, além de colaborar no zine Mão Única?

Em 2003. Márcio de Aquino passou no concurso da Secretaria Municipal de Educação, onde trabalha atualmente como auxiliar de secretaria. Formado em Economia pela universidade Cândido Mendes, Aquino é contista, um dos autores do livro "Contos da Terra Plana", organizado pelos jornalistas

Jorge Rocha e Vitor Menezes e publicado em 2007 pela FCJOL. Blogueiro - escreve no Blog "Tarati Taraguá". Também é colecionador de revistas e vinis e desenhista aficicionado por pop art e quadrinhos.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Assista a leitura de trecho de "Usina elevatória de traição"



Lançamento de "Usina Elevatória de Traição", segundo ebook de Jorge Rocha, acontece hoje, às 19h, na Livraria Quixote, em Belo Horizonte. Dowload estará disponível no site da Mojo.

sábado, dezembro 11, 2010

Jorge Rocha lança Usina Elevatória de Traição

Urgentista in memoriam, o jornalista e escritor Jorge Rocha lança nesta segunda, 13, seu segundo ebook pela Mojo. Trata-se de "Usina Elevatória de Traição", que já frequenta alguns hds amigos. O lançamento será na livraria Quixote, às 19h, em BH, cidade que lhe concedeu asilo político. Dowloads serão liberados a partir da segunda.

domingo, novembro 14, 2010

Vai começar a Balada Literária

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