A comunicação institucional no Brasil, daqui a alguns anos, será estudada levando-se em conta um antes e um depois do blog da Petrobras (petrobrasfatosedados.wordpress.com). A ferramenta, criada no último dia 2, provocou polêmica entre jornalistas e mereceu, por um lado, críticas de alguns dos principais jornais do país e nota de repúdio da Associação Nacional de Jornais (ANJ), enquanto que, por outro, obteve apoio de muitos internautas e nota favorável da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
A ANJ disparou no dia 8: “A Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifesta seu repúdio pela atitude antiética e esquiva com que a Petrobras vem tratando os questionamentos que lhe são dirigidos pelos jornais brasileiros, em particular por O Globo, Folha de S.Paulo e O Estado de S.Paulo, que nas últimas semanas publicaram reportagens sobre evidências de irregularidades e de favorecimento político em contratos assinados pela estatal e suas controladas”.
A ABI rebateu no dia seguinte: “A criação do blog constituiu-se em instrumento de autodefesa da empresa, que se encontra sob uma barragem de fogo crítico disparado por vários veículos impressos. Não se poderá alegar que é assegurado à empresa o direito de resposta, uma vez que quando este for exercido a informação nociva já terá produzido afeitos adversos. Ademais, é conhecido principalmente dos jornalistas o tratamento que a imprensa concede tradicionalmente ao direito de resposta, se e quando o reconhece e o acata: a informação imprecisa ou inidônea é divulgada com um destaque e uma dimensão que não se confere à resposta postulada e concedida”.
A Petrobras reconsiderou o tratamento dado às perguntas feitas pelos jornalistas. Inicialmente elas, junto com as respostas da empresa, eram publicadas no mesmo dia da apuração, antes da divulgação das matérias (no jargão jornalístico, a assessoria “furava” o próprio veículo de comunicação, o que foi o principal motivo das críticas). Depois a empresa se comprometeu em publicar apenas depois da 0h do dia em que a matéria é veiculada.
Mas não será em razão desta polêmica que o blog da Petrobras será lembrado como um marco da comunicação institucional. Será apenas pela sua adoção, o que antes não era bem visto por políticas mais conservadoras de comunicação. Mesmo depois de quase uma década de larga utilização dos blogs, e do inegável avanço democrático que eles proporcionaram, ainda há instituições – inclusive jornalísticas – que não assimilaram bem um tempo onde não são mais os donos da informação, mas apenas um dos seus agentes.
Blogs já vinham sendo utilizados por empresas e instituições, mas ao ganhar a adesão de uma empresa do porte da Petrobras, este tipo de ferramenta tende a se consolidar até entre os mais resistentes.
domingo, junho 14, 2009
Antes e depois do blog da Petrobras
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Vitor Menezes
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segunda-feira, junho 08, 2009
Tapa na cara dos jornalões
Sei que a notícia já foi exposta aqui no Urgente! pelo Vitor. Mas tenho que conjecturar sobre o fato que estorou no final de semana dos meios de comunicação: a Petrobras lançou um blog. Para quê? Vejamos:
A mim, já é a maior jogada de uma assessoria de imprensa nacional desta década. Primeiro porque fizeram os repórteres e editores provarem do próprio veneno numa época de CPI. E, cá entre nós, eu tenho asco de assessoria de imprensa – mas este drible da agência da Petrobras foi de Pelé. Invejável! Assim, caiu ainda durante o domingo a máscara da Folha de S. Paulo e de O Globo [um pouco mais da máscara]. À da Veja, espero, está sendo reservada um tapa especial.
Outro ponto bem pensado foi a hospedagem do blog. Não é um blog que está inserido no domínio da própria estatal. Trata-se de um espaço hospedado no Wordpress, um serviço gratuito assim como o Blogspot, sobre o qual o Urgente! está instalado. Com isso, fica aquela impressão: é gente como a gente. Falsa impressão, claro, mas uma bela jogada de marketing. Olé! Transcrevo um trecho do Blog da Petrobras para ter uma ideia da força dos textos publicados lá:
Um erro repetido mil vezes… (em 7 de junho)
"O jornal Folha de São Paulo afirmou em sua edição de 06 de junho que a Petrobras teria 1.150 jornalistas em sua área de comunicação. A nota de esclarecimento enviada no mesmo dia ao jornal paulista, corrigindo a informação, não foi publicada no tradicional Painel do Leitor, na seção Erramos da edição de hoje.
A Folha tem uma circulação de mais de 300 mil exemplares e, certamente, é lida por um público ainda maior, formador de opinião. O efeito multiplicador é enorme. O resultado é que outros jornais país afora e blogs de opinião poderão reproduzir o erro. É dever da Petrobras proteger a imagem da Companhia e de seus acionistas, bem como a verdade dos fatos a seu respeito.
A liberdade de expressão e o direito a opinião pressupõem responsabilidades. É a velha máxima: quanto maior o poder, maior a responsabilidade.
A Petrobras homenageia: 07 de Junho, o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa." (reproduzido do Blog da Petrobras)
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Guilherme Póvoas
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domingo, setembro 14, 2008
Plataforma de petróleo virtual poderá ser visitada em evento no Rio
Por Alana Gandra / Da Agência Brasil
Rio de Janeiro - Um laboratório capaz de fazer simulações em computador dos sistemas de produção de petróleo em águas profundas e ultraprofundas, desenvolvido pela Universidade de São Paulo (USP), será exibido na feira Rio Oil & Gas, que começa amanhã (15) no Rio de Janeiro.
É o Tanque de Provas Numérico, projeto apoiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência de fomento à tecnologia e à inovação vinculada ao Ministério da Ciência e Tecnologia.
Em sua primeira fase, concluída em fevereiro de 2002, o projeto recebeu financiamento de R$ 3,9 milhões da Finep e de R$ 3,5 milhões da Petrobras.
O tanque que, na verdade, é um simulador, poderá ser visto no próprio estande da Finep, na feira. Ali, os visitantes terão a oportunidade de passear virtualmente por uma plataforma de petróleo. Por meio de simulações em computadores, o público poderá observar como a plataforma fica no oceano, como está fixada no piso marinho, como ela se move.
[[Íntegra da matéria, aqui]
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Vitor Menezes
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terça-feira, setembro 02, 2008
Começou a era pré-sal
Foto: Thiago Guimarães / Secom ES
Por Nielmar de Oliveira /Agência Brasil
Vitória (ES) - A Petrobras deu início no final da manhã de hoje à produção do primeiro óleo da camada pré-sal. no campo de Jubarte, na Bacia de Campos, litoral sul do Espírito Santo.
A primeira extração no pré-sal se dará a partir do poço 1-ESS-103ª, que estará interligado à FPSO Juscelino Kubitschek (P-34), e exigiu investimentos de cerca de R$ 50 milhões.
A produção começa com um Teste de Longa Duração (TLD), que servirá de parâmetro para que se possa observar o comportamento do óleo do pré-sal, tanto no reservatório quanto na planta de processo da plataforma - devendo durar de seis meses a um ano.
Segundo informações da Petrobras, a plataforma P-34 produz petróleo no campo de Jubarte desde dezembro de 2006, em um reservatório localizado acima da camada de sal.
O poço de Jubarte está localizado a 70 quilômetros da costa do Espírito Santo, com o óleo sendo extraído a 4.700 metros de lâmina d’água (distância da superfície até o reservatório), tendo que, para isto, ultrapassar uma camada de 200 metros de sal. No caso de Tupi o reservatório está a mais de 6 mil metros de profundidade e a camada de sal chega a cerca de 2.000 metros.
Íntegra da matéria aqui.
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Vitor Menezes
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segunda-feira, agosto 04, 2008
Três exemplos em um só projeto
Foto: Margarida Neide / PMS
A Prefeitura de Salvador acaba de oferecer, em um só projeto, três exemplos que deveriam ser observados atentamente por prefeituras como a de Campos. No final de julho, dia 28, foi inaugurada uma passarela que custou R$ 1,050 milhão e teve 80% deste custo financiado pela Petrobras.
Por aqui, inúmeros projetos poderiam ser desenvolvidos em parceria com a empresa, se houvesse profissionalismo e seriedade nas propostas do poder público.
A passarela se integra a outras três que foram construídas igualmente em parcerias entre a prefeitura e empresas privadas. Participaram um shopping e uma instituição de ensino superior.
Por aqui, a iniciativa privada é que se acostumou a viver das benesses do dinheiro público.
Finalmente, uma deliciosa vingança histórica. A passarela se chama Jorge Antônio França, um jovem sindicalista petroleiro que morreu tragicamente em um acidente em 2006. O Sindicato dos Químicos e Petroleiros da Bahia pediu à Petrobras que encaminhasse à Prefeitura o pedido de que fosse dado o nome do militante à passarela. A empresa aceitou, e a Prefeitura também. O curioso é que a passarela fica sobre a Avenida Antônio Carlos Magalhães.
Por aqui, cogita-se chamar Alair Ferreira a nova ponte sobre o Paraíba.
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Vitor Menezes
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