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domingo, janeiro 25, 2009

Em caso de medo, demita

Não consta que em períodos de bonança os empresários tenham aumentado salários de modo espontâneo, garantido participação nos lucros, reduzido jornadas de trabalho sem mexer no contracheque ou oferecido voluntariamente mais direitos e benefícios aos empregados. Por outro lado, basta um reforço no noticiário sobre a crise para que imediatamente apertem o botão da demissão em massa.

Normalmente associados ao estereótipo do ousado empreendedor, da liderança que corre riscos, os empresários quase sempre estão mais próximos, na verdade, de prudentes conservadores. Têm muito a perder, e temem muito por isso. Ao menor sinal de revés se encolhem, e o fazem por meio do encolhimento da folha de pagamentos.

E não estão errados. Pelo menos dentro da lógica por vezes erguida e por vezes imposta do capitalismo. Não são lobos-maus. São apenas covardes, como a maioria das espécies animais, para usar uma associação frequente entre o mundo das finanças e o vale-tudo da sobrevivência selvagem.

Não consigo imaginar criatura mais assolada por medos do que aquela que tem um pequeno império para cuidar. No exercício do seu micro-poder se sente um deus, testando forças, dispondo da vida de centenas ou até de milhares, enquanto desconfia de conjugues, filhos, irmãos, sócios e até de si mesmo.

Diferentemente de Marx, não chego a acreditar que constituam uma classe, mas isso não significa que não seja possível perceber traços comuns no modo como atuam, a despeito de uma ou outra exceção. Os empresários têm nos números, que tanto cultuam, o balizador das suas atitudes. E são estes que mostram que a diferença entre demissões e contratações ultrapassou os 600 mil em dezembro de 2008, em favor das primeiras.

Não duvido que os tempos realmente sejam difíceis. Não tenho elementos para desconfiar dos prognósticos sombrios para 2009. Mas não me comove a choradeira patronal – que nem chega a ser surpreendente, de tão constante, seja qual for o cenário econômico.

Dou crédito apenas a pequenos e micro-empresários. Estes aprendizes de feiticeiro quase sempre têm razão quando reclamam da burocracia, da corrupção do poder público, do excesso de impostos, e dos impactos de uma crise como esta que atravessamos. Mas estes são apenas estagiários, treinando com um choro autêntico a prática do pranto fingido dos grandes para o caso de chegarem lá.

Isso não torna santos os trabalhadores. Mas são, no entanto, mais frágeis nesta relação. Imersos nesta cultura, muitos acreditam sinceramente que um dia poderão estar do outro lado da conta bancária, na condição de pagadores de salários. Mal conhecem as endurecidas taxas de mobilidade social brasileiras – o que significa dizer que continua sendo muito difícil que um pobre se torne rico –, embora as vivenciem.

Nesta semana houve manifestações de centrais sindicais em defesa da manutenção do emprego. Quando unidos, os trabalhadores podem muito. Tanto para acertar quanto para errar. Por vezes até mesmo conseguem povoar os pesadelos patronais, colocando empresários realmente na situação de risco que tanto gostam de dizer viver.

[Artigo publicado na edição de hoje do Monitor Campista]

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Luzes sem choradeira

Fotos: Vitor Menezes

A gente anda por aí e não esquece de Campos. Foi por isso que fiz os registros aí ao lado, quando dia desses estava em Gramado (RS), somente para mostrar que aquela choradeira dos comerciantes de Campos no final do ano passado, reclamando da falta das luzes de Natal, é apenas uma mostra de falta de uma iniciativa privada atuante.

Do final de novembro até a primeira quinzena de janeiro Gramado fica toda enfeitada para o Natal. Além disso, há grande programação de shows e desfiles natalinos. Quem banca tudo isso? Os maiores interessados: a iniciativa privada. Neste ano, o principal patrocinador foi o Bradesco, mas havia patrocínios para todos os portes.

A simpática sequência de árvores de Natal na avenida Borges de Medeiros (acima), a principal da cidade, foi feita com um patrocínio para cada árvore, identificado por uma placa. Simples assim.

Perto dali, em Nova Petrópolis, empresas e instituições também bancaram a decoração da principal praça do município.



Por lá, os empresários choram menos, trabalham mais e investem em ações comunitárias.


quarta-feira, março 12, 2008

Empresários vigiam políticos

Um grupo de empresários no Paraná criou o que chamam de "Rede de Participação Política do Empresariado". A proposta é monitorar e avaliar os políticos, começando pelos eleitos em 2006. Qualquer cidadão pode se cadastrar e obter mais informações, aqui.

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