Entrevista de novo ?
Simone Pedro encarou a tarefa de me entrevistar para a revista Papiro, que será publicada dia desses aí. E o tema, como vocês podem adivinhar, é sobre blogs. Confiram a íntegra da bagaça aqui.
segunda-feira, maio 31, 2004
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Jorge Rocha
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domingo, maio 30, 2004
No entanto, se move
Estou caindo fora desta terra plana, contaminado que estou por Belo Horizonte, cidade onde vai nascer meu filho. O guri Eduardo, mistura mais do que bem-vinda de mineira com norte-fluminense, não terá muito por onde escapar, uma vez que a mãe também é escritora - oi, Ana Elisa Ribeiro. Vai ficar cercado de livros por todos os lados e ... Peraí ! "Também" ? Que "também" é esse ? Sim, hereges de plantão ! Este "também" está aí porque eu não abro mão de me auto-intular "escritor", com muito orgulho. Mas muito mesmo. Com mostarda e maionese, por favor.
É preciso explicar algo sobre este que vos escreve, para melhor entender este texto. Não faça essa cara xexelenta; essa explicação é estritamente necessária. Vamos à ela: sou um cara obcecado. Tenho essa mania feia de querer pensar, planejar, discutir, reavaliar e produzir literatura. O que me levou a procurar, até mesmo por força da profissão de jornalista, pessoas que tivessem esta mesma necessidade. Cutucando daqui e dali, surgiram intercâmbio de informações e amizades sendo concretizadas. Dia desses, acabei me vendo rodeado de escritores que viraram amigos. O mais importante dessa história: isso aconteceu aqui em Campos. Acabei encontrando nesta terra plana, pessoas que escrevem e conhecem e comentam e discutem tanto obras literárias clássicas quanto contemporâneas. Afinação e simetria com o Brasil inteiro por conta da literatura.
Daí que virei um crente. Minha profissão de fé: creio que a literatura opera prodígios. E as conexões provam isso. Em se tratando de literatura, acredito até mesmo em boas intenções. Sim, ó, ímpios descrentes ! As minhas, por exemplo, são as melhores possíveis. Incluindo aí o meu calculado desdém em relação à poesia. Entre estas ações práticas em prol da sobrevivência literária, está Paralelos, projeto editorial cujo objetivo é mapear a produção literária que está sendo desenvolvida nos grotões deste país, partindo do Rio de Janeiro. "Vinde a mim as letrinhas" poderia ser um bom slogan para resumir este projeto, que foi levemente inspirado na publicação da PS:SP, revista lançada no ano passado e que reúne doze autores que vivem em São Paulo.
O projeto conta ainda com o lançamento de uma revista-livro na segunda edição da Flip (Festa Literária Internacional de Parati), que acontece em julho. A primeira seção, chamada Paralelos, contará com autores nascidos ou radicados no Estado do Rio de Janeiro. Manja onde quero chegar: entre os autores selecionados, há três representantes de Campos – ahá ! A segunda parte, que leva o título de "Conexões", reunirá escritores de várias lugares do Brasil, mostrando o que há de produtivo na literatura brasileira contemporânea, cujos autores estão se interconectando. E esta ligação é claramente reforçada com revistas literárias do quilate de Ácaro, Coyote, Arraia Pajé Urbe e tantas outras que publicadas país afora e que têm conquistado projeção com o tempo.
Há movimento. E os escritores de Campos fazem parte dele. Percebe o desenvolvimento da simetria ? Suas possibilidades ? Você não perde por esperar.
Para fechar, uma outra explicação. Disse lá em cima que estou indo embora de Campos, assunto este que parece não ter a mínima relação com o teor deste artigo. Mas, creiam, isto é a base de tudo que estou escrevendo aqui. Histórias para contar para Eduardo não irão faltar. Mas quero ter uma história especial para contar para o meu filho, quando ele tiver idade suficiente para começar a compreender o que é literatura. Quero poder contar para ele que, em minha cidade natal, em determinada ocasião, tive o prazer de me juntar a outros escritores locais e que, em conjunto, ousamos investir tempo, dinheiro e uma grande dose de paciência em uma paixão. E que fomos correspondidos certas vezes, vendo resultados práticos desta obsessão. Também direi que os textos que chegavam às minhas mãos de pugilista calcário não ficavam devendo em nada o que eu via de outros pontos do país e que tal percepção me alegrava bastante.
Todo esse texto, no fundo, tem uma conotação egoísta, reconheço. Serve para dizer que eu quero que meu filho sinta orgulho do escritor que é o pai dele. Porque eu sinto orgulho em fazer parte de uma geração que se preocupa com a literatura, que se interconecta e que, aos poucos, vai movendo este nosso mundinho literário. Eppur si muove.
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Jorge Rocha
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sábado, maio 29, 2004
Sob encomenda
E, doravante, Jorge Rocha chamar-se-a Jó G. Rocha.
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Vitor Menezes
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sexta-feira, maio 28, 2004
[momento am]
Abração para o bravo Marcos Henrique da Silva Rosa, meu filósofo de cabeceira, que completou hoje 30 anos.
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Vitor Menezes
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quinta-feira, maio 27, 2004
Máfia
Mesmo com as passagens de ônibus urbano no Rio de Janeiro aumentando para R$ 1,60 no próximo sábado, ainda continuam sendo um exemplar paralelo do disparate cobrado nas roletas campistas. Com o dinheiro citado, é possível fazer uma viagem do Flamengo até a Barra, por exemplo, levando cerca de uma hora, sem engarrafamentos. Em outras palavras: tempo e distância equivalentes a uma passagem para Campos x Farol ou Campos x Grussaí. Sem falar na diferença de custo de vida e nas sucatas que trafegam por aqui.
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Felipe Sáles
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Cachaça Lula
Essa já não garanto a total veracidade, mas, em compensação, deu no jornal. O Instituto Nacional de Propriedade Industrial recebeu pedido de registro de marca para uma aguardente chamada Lula. Fico em Grussaí mesmo. Essa deve dar uma dor de cabeça filha da p...
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Felipe Sáles
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Órfãos de Zé Cândido ?
Os escritores campistas da assim chamada “nova safra” também terão vez na III Bienal do Livro de Campos, que acontece entre os dias 12 e 20 de junho. No dia 15, a partir das 19h, haverá a mesa de debates intitulada “Depois de José Cândido de Carvalho: os caminhos da escrita na planície goitacá”, que contará com este que vos digita, Vitor Menezes, Jules Rimet e Eugênio Soares. A idéia desta mesa é mostrar como anda a produção literária desta terra plana e o hiato, em termos de divulgação, em que nos encontramos, desde que Zé Cândido teve sua obra reconhecida. E para completar, haverá ainda apresentação de mais um “Olha pro sarau, Frederico !”, com a Mutável Saralho Band interpretando mini-contos destes escritores. O subtítulo deste sarau – lembrem-se: cada apresentação tem um subtítulo – é “Paulo César Pereio”. Não me perguntem os motivos.
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Jorge Rocha
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Etílico uai !
Quer tomar uma cachaça mineira sem ter que viajar para Minas Gerais ? Então, é melhor você andar com Felipe Sales. Ele garante que, em Grussaí, em um lugar chamado Bar do Mineiro – eu acho –, o simpático senhor que atendia no balcão serviu uma legítima. Com aquela frase peculiar: essa aqui é só pra você, viu ? Sales também garante que, em um certo estabelecimento erótico-comercial de Campos, servem uísque 12 anos. Penso seriamente em perguntar se ele não estaria interessado em comprar a ponte General Dutra.
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Jorge Rocha
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quarta-feira, maio 26, 2004
Politicamente antenados
Uma boa dica para jornalistas que cobrem área política, assessores de políticos e para os próprios políticos é a participação no seminário “Estratégias Políticas e Comportamento Eleitoral”, que será realizado nesta quinta-feira, a partir das 14h, em Campos, no auditório da ACIC.
A organização está por conta do Laboratório de Estudo da Sociedade Civil e do Estado (LESCE) da Universidade Estadual do Norte Fluminense. Marcus Figueiredo, diretor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro(Iuperj), tratará, dentre outros assuntos, de Mercado Eleitoral e Competência Estratégica entre Partidos.
Mais informações pelos telefones (22)2726-1580 ou (22)2726-1636.
É necessária inscrição para participar do evento.
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terça-feira, maio 25, 2004
Choradeira do Jorge
Dia desses confidencie a amigos o quanto tenho me sentido mal pelas amizades que deixei de ter na juventude. Não faz muito tempo, mas muitos já são impossíveis hoje. Outros poucos toparam a reaproximação, com cautela é verdade. Menos ainda os que se achegaram e sequer ocupam todos os dedos que a nicotina marca. E agora um deles se vai. Sentirei saudades de você véio. Beijundas.
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Salve Jorge!
Abraço ao mestre Jorge Rocha, a partir de hoje dono legítimo deste título. Maçãs e avelãs sobre a mesa.
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Oremos
O bravo JR defende hoje à tarde, na Uenf, a sua dissertação de mestrado na área de cognição e linguagem.
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Vitor Menezes
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Olinda
Está muito engraçada a foto, de Silésio Corrêa, do prefeito de São João da Barra, Betinho Dauaire, nos braços do "povo" na página 3 da Folha da Manhã de hoje. Com o seu candidato atrás, parece desfile de bonecos no Carnaval. Engraçada também está a cara de um dos sujeitos que estão carregando Betinho, do lado esquerdo do prefeito, com os olhos voltados para baixo, sério, e com o pensamento, provavelmente, nas contas que tem para pagar.
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Hemingway na III Bienal
O escritor, jornalista e tradutor, Luís Peazê, fará a leitura de trechos de Por Quem os Sinos Dobram, traduzido por ele para a recente edição brasileira da Bertrand - lançada na Bienal de São Paulo -, no primeiro dia da III Bienal do Livro de Campos, 12 de junho, às 15h, na Fundação Rural. Peazê é membro da Hemingway Society, entidade norte-americana que reúne biógrafos e estudiosos da vida e da obra do autor. Após a leitura, a professora Sonia Torres, doutora em Literatura Comparada, professora do curso de pós-graduação em Letras da UFF e fundadora e ex-vice-presidente da International American Studies Association, participa de debate sobre Hemingway com o tradutor.
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segunda-feira, maio 24, 2004
Recordações na pista
Tava lembrando, dia desses, numa conversa nublada por vapores etílicos, com um amigo - nao lembro mesmo quem - daquela vez em que Nelson Piquet deu um soco em um outro corredor que o levou a rodar e sair da pista. E eis que me deparo com um post sobre Piquet bem aqui, incluindo um link pro vídeo dessa cena. Preciso tomar cuidado. Minhas conversas talvez estejam sendo gravadas.
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Mais uma vez
Por 12 votos a 9, os professores Andral Tavares e Orávio de Campos Soares reelegeram-se na Coordenação de Comunicação Social da Faculdade de Filosofia de Campos (Fafic).
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Jorge Rocha
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1º aniversário
O VERBO SOLTO - blog que administro individualmente - completa hoje (24/05), um ano. Ele está hospedado no portal Comunique-se. Quer dar um presente? Vá lá e deixe um comentário, melhor, navegue nele periodicamente.
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Cedendo
Pela primeira vez leio com alguma boa vontade um desses autores da tal nova geração. Tenho a dizer que esse menino aí, Joca Reiners Terron, é, realmente, como esse pessoal diz por aí, fodido de bom. Mas não se anime, JR, continuo achando esse negócio de transgressão uma palhaçada!
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Vitor Menezes
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Providências, providências
Precisamos, urgentemente, organizar um chá de fraldas para o JR.
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[momento am]
Abraço para o caro amigo Elisael Barros, que virou líder da oposição no movimento de servidores da Uenf por mais uns caraminguás num tal plano de cargos e não sei mais o quê.
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[momento césar ferreira]
As praças do bairro onde moro vivem infestadas de sujeitos com aqueles cachorros nada simpáticos. Quando não estão ameaçando ninguém, estão fazendo cocô na areia do parquinho onde as crianças brincam. Outro dia eu ia reclamar com um cara, mas fiquei com medo de tomar uma cabeçada. Não é assim que eles reagem quando reclamamos de alguma coisa?
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Vitor Menezes
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Serviço de utilidade privada
Ei, alguém aí tem notícias da Renata Reis? Preciso falar com ela urgentemente.
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domingo, maio 23, 2004
Saudade Pistoleira
Sim, infiéis. Aqui, eu estou sorrindo. Não é montagem de photoshop. Há motivos.
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Jorge Rocha
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sábado, maio 22, 2004
Anti-Arnaldo
Este domingo (23/05) será o "Dia D" para o grupo de Garotinho em Campos (RJ). Em uma pré-convenção, será escolhida a pessoa que vai concorrer à Prefeitura de Campos pelo PMDB. Sete candidatos a candidatos disputam a vaga. Ao que parece, o preferido de Anthony Garotinho é Pudim - o Geraldo Siqueira. Diga-se, ainda vice-prefeito do município. A programação vai acontecer a partir das 15h, no Batistão.
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Entrevista com o jornalista
Você percebe que está ficando velho quando começa a ser procurado para dar entrevistas. Tive essa exata sensação quando fui abordado, dia desses, por Tanize Costa, aluna da Oficina de Produção Textual – ou algo do tipo -, capitaneada pelo professor Sérgio Arruda, na Uenf. Aproximando-se timidamente e me chamando pelo nome, Tanize – até então, uma desconhecida - perguntou se era possível que eu desse algumas opiniões sobre, ora, vejam só, blogs, para um trabalho. Respondi que sim, claro, sem problemas. Dias depois, chega ao meu email um texto dela, apontando as questões que eu deveria abordar. Não lembro se estava bem ou mal-humorado quando respondi, mas acabei encarnando o Crooner Dissidente e escrevendo algumas considerações. Acabei achando o resultado bem engraçado. Enjoy it.
“As questões que gostaria de saber de você estão relacionadas a internet como meio de divulgação literária, um meio alternativo dado o restrito mercado literário brasileiro. Se você crê ser este um meio mais democrático, ou o é apenas com relação aos que já tem acesso esse meio, ou seja, já há uma espécie de triagem com relação ao uso da internet.
Triagem ? Algo como "somente os eleitos acessarão o mundo livre da web" ? Ou "creia no click de enter e será liberto" ? Não se esquente muito com esse tipo de resposta. É que estou ouvindo Tom Waits enquanto escrevo. Daí, frases como essas inevitavelmente acabarão surgindo ao longo deste texto. Mas vamos em frente. A Internet, ou melhor, a literatura publicada neste meio, não é exatamente uma alternativa ao restrito mercado editorial. Para mim, tem um caráter de experimentação e divulgação, pontos estes que não possuíam a mesma maleabilidade em outros meios. É aquela história de custo zero e que tais, mas não é um fim em si mesma. Não conheço nenhum escritor que despeje seus textos em sites e blogs que não queira publicar um livro impresso - isso se já não tiver sido publicado. Dessa forma, me arriscaria a dizer que, em certos casos, esta produção literária escoada na Internet é muito mais uma estratégia de marketing do que uma necessidade de produzir literatura. Claro, este panorama está sendo bastante modificado, porque é perceptível o "surgimento" de escritores que estão dispostos a discutir produção literária em meios como este, aliando esta proposta ao marketing. O que é bastante saudável. Talvez até mesmo possa fazer bem aos neurônios. Vou conversar com meus médicos a respeito disso.
A sua visão com relação aos blogs, se são apenas diários eletrônicos, se são válidos enquanto meio de divulgação literária.
Ora, blogas, digo, bolas ! Blogs são ferramentas. E só. Não é questão de pensar para que servem, mas sim o que se vai fazer com isso. O blogueiro - valha o termo - é que vai dar vida à esta publicação, é óbvio. Se quiser estabelecer que haverá discussão e produção literária, assim será. Manja aquela história lendária sobre golens ? São criaturas feitas de lama e barro que ganham vida após colocar um certo símbolo em sua testa - chamado de emmeth, salvo engano. Assim que despertam, obedecem à vontade do dono. Então, vamos a uma frase de efeito: os blogs são os golens interconectados dessa nossa era muderninha.
E se são válidos enquanto meio de divulgação literária, os comentários são sempre válidos, funcionando como interlocutores, ou se restringem a tietagens e/ou pedantismos.
Os blogs literários são os principais elementos no processo de escoamento e discussão sobre produção textual. Seu caráter de interconexão, aliado às possibilidades de dar opinião, meter o bedelho, tornam estes blogs - atenção: estes blogs - ferramentas utilíssimas no que eu posso chamar de fomento à inteligência. Imagine você entrando em contato direto com aquele escritor ou escritora cujos textos te encantam, podendo argumentar sobre este ou aquele trecho, sobre determinado estilo literário, sobre a produção atual da literatura brazuca ? Agora, páre de imaginar e olhe pra tela do computador conectado e perceba que esta atitude está crescendo e encorpando. Trata-se de uma teia, uma máfia, um conluio. Mas a ficha exata sobre isso ainda não caiu. Salto de bungee-jumping por diversos blogs literários e o que pude perceber, em relação aos comentários, é que raramente as pessoas mais antenadas e com disposição para argumentar, deixam seus rastros opinativos. Em geral, o sistema de comentários é utilizado como um mural de recados. Acredito que haja uma certa preguiça (mental, será ?) da nossa parte, no momento de usar esse sistema. Penso que ainda estamos aprendendo a manusear ferramentas como essas.
Também gostaria de saber se você acha que o blog/sites literários podem vir a incentivar a leitura para além da literatura de internet, assim como podem realmente facilitar a entrada de um escritor no mercado literário tradicional.
O conceito exato da palavra "interconexão" deve ser apreendido todos os dias, talvez até repetido como um mantra, para que possamos entender que esta mídia, a Internet, não é, definitivamente, algo ensimesmado.Não publicamos na Internet apenas porque não dispomos de recursos para colocar todas essas palavrinhas em livro impresso. Temos aqui, como já especifiquei lá em cima, olhe lá, uma dupla dinânica: experimentação e divulgação. Há vários casos, no Brasil, de autores que publicaram livros depois de escrever em blogs. Não vou citar nomes, porque não gosto de algumas publicações dessa leva. Mas estes são fatos que não se pode negar. Há um incentivo sim, tanto à busca por autores com os quais você se identifica quanto em relação ao crescimento de uma certa, digamos, preocupação com a literatura contemporânea brasileira. Fique atenta e siga os bons: você não perde por esperar”.
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sexta-feira, maio 21, 2004
[momento César Ferreira]
Como é de conhecimento amplo, geral e irrestrito, o caro amigo César Ferreira é uma pessoa de gênio difícil. Na verdade, "pessoa de gênio difícil" é eufemismo para dizer que ele reclama de tudo, abusivamente, sem parar, sem trégua, sem descanso, de maneira que o mundo fica parecendo uma grande bola de estrume úmido. E é justamente por isso que sou amigo dele. Mas para que eu estou dizendo tudo isso ? Muito simples, Pedro Bó ! A partir de agora, fica instituído o [momento César Ferreira], para toda ocasião em que qualquer um dos urgentistas publicar um post rabugento e reclamão. E é como já dizia o profeta: a raiva vai nos salvar, ouié.
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O império se expande
Semana estranha essa. Recebo duas boas notícias. A primeira: o livro de registros fotográficos de Wellington Cordeiro será lançado em breve, muito breve. Wellington - que teima com essa mania de ser fã do Sebastião Salgado - teve a manha de escolher alguns amigos para "legendar literariamente" as fotos. Entre estes amigos, estão André Luiz Arêas, Orávio de Campos Soares, Avelino Ferreira e eu - acho que o único que se recusou a escrever poesia neste livro, ahá. A segunda notícia: o curta "Rodeado de gente", de Alexandro F e André Zamana, está entre os 36 selecionados para serem exibidos no festival de curtas universitários da UFF. E ainda tem gente que não crê na veracidade da máxima da frase que dá título a este post. Bando de hereges !
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Jorge Rocha
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Eu não estou
Lembro da "entrevista" que Uóli fez comigo, certa vez. Nesta "entrevista", eu era apontado como uma espécie de recluso. E era mesmo, para dizer a verdade. O tempo passa, o tempo voa, e eu acabei deixando um tanto de lado essa imagem - que, na verdade, é o que eu sou mesmo. Hora de voltar às origens. Dá licença.
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